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Anvisa: 28% dos alimentos apresentam agrotóxicos em níveis acima dos permitidos

Os mais contaminados são o pimentão, o morango e o pepino

Segundo dados da Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgados nesta quarta-feira, 28% dos alimentos analisados em 2010 pelo Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos de Alimentos (Para) registraram a presença de agrotóxicos não autorizados ou níveis da substância acima do permitido. As amostras com maiores irregularidades foram as do pimentão: 91.2% mostraram problemas, seguidas do morango e do pepino, com irregularidade em 63,4% e 57,4% respectivamente.

O levantamento analisou 2.488 amostras de 18 alimentos diferentes recolhidos em todo o país, com exceção do estado de São Paulo, que realizou seu próprio Programa de Análise Fiscal de Alimentos. De todas as amostras, 24.3% estavam irregulares pois apresentaram agrotóxicos não autorizados para o alimento; 1.7% tinham níveis da substância acima do estipulado pela Anvisa; e 1.9% revelaram as duas irregularidades.

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Em relação ao relatório do ano anterior, a porcentagem das amostras irregulares em geral diminuiu pouco: de 29% para 28%. Porém, os números para os alimentos mais contaminados, ou seja, os pimentões, morangos e pepinos, aumentou: em 2009, representavam 80%, 50.8% e 54.8%, respectivamente. As batatas, que há um ano tinham irregularidades em 3.5% das amostras, não apresentaram problemas desta vez.

Para Luiz Cláudio Meirelles, gerente geral de toxicologia da Anvisa, há vários motivos que podem explicar a alta contaminação dos pimentões, como plantas mais sujeitas a ataques de fungos e a necessidade do controle das pragas, por exemplo. “Com esses resultados, devemos buscar soluções em variedades mais resistentes dos alimentos ou então em agrotóxicos com menores taxas de toxidade”, afirma.

Como evitar os agrotóxicos – Segundo o médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Durval Ribas Filho, o agrotóxico tem substâncias químicas que favorecem processos degenerativos das células e interferem no sistema imunológico. “Isso faz com que o produto possa provocar doenças crônicas e degenerativas, como o câncer. Para Filho, os prejuízos vêm com o contato frequente e com grandes quantidades de agrotóxicos. Porém, o médico ressalta que os vegetais não devem ser evitados, já que frutas, legumes e verduras são extremamente benéficos e essenciais na dieta de todos.

Mesmo oferecendo riscos à saúde, o nível de agrotóxicos nos alimentos é algo difícil de ser identificado: segundo Meirelles, os produtores não são obrigados a fornecer esse tipo de informação nas embalagens. Diante dessa dificuldade, o consumidor pode tomar algumas medidas que ajudam a diminuir a ingestão do produto. A principal delas é lavar bem as verduras, frutas e legumes, principalmente os sem casca.

“Deixar o alimento de molho por cerca de vinte minutos em água sanitária e depois lavá-lo em água corrente é a melhor opção”, diz o nutrólogo. “Isso já elimina parte do agrotóxico em excesso que pode ser prejudicial à saúde”. Além disso, optar por alimentos da estação ou produtos orgânicos também são boas formas de prevenção.

Nesta quarta-feira, um relatório sobre os impactos dos agrotóxicos foi aprovado na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados. O documento ressaltou a relação entre incidência de câncer e o uso desses produtos, e exemplificou com dados da cidade de Unaí, em Minas Gerais. O município possui alta concentração de agronegócio e apresenta 1.260 novos casos de câncer ao ano para cada 100 mil habitantes, enquanto a incidência mundial média é de 600 casos por 100 mil habitantes. De acordo com o secretário da comissão, Lin Israel Costa dos Santos, o documento deve ser transformado em projetos de leis sobre o assunto, mas ainda não foi apresentada nenhuma proposta concreta.