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A dieta da placenta

Recentemente, Kim Kardashian anunciou que havia comido sua placenta. Médicos ouvidos por VEJA afirmam que o estranho hábito não traz prejuízos à saúde. Mas também não há evidência científica de benefícios

Por Giulia Vidale 3 jan 2016, 10h00

Aos 35 anos, a socialite americana Kim Kardashian anunciou que comeria a própria placenta depois de dar a luz a Saint West, seu segundo filho. E comeu. Pouco tempo atrás, as atrizes Holly Madison, January Jones e Mayim Bialik haviam feito o mesmo. Essas mulheres aderiam, na verdade, à placentofagia, termo dado à prática de ingerir a placenta, que tem se tornado cada vez mais comum nos Estados Unidos e na Europa. Há, inclusive, várias empresas oferecendo serviços nessa área.

A placenta é um agrupamento de vasos sanguíneos que une o feto à parede do útero materno, permitindo a passagem de materiais nutritivos e oxigênio para o sangue do feto e a eliminação de resíduos de seu metabolismo. Além disso, ela também desempenha um papel importante na produção de hormônios como progesterona, gonadotrofina coriônica (hCG), hormônio lactogênio placentário e estrogênio.

O hábito teria como base a crença de que placenta concentre, mesmo após o parto, uma grande quantidade de nutrientes e hormônios benéficos para a saúde da mãe. Entre os benefícios estariam: aumento da energia e disposição após o parto, melhora na produção de leite e na aparência da pele, unhas e cabelo e, ainda contribiuria para a prevenção da depressão pós-parto.

As formas de consumo variam entre vitaminas, cápsulas, crua ou cozida.Kim Kardashian consumiu na forma de cápsulas. Nas empresas especializadas também é possível encontrar essência, tintura e cremes. No entanto, Rita Sanchez, ginecologista e coordenadora da maternidade do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, afirma que os hormônios e nutrientes da placenta se perdem após o parto. “O que sobra da placenta não é nada além de um agrupamento de vasos sanguíneos que deve ser terrível de mastigar, pois a textura de ser parecida com a de um elástico”, diz a médica.

Em relação aos riscos, a ginecologista Rita Sanchez afirma que só seria perigoso comer a placenta de outra pessoa, devido ao risco de transmissão de microorganismos presentes no tecido. Outro risco está associado ao armazenamento. Como todo item perecível, caso não haja um manejo adequado, pode haver contaminação ou proliferação de bactérias.

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Recentemente, pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, revisaram 10 estudos publicados entre 1950 e 2014 sobre placentofagia. Nenhum deles apresentou evidências científicas consistentes sobre os benefícios da prática.

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Placenta em cápsulas – Kim consumiu a placenta em cápsulas. Esse processo acontece da seguinte maneira: as mães interessadas em ter sua placenta encapsulada entram em contato com a empresa especializada e escolhem os “produtos” desejados. À gestante, é recomendado que leve ao hospital um pote esterilizado para guardar a placenta e uma bolsa térmica com gelo para armazenamento. A empresa envia até o hospital um profissional para recolher o material. A placenta então é lavada, cortada e colocada no desidratada. “O processo de desidratação demora entre 14 horas e 16 horas”, disse ao site de VEJA, Lynnea Shrief, fundadora e diretora da Independent Placenta Encapsulation Network (Ipen), empresa britânica especializada em fazer produtos a partir da placenta, a substância crua teria mais nutrientes. Em seguida, as fatias são colocadas em um moedor até que se forme um pó, que é encapsulado. Após o processo de desidratação, transforma-las em capsulas demora em torno de 4h e 5h. Então, a mãe pode ter suas cápsulas no dia seguinte ao parto.

A quantidade de cápsulas irá variar de acordo com o tamanho da placenta. “A placenta de uma mãe que teve um bebê de 2,7 kg resultará em 120 cápsulas. Já em um de 4,5 kg é possível fazer até 250 cápsulas”, explica Lynnea. Os preços variam de acordo com o produto e com a consultora. O encapsulamento custa, em média, 117 libras (cerca de R$ 686,00). O smoothie – vitamina feita no dia do parto com placenta (crua), morango, banana e água) -, entre 25 e 30 libras (R$ 146 a R$ 176) e os demais produtos, como essência e tintura, entre 30 e 60 libras (de R$ 175 a R$ 351).

Na Grã-Bretanha e na maioria dos países europeus, as mães conseguem sair do hospital com a placenta. No Brasil, por ser um material repleto de sangue e que pode gerar contaminação, seu transporte não pode ser realizado por qualquer pessoa nem por qualquer tipo de veículo. Logo, as mães não conseguiriam levar sua placenta para casa.

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