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A combinação explosiva para o fígado

Estudo mostra que beber em excesso no fim de semana pode ter consequências catastróficas entre pessoas com gordura no fígado

Por Diogo Sponchiato Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 abr 2026, 07h00 •
  • A ciência vem reunindo provas de que não apenas o consumo frequente de álcool na rotina como também a ingestão excessiva episódica – vulgo abusar no fim de semana – tem efeitos desastrosos para o fígado. Mas, se você já apresenta gordura acumulada nesse órgão, o que os médicos chamam de esteatose hepática, a combinação é ainda mais perigosa.

    O alerta vem de um estudo recém-publicado por uma equipe da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos. Ela analisou dados de saúde de 8 006 pessoas, sendo que mais da metade apresentava gordura no fígado – condição que não costuma dar sintomas, mas está associada não só a complicações hepáticas como a maior risco de doenças cardiovasculares e mortalidade precoce.

    A maioria dessa população acompanhada tinha o que hoje os experts denominam de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, conhecida pela sigla do inglês MASLD. Uma parcela menor apresentava não apenas esse quadro – marcado pela presença de gordura e, muitas vezes, de inflamação no fígado -, mas também costumava ingerir volumes elevados de bebida alcoólica.

    Os médicos resolveram examinar melhor o consumo excessivo episódico, definido como a ingestão de ao menos quatro doses de álcool para mulheres e cinco para homens em qualquer dia da semana, pelo menos uma vez ao mês. E descobriram que o hábito é mais comum do que se pensava na população que já convive com a gordura no fígado.

    Ao menos 15% das pessoas que “só” apresentavam MASLD também cometiam exageros vez ou outra. E, eis o dado mais estarrecedor, entre pessoas com gordura no fígado, o consumo excessivo episódico de álcool triplicava o risco de desenvolver fibrose hepática, quando o tecido do órgão fica com lesões e cicatrizes e perde sua funcionalidade.

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    Pelos achados em questão, os estudiosos sugerem que é preciso levar em conta o hábito de beber aos finais de semana – além do consumo médio geral – na equação dos perigos ao fígado e que isso deve ser considerado ao avaliar e classificar os pacientes.

    Hoje, existe outra sigla, MetALD, que se refere à junção da MASLD com a alta ingestão de álcool. O ponto é que essa denominação contempla por ora o consumo geral, não episódico. Se os abusos de fim de semana entrassem na conta, a prevalência de MetALD mais que dobraria, segundo os autores do trabalho.

    “Há duas informações fundamentais nesse estudo: a primeira é que o indivíduo com esteatose que bebe muito no fim de semana realmente corre o maior risco de desenvolver problemas como a cirrose, algo que outras pesquisas até com desenho melhor já mostravam”, comenta o hepatologista Roberto José de Carvalho Filho, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e membro da Sociedade Brasileira de Hepatologia.

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    “A segunda é que esses achados podem contribuir para mudar a forma como classificamos esses pacientes”, prossegue o médico, fazendo referência à MetALD, condição que, ao lado da epidêmica esteatose hepática, integrará as discussões na 35ª Semana do Fígado do Rio de Janeiro, um dos principais eventos da hepatologia brasileira.

    Em resumo: se gordura e álcool isoladamente já maltratam o fígado, quando se juntam a combinação pode ser explosiva.

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