Datas: Ennio Morricone e Leonardo Villar
O compositor de trilhas sonoras clássicas e o ator de 'O Pagador de Promessas'
Em 2007, quando o compositor e maestro Ennio Morricone recebeu das mãos de Clint Eastwood o Oscar pelo conjunto de sua obra, deu-se uma situação tragicômica típica dos western spaghetti que o consagraram nos anos 1960. Morricone agradeceu à Academia em carregado italiano, já que nunca aprendeu a falar inglês. Finalizado o discurso, nenhum aplauso: o público não havia entendido nada do que ele disse. Coube a Eastwood tentar, de improviso, traduzir a fala do regente. Que ironia: musicalmente, Morricone foi quem melhor traduziu as emoções de centenas de filmes. Ao longo de sua genial carreira produziu composições para mais de 500 títulos. Com o diretor Sergio Leone, imortalizou o faroeste italiano em clássicos como Por um Punhado de Dólares (1964) e Três Homens em Conflito (1966), eternamente associados à trilha. Para o diretor Giuseppe Tornatore, compôs a música de Cinema Paradiso (1988) — que derrete até o mais insensível dos corações. Em Hollywood, ele também fez grandes trabalhos, como a música que pontua Os Intocáveis, de Brian De Palma, em 1987. Foi indicado a seis Oscar, mas só ganhou aquele de 2007 pela obra e um segundo por um dos últimos trabalhos, Os Oito Odiados (2015), de Quentin Tarantino. Morricone morreu na segunda-feira 6, aos 91 anos, de complicações de uma fratura no fêmur, em Roma.
O eterno Zé do Burro
Muitas das questões sociais abordadas em O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte em 1962, continuam tristemente atuais. Intolerância religiosa, notícias falsas, politicagem e até acusar a esmo qualquer pessoa de ser “comunista”. O filme estrelado por Leonardo Villar conta a história de Zé do Burro, um homem matuto que promete a uma mãe de santo doar suas terras aos mais pobres e carregar uma cruz até uma igreja católica caso seu burro recupere a saúde. É até hoje um dos mais premiados do país — e o único filme brasileiro a conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes, na França. Na época, o piracicabano Villar já estava com 39 anos e uma consolidada carreira no teatro. Nos anos seguintes, manteve sólida presença na TV, com trabalhos marcantes em novelas como Barriga de Aluguel (1990), Laços de Família (2000) e Coração de Estudante (2002). No cinema, brilhou ainda em Brava Gente Brasileira (2000) e Chega de Saudade (2008). Aos 87 anos, fez seu último trabalho na TV: a novela Passione (2010), de Silvio de Abreu, em que interpretou um idoso que se envolve em um triângulo amoroso. Villar nunca se casou — dizia que havia dedicado a vida às artes. Ele morreu na sexta-feira 3, aos 96 anos, em decorrência de uma parada cardíaca, em São Paulo.
Publicado em VEJA de 15 de julho de 2020, edição nº 2695
Trump desafia médicos, minimiza sinais da idade e transforma sua saúde em questão política
Ex-mulher de Roberto Carlos defende cantor após críticas
Mega da Virada: de onde saíram os seis bilhetes vencedores, incluindo as apostas via internet
Com aposta em ’13’ e ’22’, Bolsonaro e irmão acertam na quadra da Mega da Virada
Sem comentar operação da CIA, Maduro diz que está ‘pronto’ para negociar acordo com Trump







