Datas: Alfredo Sirkis e Severino Cavalcanti
O ambientalista e o ex-presidente da Câmara
O guerrilheiro Felipe, de 20 anos, era um voluntarioso membro da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), liderada pelo ex-capitão do Exército Carlos Lamarca. Durante a Copa do Mundo de 1970, com o país ligado na televisão, o grupo sequestrou o embaixador da Alemanha Ocidental, Ehrenfried von Holleben. O jovem participou do planejamento da operação. Como falava inglês muito bem, se tornou intérprete do diplomata no cativeiro. A libertação do alemão foi feita em troca da soltura de quarenta presos políticos. O cotidiano rebelde de Felipe, codinome de Alfredo Sirkis, foi minuciosamente revelado em um pequeno clássico da recente historiografia brasileira, a autobiografia Os Carbonários — Memórias da Guerrilha Perdida, de 1980, relato dos anos de chumbo e da transformação de um homem atrelado a dogmas da esquerda em defensor de uma outra preocupação, a preservação do meio ambiente. Sirkis, que de 1971 a 1979 viveu no exílio, entre Chile, Argentina e França, foi um dos fundadores do Partido Verde no Brasil. “Era uma espécie de memória do movimento ambiental brasileiro”, resumiu o ex-deputado federal Fernando Gabeira, companheiro das duas jornadas, a do levante armado e a da defesa do clima.
Sirkis morreu em 10 de julho, ao sofrer um acidente de carro em um trecho do Arco Metropolitano, no Rio de Janeiro. Viajava do Rio de Janeiro para Morro Azul, no interior fluminense, para visitar a mãe, de 96 anos, isolada em decorrência do coronavírus — ele era filho único. Tinha 69 anos. Em artigo enviado a VEJA, que infelizmente não chegou a ser publicado, Sirkis escreveu: “O Brasil tem vantagens competitivas em um mundo em descarbonização: a maior floresta tropical que absorve e retém carbono; a maior biodiversidade e a mais volumosa reserva de águas. No entanto, só vai potencializar suas vantagens se combater eficazmente a pandemia, proteger seu meio ambiente e voltar a ser um ator internacional respeitado, deixando de se expor ao ridículo e de dar tiros no pé”.
O mensalão e o mensalinho
Eram 6h40 da manhã de uma terça-feira de fevereiro de 2005 quando o então ministro da Articulação Política de Lula, Aldo Rebelo, telefonou para o presidente com uma notícia: um então desconhecido Severino Cavalcanti, deputado do PP de Pernambuco, conhecido como o “rei do baixo clero”, fora eleito presidente da Câmara, ao derrotar o petista Luiz Eduardo Greenhalgh. Dali para a frente, a história da recente política brasileira tomaria rumo inesperado. Em junho, estouraria o escândalo do mensalão, aquele do pagamento seriado a parlamentares — e muito possivelmente os relatos não viriam à tona se o partido governista ainda controlasse a maioria na Câmara. Cavalcanti, porém, não teve mérito nem brilho. Em seu terceiro mandato como deputado federal, renunciou ao cargo naquele mesmo ano da insólita vitória, de modo a evitar um processo de cassação. Ele foi acusado de cobrar propina de 10 000 reais mensais do dono do restaurante da Casa Legislativa, em um episódio que foi jocosamente apelidado de “mensalinho”. Ele morreu aos 89 anos, de causas não reveladas, no Recife.
Publicado em VEJA de 22 de julho de 2020, edição nº 2696
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