O plano de Eunício Oliveira para voltar ao comando do Congresso
Derrotado em 2018, cacique emedebista articula ambicioso plano para voltar ao Senado e presidir a Casa daqui a três anos
Em 2018, as eleições gerais foram marcadas por um forte sentimento antissistema, fruto, em grande parte, das revelações da Operação Lava-Jato, desbancando vários caciques tradicionais da política brasileira. Poucos exemplos são mais contundentes que o de Eunício Oliveira (MDB). Presidente do Senado e do Congresso Nacional à época da abertura das urnas, o cearense fracassou na tentativa de reeleição. Amargou o terceiro lugar, meros 11.993 votos atrás do neófito Eduardo Girão, que conseguiu a segunda vaga em disputa sob a legenda do nanico (e hoje finado) PROS.
Oito anos depois, Eunício volta a sonhar alto. E tem um projeto de longo prazo. Começa pelo retorno à Casa, em 2027. E aterrissa no retorno à cadeira mais alta do Senado em 2029. O parlamentar tem dito a interlocutores que é assim que quer encerrar sua carreira na política.
O primeiro desafio começa antes mesmo da campanha eleitoral. Assim como em 2018, as chapas ao Senado terão duas vagas. No caso da coalizão governista em torno de Elmano Freitas (PT), ao menos três nomes se colocam na disputa, além do próprio emedebista: Júnior Mano (PSB), indicado pelo senador e ex-governador Cid Gomes (PSB); e os deputados federais petistas José Guimarães, líder do governo Lula na Câmara, e a ex-prefeita Luizianne Lins.
A pesquisa mais recente, divulgada no início do mês pelo Real Time Big Data, aponta, em um dos cenários, Capitão Wagner, do União Brasil, em primeiro lugar com 17%, seguido de Júnior Mano (15%) e Eunício (13%). Guimarães e Pastor Alcides (PL), pai do deputado bolsonarista André Fernandes (PL), empatam em quarto com 12%.
No levantamento do Paraná Pesquisas divulgado em 22 de janeiro, o cacique emedebista aparece em segundo lugar em dois dos três cenários que o incluem, com intenções de voto que variam de 26,4% a 35,2%. Ele chega a liderar o terceiro cenário com 37,3%, na ausência de Capitão Wagner entre as opções.
Àqueles que já o escutaram sobre seu plano plurianual, Eunício conta que partiu dele a ideia para o atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), lançar-se candidato ao cargo em 2019. Segundo o cearense, os dois almoçavam juntos quase todo dia nos meses anteriores àquela eleição. “Vai lá no shopping e compra uns ternos novos. Joga esses velhos que você usa fora. Agora você vai andar com postura de presidente”, recorda-se o emedebista de dizer ao colega, à época um completo desconhecido do público.
Agora, em 2026, um fator com grande influência sobre a eleição ao Senado ainda está indefinido. O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes, hoje no PSDB, flerta com uma candidatura ao Palácio da Abolição, em aliança com os bolsonaristas do PL local. Tem repetido que “o juízo” diz a ele para não ser candidato, mas “o coração está balançado”. Sem ainda anunciar uma decisão, lidera as pesquisas de intenção de voto mais recentes.
Quando o indagam sobre a situação do membro mais irascível da família Ferreira Gomes e as consequências de uma eventual derrota para a biografia política de Ciro, Eunício costuma recorrer a uma analogia desprovida de sutileza: “Se alguém está de frente para você com uma metralhadora e você com uma faca na mão, você tenta sair correndo? Não, você tenta espetar o adversário para se salvar.”





