MPF pede que Michel Temer e outros sete sejam presos novamente
Procuradores classificam decisão de desembargador que soltou o emedebista como 'açodada' e afirmam que houve 'violação' da colegialidade do TRF2
A Procuradoria-Regional da República da 2ª Região (PRR2) recorreu nesta segunda-feira, 1º, à Justiça para que o ex-presidente Michel Temer, o ex-ministro de Minas e Energia Moreira Franco e outros alvos da Operação Descontaminação sejam presos novamente. Temer, Moreira Franco e mais seis investigados foram detidos numa ação da Polícia Federal, deflagrada em 21 de maio, e deixaram a prisão quatro dias depois, beneficiados por uma decisão monocrática, isto é, individual, do desembargador Antonio Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2).
No recurso, a Procuradoria pede ao próprio Athié que reveja seu entendimento e, caso não decida pela prisão, que o recurso seja analisado pela Primeira Turma Especializada do TRF2. O pedido de habeas corpus movido pela defesa de Temer chegou a ser incluído na pauta do colegiado, mas não foi analisado porque o desembargador libertou o emedebista dois dias antes do julgamento.
Caso Athié e a Primeira Turma Especializada entendam que os investigados não devem ser detidos novamente, os procuradores Mônica Campos de Ré, Neide Cardoso de Oliveira, Rogério Nascimento e Silvana Batini Cesar Góes pedem que sejam determinadas as prisões domiciliares deles, com monitoramento por tornozeleira eletrônica, recolhimento dos passaportes e proibição de contato com os demais alvos da operação.
Além de Michel Temer e Moreira Franco, as medidas, diz o Ministério Público Federal, devem ser estendidas a João Baptista Lima Filho, o Coronel Lima; Maria Rita Fratezi, a mulher de Lima; Carlos Alberto Costa; Carlos Alberto Costa Filho; Vanderlei de Natale e Carlos Montenegro Gallo.
No recurso, os procuradores classificam a decisão de Athié como “açodada”. “Não havia abertura jurídica para que o relator concedesse açodadamente a ordem de habeas corpus em detrimento da prévia manifestação do Ministério Público Federal e do necessário debate entre os membros titulares da Primeira Turma Especializada”, afirmam.
Eles também ressaltam que o entendimento do desembargador configura ‘inegável violação ao princípio da colegialidade”. “A decisão monocrática não teve a preocupação sequer de apresentar fundamentos específicos para a concessão da ordem, em detrimento da apreciação colegiada”, completam.
Deflagrada pela força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro, a Operação Descontaminação mirou um suposto esquema de corrupção nas obras da usina nuclear de Angra 3 e na Eletronuclear, estatal que recebia influência política de Temer e seu grupo. Após as prisões, os procuradores do MPF fluminense atribuíram ao emedebista e aliados dele 1,8 bilhão de reais em propinas, incluindo propinas supostamente recebidas e prometidas.
Na decisão que autorizou as prisões, o juiz federal Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato fluminense na primeira instância, afirmou que “é convincente a conclusão ministerial [do Ministério Público Federal] de que Michel Temer é o líder da organização criminosa a que me referi, e o principal responsável pelos atos de corrupção aqui descritos”.
Na sexta-feira 29, o ex-presidente e os demais investigados foram denunciados pelo Ministério Público Federal pelos crimes de corrupção passiva, peculato e lavagem de dinheiro.
As acusações contra Temer foram divididas em duas denúncias. Uma delas trata da contratação fraudulenta, pela Eletronuclear, em 2012, do consórcio formado pelas empresas Engevix, Argeplan e AF Consult para a execução de obras na usina nuclear. A outra diz respeito ao repasse de 1,1 milhão de reais pela Alumi Publicidades à PDA Projetos e Direção Arquitetônica, do Coronel Lima, amigo de Temer. O dinheiro, propina da Engevix referente à obra de Angra 3, foi repassado pela Alumi por meio de um contrato firmado com a empresa de Lima, que elaborou um estudo técnico fraudulento para a implantação de painéis publicitários no aeroporto de Brasília. Reportagem de VEJA publicada em maio de 2018 detalha como a operação foi feita.
O número que pode azedar o sonho eleitoral de Lula em 2026
Risco de interferência de Trump no Brasil existe, mas não da maneira óbvia, diz especialista
Em decisão sigilosa, PGR arquiva investigação sobre segredos de Lula e Janja no Planalto
O novo (e doloroso) revés contra Wagner Moura rumo ao Oscar
Procurado pela Interpol, chefe da segurança de Rogério Andrade é preso no Rio







