Assine VEJA por R$2,00/semana
Continua após publicidade

Governo teme que CPI eleve a tensão com militares: ‘Quem vai convocar?’

Aliados de Lula afirmam que obrigar generais a prestar depoimento no Congresso poderia piorar ainda mais a relação entre o petista com as forças

Por Marcela Mattos Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 23 jan 2023, 09h50 - Publicado em 22 jan 2023, 18h22

Em meio a um jogo de empurra estabelecido em busca dos responsáveis pelos atos de vandalismo do dia 8 de janeiro, lideranças governistas têm descartado, desde já, a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a apurar o protesto. A comissão, originalmente, teria o objetivo de investigar os manifestantes que invadiram e depredaram as sedes dos três poderes, mas certamente seria inevitável que o colegiado também fosse pressionado a apontar os culpados pelas falhas e omissões no esquema de segurança.

Conforme mostra reportagem de VEJA desta semana, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), órgão vinculado à Presidência da República, emitiu uma série de ordens no sentido de liberar a tropa no dia do protesto. No momento da invasão ao Palácio do Planalto, havia sido chamado – e de última hora – apenas um pelotão de 35 militares.

O próprio presidente Lula admitiu ser contra a criação da CPI. Segundo ele, há outros instrumentos para apurar o vandalismo, e a comissão poderia acabar gerando uma “confusão tremenda”. Tradicionalmente, as comissões de inquérito são instrumentos da minoria parlamentar – ou seja, a oposição, e costumam trazer dor de cabeça ao governo.

Além disso, nos bastidores, parlamentares aliados do petista ressaltam um outro argumento para quererem evitar uma CPI: com poder investigatório, quem chamaria um militar da ativa a depor no colegiado? “Quem vai convocar um general?”, disse uma importante liderança governista, que emendou: “Você acha que os genereais vão depor?”. Entre os militares passíveis de serem chamados a dar explicações estariam desde os responsáveis por manter os acampamentos em frente a quarteis desde os que atuaram no dia dos protestos.

Continua após a publicidade

A fala não é por acaso. Durante a CPI da Covid, em 2021, houve uma mobilização de militares e aliados do governo para barrar a convocação do general Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil e responsável por coordenar um comitê de crise da pandemia. À época, uma ameaça foi enviada à comissão: “Quem vai ao Planalto levar um militar à força?”, questionou um aliado de Braga Netto a um membro do colegiado.

Além disso, a convocação do general Eduardo Pazuello, que acabou aprovada, teve antes de ser submetida à Secretaria-Geral do Exército. Uma saída “pacífica” estudada prevê a criação de uma comissão externa, destinada mais a acompanhar as investigações já em andamento do que criar uma apuração parlamentar própria.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

O Brasil está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.