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Alckmin usava cunhado para receber propina, dizem delatores

Governador de São Paulo recebeu R$ 10,3 milhões do departamento de propinas da Odebrecht nas eleições de 2010 e 2014

Por Rodrigo Rangel, Daniel Pereira, Robson Bonin, Laryssa Borges Atualizado em 12 abr 2017, 12h41 - Publicado em 11 abr 2017, 18h26

No acordo de delação da Odebrecht, homologado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), três executivos da empreiteira, Benedicto Júnior, Carlos Guedes e Arnaldo Cumplido, relatam que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, recebeu 10,3 milhões de reais da empreiteira durante as campanhas de 2010 e 2014. Os recursos, repassados via caixa dois, foram contabilizados no famoso “Departamento de Operações Estruturadas”, o setor de controle de propinas da empreiteira.

Segundo os delatores, Geraldo Alckmin recebeu 2 milhões de reais “a pretexto de contribuição eleitoral” na eleição de 2010. Já em 2014, quando disputou a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes, o governador levou outros 8,3 milhões de reais da empreiteira. O responsável por receber o dinheiro sujo em nome do governador, segundo os delatores, era Adhemar César Ribeiro, cunhado de Geraldo Alckmin. “Adhemar receberia pessoalmente parte desses valores (…) Todas somas não contabilizadas”, relata o relator da Lava-Jato no STF, ministro Edson Fachin. Na decisão, o ministro determina a abertura do sigilos e o envio das declarações dos delatores sobre Geraldo Alckmin ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que é responsável por investigar os governadores.

Confira nota de posicionamento enviada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP):

“Jamais pedi recursos irregulares em minha vida política, nem autorizei que o fizessem em meu nome. Jamais recebi um centavo ilícito. Da mesma forma, sempre exigi que minhas campanhas fossem feitas dentro da lei.”

  • Delação do fim do mundo

    O ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) determinou nesta terça-feira o fim do sigilo de todos os inquéritos abertos para apurar irregularidades contra políticos a partir de delações de executivos e ex-executivos da Odebrecht.

    Confira as acusações feitas pelos delatores nos inquéritos abertos pelo STF e clique em leia mais para saber o que pesa cada um (a lista está sendo atualizada):

    AÉCIO NEVES, SENADOR (PSDB-MG) – senador teria recebido mesada de até 2 milhões de reais (leia mais)

    DILMA ROUSSEFF, EX-PRESIDENTE DA REPÚBLICA (PT) – ex-presidente teria recebido 150 milhões para campanhas (leia mais)

    ROMERO JUCÁ, SENADOR (PMDB-RR) – senador recebeu propina para defender interesses da Odebrecht (leia mais)

    RENAN CALHEIROS, SENADOR (PMDB-AL) – com Jucá, recebeu R$ 5 milhões para aprovar MP (leia mais)

    EDISON LOBÃO, SENADOR (PMDB-MA) – senador levou R$ 5,5 milhões de reais da empreiteira (leia mais)

    FERNANDO COLLOR, SENADOR (PTC-AL) – recebeu 800 mil reais na campanha eleitoral de 2010 (leia mais)

    LINDBERGH FARIAS, SENADOR (PT-RJ) – recebeu 4,5 milhões de reais em propinas nas eleições de 2008 e 2010 (leia mais)

    CIRO NOGUEIRA, SENADOR (PP-PI) – recebeu 1,6 milhão de reais nas eleições de 2010 e 2014 (leia mais)

    EDUARDO CUNHA, EX-DEPUTADO (PMDB-RJ) – ex-deputado teria arquitetado plano para sepultar a Lava Jato (leia mais)

    BLAIRO MAGGI, MINISTRO DA AGRICULTURA (PP-MT) – ministro recebeu R$ 12 mi para ajudar a liberar crédito da empresa (leia mais)

    VICENTE CÂNDIDO, DEPUTADO (PT-SP) – deputado federal recebeu 50 mil reais para viabilizar Itaquerão (leia mais)

    JORGE PICCIANI, DEPUTADO ESTADUAL (PMDB-RJ) – recebeu caixa dois da Odebrecht nos anos de 2010 e 2012 (leia mais)

    PAULO HARTUNG, GOVERNADOR DO ESPÍRITO SANTO (PMDB) – recebeu 1 milhão de reais nas eleições de 2010 e 2012 (leia mais)

    HÉLDER BARBALHO, MINISTRO DA INTEGRAÇÃO NACIONAL (PMDB-PA) – recebeu 1,5 milhão  de reais  em três parcelas (leia mais)

    RICARDO FERRAÇO, SENADOR (PSDB-ES)  executivos dizem que repassaram a ele 400.000 reais via caixa dois (leia mais)

    ALDEMIR BENDINE, EX-PRESIDENTE DA PETROBRAS – ex-presidente do BB e da Petrobras, recebeu dinheiro para ajudar a Odebrecht (leia mais)

    ALFREDO NASCIMENTO, DEPUTADO (PR-AM) – ex-ministro de Lula e Dilma, recebeu 200 mil reais via caixa 2 (leia mais)

    JOÃO BACELAR FILHO, DEPUTADO (PR-BA) – recebeu 250 mil reais da Odebrecht para ajudar em MP (leia mais)

    CELSO RUSSOMANNO, DEPUTADO (PRB-SP) – deputado federal recebeu 50 mil reais na campanha de 2010 (leia mais)

    ZECA DIRCEU, DEPUTADO (PT-PR) – filho de José Dirceu teria recebido 250 mil reais para campanha (leia mais)

    CARLOS ZARATTINI, DEPUTADO (PT-SP) – líder do partido recebeu propina para atuar em favor de MPs (leia mais)

    PAULINHO DA FORÇA, DEPUTADO (SD-SP) – presidente da Força Sindical recebeu 200 mil para campanha de 2010 (leia mais)

    ANTÔNIO ANASTASIA, SENADOR (PSDB-MG)

    MILTON MONTI, DEPUTADO (PR-SP)

    ALOYSIO NUNES, SENADOR (PSDB-SP)

    ARLINDO CHINAGLIA, DEPUTADO (PT-SP)

    ARTHUR MAIA, DEPUTADO (PPS-BA)

    BRUNO ARAÚJO, MINISTRO DAS CIDADES (PSDB-PE)

    CÂNDIDO VACCAREZZA, DEPUTADO (EX-PT-SP)

    GUIDO MANTEGA, EX-MINISTRO DA FAZENDA (PT)

    EDUARDO BRAGA, SENADOR (PMDB-AM)

    OMAR AZIZ, SENADOR (PSD-AM)

    CACÁ LEÃO, DEPUTADO (PP-BA)

    CÁSSIO CUNHA LIMA, SENADOR (PSDB-PB)

    DALÍRIO BEBER, SENADOR (PSDB-SC)

    NAPOLEÃO BERNARDES, PREFEITO DE BLUMENAU (PSDB-SC)

    DANIEL VILELA, DEPUTADO (PMDB-GO)

    MAGUITO VILELA, EX-GOVERNADOR DE GOIÁS (PMDB)

    DANIEL ALMEIDA, DEPUTADO (PCDOB-BA)

    DÉCIO LIMA, DEPUTADO (PT-SC)

    ANA PAULA LIMA, DEPUTADA ESTADUAL (PT-SC)

    ELISEU PADILHA, MINISTRO-CHEFE DA CASA CIVIL (PMDB-RS)

    MOREIRA FRANCO, SECRETÁRIO-GERAL DA PRESIDÊNCIA (PMDB-RJ)

    FÁBIO FARIA, DEPUTADO (PSD-RN)

    ROBINSON FARIA, GOVERNADOR DO RIO GRANDE DO NORTE (PSD)

    ROSALBA CIARLINI, PREFEITA DE MOSSORÓ (PP-RN)

    FERNANDO BEZERRA, SENADOR (PSB-PE)

    GILBERTO KASSAB, MINISTRO DAS COMUNICAÇÕES (PSD-SP)

    BETINHO GOMES, DEPUTADO (PSDB-PE)

    JOSÉ FELICIANO, ADVOGADO

    VADO DA FARMÁCIA, EX-PREFEITO DE CABO DO SANTO AGOSTINHO (PTB-PE)

    PAULO ROCHA, SENADOR (PT-PA)

    HERÁCLITO FORTES, DEPUTADO (PSB-PI)

    HUMBERTO COSTA, SENADOR (PT-PE)

    IVO CASSOL, SENADOR (PP-RO)

    JOÃO CARLOS RIBEIRO, EX-SECRETÁRIO DE PLANEJAMENTO DE RONDÔNIA

    JOÃO CARLOS BACELAR, DEPUTADO (PR-BA)

    JORGE VIANA, SENADOR (PT-AC)

    TIÃO VIANA, GOVERNADOR DO ACRE (PT)

    JOSÉ CARLOS ALELUIA, DEPUTADO (DEM-BA)

    ZECA DIRCEU, DEPUTADO (PT-PR)

    JOSÉ DIRCEU, EX-MINISTRO-CHEFE DA CASA CIVIL

    ZECA DO PT, DEPUTADO (PT-MS)

    JOSÉ REINALDO TAVARES, DEPUTADO (PSB-MA)

    ULISSES CÉSAR MARTINS, EX-PROCURADOR-GERAL DO ESTADO DO MARANHÃO

    RENAN FILHO, GOVERNADOR DO ALAGOAS (PMDB)

    JÚLIO LOPES, DEPUTADO (PP-RJ)

    JUTAHY MAGALHÃES JÚNIOR, DEPUTADO (PSDB-BA)

    KÁTIA ABREU, SENADORA (PMDB-TO)

    MOISÉS PINTO GOMES, MARIDO DA SENADORA KÁTIA ABREU

    LÍDICE DA MATA, SENADORA (PSB-PE)

    MARCO MAIA, DEPUTADO (PT-RS)

    HUMBERTO KASPER, EX-PRESIDENTE DA TRENSURB

    MARCO PRATES DA CUNHA, EX-PRESIDENTE DA TRENSURB

    PAULO BERNARDO, EX-MINISTRO DO PLANEJAMENTO (PT)

    MARCOS PEREIRA, MINISTRO DA INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS (PRB-ES)

    MARIA DO ROSÁRIO, DEPUTADA (PT-RS)

    MÁRIO NEGROMONTE JÚNIOR, DEPUTADO (PP-BA)

    VALDEMAR DA COSTA NETO, EX-DEPUTADO (PR-SP)

    NELSON PELLEGRINO, DEPUTADO (PT-BA)

    ÔNIX LORENZONI , DEPUTADO (DEM-BA)

    PAULO HENRIQUE LUSTOSTA, DEPUTADO (PP-CE)

    PEDRO PAULO, DEPUTADO (PMDB-RJ)

    EDUARDO PAES, EX-PREFEITO DO RIO DE JANEIRO (PMDB)

    RICARDO FERRAÇO, SENADOR (PSDB-ES)

    RODRIGO MAIA, DEPUTADO (DEM-RJ)

    CÉSAR MAIA, EX-PREFEITO DO RIO DE JANEIRO (DEM)

    RODRIGO GARCIA, DEPUTADO (DEM-SP)

    ROMERO JUCÁ, SENADOR (PMDB-RR)

    EUNICIO OLIVEIRA, SENADOR (PMDB-CE)

    LÚCIO VIEIRA LIMA, DEPUTADO (PMDB-BA)

    RODRIGO JUCÁ, ADVOGADO E FILHO DE ROMERO JUCÁ (PSD-RR)

    VALDIR RAUPP, SENADOR (PMDB-RO)

    VANDER LOUBET, DEPUTADO (PT-MS)

    VANESSA GRAZZIOTIN, SENADORA (PCDOB-AM)

    ERON BEZERRA, MARIDO DA SENADORA VANESSA GRAZZIOTIN

    VICENTINHO, DEPUTADO (PT-SP)

    VITAL DO RÊGO FILHO, MINISTRO DO TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO (TCU)

    YEDA CRUSIUS, DEPUTADA (PSDB-RS)

    Fora do STF

    Dezenas de outros inquéritos foram enviados por Fachin a outros tribunais porque os envolvidos não têm direito a foro no Supremo Tribunal Federal, como os governadores de estado, que têm de ser julgados pelo Superior Tribunal de Justiça.

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    Nesta lista estão, entre outros, os governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), e do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB).

    Na lista também está o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), que precisam ser julgados na primeira instância, ou seja, pela Justiça Federal de São Paulo.

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