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Em Vitória, PT é café com leite

Partido está enfraquecido no estado e na capital, onde o candidato petista, Perly Cipriano, está com 4% das intenções de voto

Por Cecília Ritto 28 set 2016, 20h04

A tirar pelas últimas pesquisas, as eleições em Vitória se encaminham para um segundo turno entre o atual prefeito, Luciano Rezende, do PPS, e o apresentador de TV Amaro Neto, do Solidariedade. Em terceiro está o candidato do PMDB, Lelo Coimbra; e na rabeira, o petista Perly Cipriano. Aos 73 anos, Perly é um dos fundadores do partido e não deixa suas origens serem esquecidas ao andar para cima e para baixo na cidade pedindo voto: usa camisa vermelha e o número 13 estampado no peito. Carrega no currículo mandatos de vereador, deputado estadual e o posto de subsecretário Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos durante o governo do ex-presidente Lula – que já gravou até campanha para o companheiro. Mas nada tem feito Perly melhorar a performance. É visto como café com leite no pleito.

A estratégica de Rezende e Neto, que estão na dianteira, é não criar rusgas com o petista, já com os olhos voltados para os cerca de 4% que ele tem por ora nas pesquisas. Querem adicionar o pequeno quinhão no segundo turno. Para Roberto Simões, cientista político da Universidade Federal do Espírito Santo, Perly reúne votos da esquerda de Vitória, com um viés mais ideológico e sem herdeiros óbvios no segundo round eleitoral. “Não hostilizar o petista é uma estratégia. Isso fica claro nos debates”, avalia Simões.

Não há uma rejeição específica a Perly. Na verdade, seu baixo desempenho se deve ao emagrecimento do PT, que, antes mesmo do escândalo do Petrolão, já enfrentava dificuldades de avançar no estado. O Espírito Santo deu vitória a Marina Silva, em 2010, e a Aécio Neves, em 2014, nas respectivas corridas presidenciais. A justificativa para resultados tão ruins para o PT capixaba é a pouca atenção dada pelo governo federal, que se limitou a repassar para empresas, via concessões, a administração de uma rodovia e do aeroporto.

As obras necessárias demoraram anos para sair do papel. É o caso da duplicação da BR 101, que foi concedida em 2013 para a iniciativa privada. Só neste ano iniciaram as obras. Viracopos também foi um problema: a construção do novo terminal começou ainda antes, em 2012, e até agora não terminou. Duas pessoas morreram em acidentes de trabalho, houve paralisação de funcionários e o Ministério Público do Trabalho foi autuado.

Vitória chegou a ter o petista João Coser como prefeito entre 2005 e 2012. Ele não conseguiu eleger sua sucessora e, agora, o partido está longe de chegar aos dois dígitos nas urnas. Dos 78 municípios, o PT tem chances reais de vencer só em dois. O jeito foi manter a aliança com o PMDB no governo do estado, gerido por Paulo Hartung, e acomodar Coser em uma secretaria. Na política capixaba, eles só ouviram falar do racha entre PT e PMDB no plano nacional.

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