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Em nota, Palácio do Planalto evita tiroteio com Cunha

Depois de ser atingido pelas investigações da Lava Jato, presidente da Câmara dos Deputados anunciou rompimento com o governo

Por Marcela Mattos - 17 jul 2015, 15h57

O Palácio do Planalto decidiu adotar cautela e evitar – pelo menos por enquanto – um embate mais duro com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A avaliação do governo é que o recesso do Congresso pode jogar água na fervura enquanto emissários de partidos aliados vão tentar encontrar uma saída política para crise com o peemedebista. Além disso, conselheiros da presidente Dilma Rousseff também apostam que as novas denúncias da Operação Lava Jato tendem a enfraquecer o deputado no Legislativo.

Em nota divulgada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República na tarde desta sexta-feira, o governo destacou que a decisão do peemedebista de romper com o governo é “estritamente pessoal” e disse esperar que a posição dele “não se reflita” nas ações na presidência da Câmara.

“O presidente da Câmara anunciou uma posição de cunho estritamente pessoal. O governo espera que esta posição não se reflita nas decisões e nas ações da Presidência da Câmara que devem ser pautados pela imparcialidade e pela impessoalidade”, diz a nota. “O Brasil tem uma institucionalidade forte. Os Poderes devem conviver com harmonia, na conformidade do que estabelecem os princípios do Estado de Direito. E neste momento em que importantes desafios devem ser enfrentados pelo país, os Poderes devem agir com comedimento, razoabilidade e equilíbrio na formulação das leis e das políticas públicas”, continua o texto.

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“O governo sempre teve e tem atuado com total isenção em relação às investigações realizadas pelas autoridades competentes, só intervindo quando há indícios de abuso ou desvio de poder praticados por agentes que atuam no campo das suas atribuições”, conclui a nota.

Cunha é alvo de investigação na Lava Jato por ser acusado pelo empresário Julio Camargo de cobrar de 5 milhões de dólares do propinoduto da Petrobras. O peemedebista acusa o procurador-geral da República de incitar, com o aval do governo, o executivo a fazer tal declaração, já que em versão anterior Camargo havia negado a participação do chefe da Câmara no esquema.

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