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Disputas internas são a marca do nanico PTN no Rio

Presidentes estadual e municipal travam batalha na Justiça. Jorge Sanfins Esch, que afirma ter feito acordo de 1 milhão de reais, não é reconhecido por Paes como interlocutor - mas presidiu encontro do qual o prefeito participou

Por Cecília Ritto 29 set 2012, 14h12

“O partido havia entendido que seria interessante ter um nome próprio que defendesse a nossa bandeira, a do novo trabalhismo. No dia seguinte à homologação da minha candidatura, o presidente estadual (Sanfins Esch) anulou a convenção e me destituiu da presidência municipal. Fiquei um mês fora do partido”, afirmou Memória

O Partido Trabalhista Nacional vive em pé de guerra no Rio. Paulo Memória, que seria o candidato da sigla para a prefeitura, acusa Jorgen Sanfins Esch de gerir a legenda de forma desequilibrada. A candidatura de Memória chegou a ser homologada no dia 17 de junho. “O partido havia entendido que seria interessante ter um nome próprio que defendesse a nossa bandeira, a do novo trabalhismo. No dia seguinte à homologação da minha candidatura, o presidente estadual (Sanfins Esch) anulou a convenção e me destituiu da presidência municipal. Fiquei um mês fora do partido”, afirmou Memória, em entrevista ao site de VEJA.

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Memória está, novamente, suspenso da presidência municipal até o mês de outubro. O segundo afastamento foi uma decisão do plantão judicial, após Sanfins Esch entrar com uma ação contra Memória. O presidente estadual alegou que a recondução de Memória à presidência do PTN na cidade do Rio – decisão da executiva nacional – havia sido irregular.

Foi nesse meio tempo, segundo Memória, que Sanfins Esch homologou, em outra convenção, o apoio a Eduardo Paes. Ele diz desconhecer o acordo feito entre Esch e o PMDB. “Está em andamento um processo interno para destituir o presidente estadual do cargo e também para expulsá-lo do PTN”, explicou Memória.

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Um dos argumentos de Eduardo Paes para negar que haja acordo com motivação econômica, como revelou VEJA, é o fato de o PMDB não considerar Sanfins Esch o interlocutor do PTN para negociações políticas. É, no mínimo, estranho. Afinal, aquele que é reconhecido como interlocutor não queria a coligação, e defendia candidatura própria. E Sanfins Esch, que o PMDB não reconhece, defendia a união com o PMDB.

Na dúvida, melhor não confiar nas lembranças de Paulo Memória, nem na memória de Eduardo Paes. O que se pode afirmar, com certeza, é que em dois momentos este ano a coligação lidou com Sanfins Esch como interlocutor: no jantar com lideres de partidos citado por Sanfins Esch, que o próprio Paes afirma ter ocorrido em 24 de maio, e na convenção do PTN, em 30 de junho.

Após a convenção que definiu a entrada do PTN no arco de alianças de Paes, houve um encontro entre algumas pessoas do pequeno partido com o prefeito. “É natural que o partido que apoia candidato a prefeito, governador ou presidente integre o governo. Tenho relação de amizade com Paes. Acredito que nós do PTN e os outros aliados estaremos representados na administração. Na reunião, ele disse que queria governar com as forças que o estão apoiando. Deixou isso claro. Entendo isso como participação do PTN no governo”, contou Memória, afirmando, no entanto, que a reunião não foi uma negociata.

Atualmente, o PTN tem apenas quatro vereadores em todo o estado do Rio de Janeiro. A expectativa é que o nanico partido só faça dois neste próximo pleito, segundo cálculos de Paulo Memória. Ele afirmou ainda que há problemas entre a direção estadual e municipal da sigla em outras cidades, como Niterói, Cabo Frio e Angra dos Reis. Nessas três, a direção municipal definiu o apoio a um candidato ou a uma coligação e, posteriormente, Sanfins Esch optou por outros nomes, por motivos ainda sem resposta.

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