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Deputado do PDT quer afastamento de Carlos Lupi

Reguffe, Miro Teixeira e Pedro Taques pediram que Ministério Público investigue acusações contra ministro. Cúpula do PDT se reúne na sede do partido

Por Luciana Marques 8 nov 2011, 12h53

O deputado federal Reguffe (PDT-DF) defendeu o afastamento de seu colega de partido Carlos Lupi do Ministério do Trabalho diante das acusações de cobrança de propina em troca de contratos da pasta com organizações não-governamentais (ONGs). Segundo Reguffe, as denúncias de corrupção são graves, mas Lupi é quem deve decidir se fica no cargo. Indagado se o ministro deveria ser afastado de suas funções, o deputado respondeu: “Penso que seria inteligente ele agir assim”.

Reguffe, o deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ) e o senador Pedro Taques (PDT-MT) entregaram nesta terça-feira um pedido de investigação à Procuradoria Geral da República (PGR) para que o órgão apure irregularidades envolvendo programas do ministério, reveladas por VEJA. A cúpula do PDT está reunida nesta terça-feira na sede do partido em Brasília para decidir o futuro do ministro.

Entre as quarenta pessoas que participam da reunião do PDT está o deputado federal Weverton Rocha (PDT-MA). De acordo com a reportagem de VEJA, ele era um dos responsáveis por fixar os valores da propina que deveriam ser pagos por entidades em troca de contratos com a pasta. Lupi, que participa da reunião, concederá uma entrevista coletiva depois do encontro. O ministro conversou sobre o caso com a presidente Dilma Rousseff na segunda-feira no Palácio do Planalto.

Apuração – Também nesta segunda, a Comissão de Ética Pública da Presidência decidiu abrir processo contra Lupi para apurar irregularidades nos convênios da pasta. Reportagem de VEJA desta semana revelou que caciques do PDT comandados por Lupi transformaram os órgãos de controle da pasta em instrumento de extorsão. A relatora do caso será a conselheira Marília Muricy. Ela pedirá ao ministro esclarecimentos sobre irregularidades em contratos realizados pela pasta.

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O que diz a edição de VEJA – Conforme relatos de diretores de ONGs, parlamentares e servidores públicos, o esquema no Ministério do Trabalho funciona assim: primeiro o ministério contrata entidades para dar cursos de capacitação profissional e, depois, assessores exigem propina de 5% a 15% para resolver ‘pendências’ que eles mesmos criam.

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O Instituto Êpa, sediado no Rio Grande do Norte, foi um dos alvos do achaque. Depois de receber, em dezembro de 2010, a segunda parcela de um convênio para a qualificação de trabalhadores no Vale do Açu, a entidade entrou na mira dos dirigentes do PDT. O ministério determinou três fiscalizações e ordenou que não fosse feito mais nenhum repasse à ONG.

Ao tentar resolver o problema, os diretores do instituto receberam o recado: poderiam regularizar rapidamente a situação da entidade pagando propina. Para tanto, deveriam entrar em contato com Weverton Rocha, assessor especial de Lupi na época, ou Anderson Alexandre dos Santos, coordenador-geral de qualificação. Ambos respondiam a Marcelo Panella, então chefe de gabinete, homem de confiança do ministro e tesoureiro do PDT.

De acordo com os relatos obtidos por VEJA, Weverton fixava os valores da propina e Anderson fazia o primeiro contato. Depois do acerto, o dinheiro era entregue a um emissário do grupo no Rio de Janeiro. “Você não tem defesa”, diz um dos dirigentes da ONG Oxigênio, outro alvo de achaque, que admite ter desembolsado 50 mil reais para resolver ‘pendências’. “Já prestou o serviço e sofre a ameaça de não receber. Se o sujeito te põe contra a parede, o que você faz? Quando você tenta resistir, sua vida vira um inferno”.

O Palácio do Planalto monitora o caso. Deputados federais do próprio PDT contaram a Giles Azevedo, chefe de gabinete de Dilma, que Panella estaria cobrando propina de ONGs. Por ordem da Casa Civil, Ele foi demitido dias depois, em agosto. Panella nega. “Saí porque não me adaptei a Brasília”, diz o ex-chefe de gabinete de Lupi por quatro anos. Weverton, que assumiu em outubro o mandato de deputado federal, também nega. “Quando uma entidade te procura, é porque ela tem problema, mas nossa equipe sempre foi muito profissional”, diz.

Escândalos em série – Em dez meses, escândalos em série já derrubaram cinco ministros de Dilma Rouseff: Antonio Palocci (Casa Civil), Alfredo Nascimento (Transportes), Wagner Rossi (Agricultura), Pedro Novais (Turismo) e Orlando Silva (Esporte).

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