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Crivella reza, canta e samba ao comemorar vitória no Rio

Prefeito eleito agradeceu a pastores e à Igreja Católica no discurso da vitória. Mídia foi criticada, mas promessa é de que não haja "revanchismo"

Por Luisa Bustamante
Atualizado em 30 out 2016, 21h25 - Publicado em 30 out 2016, 21h03

Em seu primeiro discurso como prefeito eleito do Rio de Janeiro com 59% dos votos, Marcelo Crivella (PRB) agradeceu a Deus, a pastores e chegou a rezar um “Pai Nosso” em Bangu, zona oeste da cidade. “Quero agradecer também aos umbandistas, kardecistas, aos que não têm religião, aos agnósticos e aos ateus”, disse. Evangélico e bispo licenciado da Igreja  Universal, o senador também fez questão de demonstrar sua gratidão ao apoio da Igreja Católica.  Crivella discursou após a apuração dos votos na sede social do Bangu Atlético Clube,  acompanhado de sua mulher, Sylvia Jane, do vice, Fernando MacDowel, e de políticos aliados.

“Quero agradecer a Deus, a minha família querida e meus companheiros que marcharam ao meu lado fazendo com que essa vitória fosse possível.  Agradeço a todos que levaram o nosso projeto aos eleitores.  Peço a Deus que essa modesta vida pública possa deixar para todos os cariocas esse exemplo de que sempre chega nossa vez quando a gente não desiste”, disse.

Crivella citou Deus cinco vezes em seu discurso de pouco mais de oito minutos. O senador também não deixou de prestar sua homenagem ao prefeito Eduardo Paes, cujo candidato a sucessor, Pedro Paulo Carvalho, não chegou ao primeiro turno: “Quero parabenizar o candidato Freixo por sua luta, e também ao prefeito Paes, que me ligou. Também quero agradecer a toda a igreja Católica que nos apoiou vencendo uma onda enorme de preconceito difundido por parte de uma mídia facciosa”, continuou.

Depois, na quadra do Bangu, Crivella sambou, cantou e falou novamente sobre os ataques sofridos durante a campanha por sua ligação com a igreja Universal, do seu tio, o bispo Edir Macedo. Ao citar acusações de ser machista e ultraconservador, disparou: “Nós não somos membros de um convento de pudicos, mas uma síntese do povo carioca. Nós fomos massacrados”.

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Crivella voltou a criticar a imprensa e a alfinetar Marcelo Freixo. “Chega dessa agenda Fora Temer, nós queremos recursos. Se o povo do Rio quisesse que essa cidade se transformasse numa luta politica, teria votado no outro candidato. Não à legalização do aborto. Não à legalização das drogas. Não à ideologia de gênero da criança”, bradou, arrancando aplausos do público.

Do discurso mais moderado que o acompanhou na campanha, restou apenas a afirmação de que não “governará com revanchismo”:  “Eu não quero saber de injúria. O que disseram de mim ficou para trás. Vamos concentrar todas as nossas energias a causa do Rio de Janeiro”. Crivella terminou seu discurso rezando um “Pai Nosso” e repetiu, mais uma vez, a palavra “amém”.

O discurso de Crivella foi acompanhado por políticos que lhe apoiaram durante a campanha, como Clarissa Garotinho (PR), os tucanos Otávio Leite e Carlos Osório, Indio da Costa (PSD), Flavio e Jair Bolsonaro (PSC). Também estiveram presentes o peemedebista Jorge Felippe, presidente da Câmara Municipal e Rodrigo Bethlem, ex-secretario de Paes, acusado de corrupção.

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Bethlem, que andava entre as pessoas sem chamar muita atenção, disse que não fará parte do governo de Crivella. “Vou ajudar no que ele precisar, mas não serei secretário”, afirmou à VEJA.

Expulso do governo de Paes por ser acusado de desvio dinheiro, ele falou em “justiça divina” ao ser  questionado sobre a sensação de ver Crivella vencer a cidade que durante oito anos foi do PMDB. “A justiça divina fala por tudo. Eu vou provar que fui injustiçado. O tempo é senhor da razão”, disse.

Apesar de ter apoiado o senador, Bethlem diz que agora está fora da política e que se dedica a projetos particulares.

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Cacique do PMDB, Jorge Felippe, também presente, falou sobre seu apoio ao candidato. “Ele era o candidato que melhor se aproxima do diálogo, e no parlamento nos preconizamos o diálogo. Achamos que ele terá a grandeza de saber construir essa relação com o parlamento”, avisou.

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