Como uma operação da PF pode impactar a corrida eleitoral em Pernambuco
Miguel Coelho (União), ex-prefeito de Petrolina, pode perder vaga na disputa ao Senado, abrir espaço ao PP e impactar as alianças com João Campos e Raquel Lyra
A operação que a Polícia Federal cumpriu 42 mandados de busca e apreensão contra um esquema de desvio de emendas parlamentares em quatro estados e no Distrito Federal realizada na última quarta-feira, 25, deve dar novos rumos às alianças para a eleição de Pernambuco. Isso porque os alvos eram o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e os filhos dele, o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE) e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União-PE) — este último cotado para disputar uma vaga ao Senado na chapa do prefeito de Recife e presidente nacional do PSB, João Campos, que lidera as pesquisas de intenção de voto ao governo estadual contra a atual mandatária, Raquel Lyra (PSD).
Caso as investigações se aprofundem e cheguem a encontrar provas contra o clã Coelho, é possível que a disputa pela vaga de senador seja abandonada pela família, abrindo espaço para o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), que hoje trava uma queda de braço com Miguel Coelho para decidir os rumos da federação União Progressista em Pernambuco, visto que ele prefere apoiar a governadora Raquel Lyra.
Se Coelho ficar de fora e Da Fonte terminar vencedor, Raquel Lyra também sairá em vantagem, visto que poderá ter o apoio de toda a federação União Progressista no estado.
VEJA questionou Miguel Coelho sobre o assunto, mas não teve retorno. O ex-prefeito de Petrolina fez uma publicação nas redes sociais para afirmar que a investigação da Polícia Federal se trata de perseguição política e que sua ‘luta política não será abalada’. Na nota, assinada em conjunto com seu irmão, o deputado Fernando Filho, eles ainda acusam a PF de investigar movimentos supostamente legais feitos em prol do desenvolvimento da cidade de Petrolina, reduto político dos Coelho.
“O estado de Pernambuco foi surpreendido com uma operação cujo alvo principal é o crescimento da cidade de Petrolina. A petição do STF para tudo o que vimos hoje apresenta como motivação emendas parlamentares destinadas durante o mandato de Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho, para a nossa terra, emendas estas que transformaram o município, que foi o que mais cresceu no Nordeste na última década, com a melhor qualidade de vida, indicadores educacionais e desenvolvimento humano. Com a convicção que nossa força política é fundamental neste processo, reafirmamos que iremos continuar lutando para que mais recursos cheguem à cidade. Petrolina não vai parar de crescer e nem voltar ao passado (…). Segundo consta na decisão do Ministro [Flávio Dino], a PGR manifestou-se contra as medidas postuladas pela Polícia Federal. Impossível não destacar o viés político desse tipo de operação, uma vez que jamais deixamos de prestar quaisquer informações aos órgãos de controle, sejam estaduais ou federais. As contas de Petrolina, aliás, estão devidamente regulares e aprovadas. Seguimos com tranquilidade e confiantes na Justiça brasileira. Nossa luta política não será abalada por perseguições de onde quer que elas venham”, escreveram.
A operação da Polícia Federal
Os 42 mandados cumpridos pela PF foram expedidos pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpridos em Pernambuco, e também na Bahia, em São Paulo, Goiás e no Distrito Federal. Não foi divulgada a quantia que teria sido desviada nem o uso inadequado do recurso público.
Apesar disso, as investigações apontaram que o esquema de corrupção desviava recursos de emendas parlamentares ao direcionar o recurso para empresas ligadas aos Coelho e era utilizado no pagamento de vantagens indevidas e ocultação de patrimônio. Entre os crimes praticados e investigados estão a frustração do caráter competitivo do procedimento licitatório e a fraude em licitação e contrato, além de peculato, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.







