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Com apoio dos adversários de Cunha, Maranhão anula decisão de líderes e mantém eleição na quinta

Decisão sobre data e demissão do secretário-geral da Mesa se deu após intensas negociações na quinta-feira. Interino pode esticar estadia à frente da Casa

Por Marcela Mattos - 8 jul 2016, 14h27

Desautorizado na quinta-feira pelo colégio de líderes da Câmara dos Deputados, o presidente interino da Casa, Waldir Maranhão (PP-MA), deu mostras nesta sexta de que fará uso de cada minuto que resta de sua influência política: ele reagendou a votação que definirá o sucessor de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a próxima quinta, dia 14, anulando o ato dos líderes que marcava a sessão para terça-feira. E ainda demitiu do posto de secretário-geral da Mesa Silvio Avelino, considerado braço-direito de Cunha na cúpula da Câmara. A decisão pode esticar sua permanência, ainda que interina, no comando da Casa. Isso porque se houver qualquer imprevisto que impeça a votação na véspera do recesso, a questão seria definida apenas em agosto.

Maranhão passou a quinta-feira em uma série de reuniões com adversários de Cunha em busca de alternativas para evitar que o agora ex-presidente da Casa continue a ditar as regras e eleja um sucessor que colabore para que o processo de cassação do peemedebista continue a ser barrado. As articulações se deram na casa do deputado Macedo (PP-CE), amigo de Maranhão, e ao longo de toda a quinta-feira resultaram em um multipartidário entra e sai de parlamentares. Entre os que passaram por lá estão, além do presidente interino, Júlio Delgado (PSB-MG) e Alessandro Molon (Rede-RJ) – ferrenhos opositores de Cunha -, Orlando Silva (PCdoB-SP) e os candidatos à presidência da Câmara pelo DEM, Rodrigo Maia (RJ) e José Carlos Aleluia (BA).

Nesta sexta-feira, o presidente interino anunciou que acatou o apelo dos adversários de Cunha e que vai manter a eleição na quinta-feira. “Eu havia tomado a decisão de fazer na quinta, e assim o será”, disse. O entendimento é de que houve nulidades no ato de convocação da reunião do colégio de líderes que mudou a data da votação. Outra importante decisão tomada foi a de demitir o secretário-geral da Mesa. Avelino esteve no encontro durante a noite e teve uma conversa privada com Maranhão. Os dois entraram em rota de colisão após divergirem sobre a data da eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados: o secretário-geral chancelou a proposta de aliados de Cunha, que anteciparam a votação para terça-feira. Horas antes, o presidente interino havia publicado um ato que agendava a eleição para a quinta.

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O embate das datas tem como pano de fundo o futuro político de Eduardo Cunha: se as eleições acontecessem somente ao fim da semana, haveria tempo para a conclusão da análise dos recursos ingressados por ele contra a cassação e a votação da perda do mandato em plenário. Por outro lado, a antecipação do pleito joga o desfecho do caso somente para agosto, depois do recesso parlamentar. Havia a expectativa ainda de que, em meio ao racha entre candidatos que buscam disputar a presidência, não fosse possível realizar as eleições antes das férias, o que daria maior sobrevida a Maranhão no comando da Câmara.

Aliados de Cunha afirmam nos corredores do Congresso que o esforço para manter a sessão na quinta pode estar relacionado à votação final do impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff pelo Senado. Parlamentares ventilam que Maranhão quer se manter no cargo para que petistas negociem com partidos interessados em comandar a Câmara os votos de senadores. O pepista esteve reunido com o ex-presidente Lula na sexta-feira passada.

Substituto – Também na noite de quinta-feira ficou decidido quem será o novo secretário-geral da Mesa, um posto-chave na Câmara dos Deputados. Em um acordo com os principais caciques do DEM, que tenta se colocar como uma via alternativa a Cunha na briga pela presidência, nomeou-se o assessor da liderança do partido Wagner Soares Padilha. Lourimar Rabelo, que foi assessor da liderança do governo Dilma Rousseff, será o adjunto.

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