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Clube do bilhão pagou R$ 8 milhões a José Dirceu

Envolvidas no petrolão, OAS, UTC, Engevix, Galvão Engenharia e Camargo Corrêa estão na lista dos 50 clientes do ex-ministro mensaleiro

Por Laryssa Borges e Daniel Haidar - 17 mar 2015, 20h39

Cinco gigantes da construção civil desembolsaram, no período de 2006 a 2013, pelo menos 8 milhões de reais para a JD Consultoria, empresa do ex-ministro mensaleiro José Dirceu. Elas compõem o chamado clube do bilhão, conjunto formado pelas maiores empreiteiras do país para fraudar contratos com a Petrobras e distribuir propina a políticos e partidos. A força-tarefa da Operação Lava Jato investiga se a empresa do petista foi usada para receber recursos do propinoduto montado na petroleira.

Os dados foram reunidos pela Receita Federal após a Justiça ter autorizado a quebra dos sigilos bancário e fiscal do petista. Os valores são ainda maiores se somadas outras empreiteiras também citadas no escândalo do petrolão, como a Egesa, que transferiu sozinha 480.000 reais, e a Serveng, que liberou 432.000 reais para a JD.

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De acordo com documentos da Receita Federal, as empresas de construção foram generosas com os serviços de consultoria do ex-homem-forte do governo Lula: a OAS pagou quase 3 milhões de reais à empresa de Dirceu, com parcelas anuais de 360.000 reais. A UTC transferiu 2,3 milhões de reais. Engevix (1,1 milhão de reais), Galvão Engenharia (750.000 reais) e Camargo Corrêa (900.000) completam a lista de “clientes” da consultoria de José Dirceu.

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Os investigadores suspeitam que os serviços de empresa de Dirceu, a despeito de a companhia ter anexado notas fiscais ao processo, são, na verdade, propina paga pelas construtoras. Foi essa suspeita, aliás, que motivou a juíza Gabriela Hardt a ter autorizado, em janeiro, a suspensão dos sigilos do mensaleiro e de sua empresa. As revelações de propina para os cofres de petistas têm ganhado corpo a cada delação premiada firmada com colaboradores da Justiça.

Depois de o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco ter estimado que o PT recebeu até 200 milhões de dólares em dinheiro sujo do esquema, o vice-presidente comercial da gigante Camargo Corrêa, Eduardo Leite, afirmou às autoridades que se encontrou pessoalmente com o tesoureiro nacional do PT João Vaccari Neto e que o petista cobrou sua fatia do suborno distribuído pela empreiteira em troca de facilidades em obras da Petrobras.

Farmacêutica – Embora as companhias do clube do bilhão apareçam como clientes assíduos dos serviços de Dirceu, a empresa que mais bem remunerou o ex-ministro da Casa Civil foi uma farmacêutica, que teve desempenho milagroso na era Lula e Dilma. A EMS, sediada em Hortolândia (SP) e com capital social declarado à Receita de 221,7 milhões de reais, gastou um total de 7,8 milhões de reais com o ex-ministro. A empresa liderou a venda de genéricos no período em que contratou a JD Consultoria. As investigações da Lava Jato indicam que a EMS teria se associado ao laboratório Labogen, empresa de fachada do doleiro Alberto Youssef, para a produção de 35 milhões de comprimidos de cloridrato de sildenafila (o Viagra), recomendado pelo Ministério da Saúde.

Outra farmacêutica que fez questão de manter o ex-ministro bem remunerado foi a Hypermarcas, do empresário João Alves de Queiroz Filho, o Júnior. Apesar de a Receita ter detectado um contrato de apenas 20.000 reais com a JD, a Monte Cristalina, uma holding que administra os negócios de Júnior, desembolsou 1,590 milhão de reais em benefício do mensaleiro.

Na lista de clientes da “consultoria” de Dirceu, aparece ainda a Jamp Engenheiros Associados, uma empresa do lobista Milton Pascowitch, que foi alvo da nona fase da Lava Jato, batizada de My Way. O lobista pagou 1,457 milhão reais para Dirceu.​

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