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Citado no petrolão, PP deve comandar Integração Nacional

Progressistas consideram que partido foi rebaixado: Cidades, pasta que a sigla perdeu para o PSD de Kassab, tem orçamento três vezes superior

Por Da Redação 25 dez 2014, 12h11

A presidente Dilma Rousseff (PT) acertou nesta quarta-feira com as lideranças do Partido Progressista (PP) que nomeará o atual ministro das Cidades, Gilberto Occhi, para o ministério da Integração Nacional. Occhi é considerado um quadro técnico dentro do partido. O PP é a legenda que tem mais filiados envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras, e também uma das únicas que não havia garantido o seu quinhão na Esplanada.

A troca entre as pastas foi vista pelos progressistas como um “rebaixamento”. Cidades é responsável por um dos principais programas do governo federal, o Minha Casa, Minha Vida, e chegou a administrar um orçamento de 22,8 bilhões em investimentos e custeio no ano passado. Integração Nacional teve um pouco mais de 7 bilhões de reais. Para compensar a defasagem, a presidente também ofereceu ao PP a presidência do Banco do Nordeste. A proposta foi aceita, mas o nome ainda não foi definido. Com o gesto, Dilma pretende privilegiar o diretório do Nordeste em detrimento das alas do Sul e Sudeste, que apoiaram a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB).

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Oficialmente, o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), limitou-se a dizer que o partido está satisfeito com a nova configuração. Na prática, no entanto, os progressistas ficaram sem opção. Dilma vinha tentando nas últimas semanas convencer o PP a aceitar a troca de Cidades por Integração, mas até a manhã de terça os líderes da legenda ainda resistiam à proposta. No mesmo dia, a presidente anunciou que o comando da cobiçada pasta iria para o PSD, com o ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, e os progressistas ficaram sem alternativa: ou aceitavam a Integração ou ficariam com uma pasta de influência ainda menor.

Integrantes do diretório gaúcho do PP, que apoiaram o tucano Aécio Neves na disputa presidencial, defendem uma reavaliação da aliança. “[A troca] é uma demonstração de desapreço ao PP”, afirmou o deputado Jerônimo Goergen (PP-RS). “Ela se vendeu por um processo fisiologista, já está olhando lá na frente, para a fusão do PL com o PSD. Tem filho de Jader Barbalho, a turma toda. E o PP perdeu espaço. O PT acha que o PP pode ser usado do jeito que entende”, completou, referindo-se à articulação que Kassab tem feito para criar um novo partido, o PL, fundindo-o com o PSD e formando, assim, uma grande base de sustentação ao governo federal.

Petrolão – Além do PT e do PMDB, o PP é investigado na Operação Lava Jato por receber propina das empreiteiras em contratos firmados com a Petrobras. Dos 28 políticos citados pelo ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa, que foi indicado ao cargo de chefia pelo PP, dez pertenciam à sigla, entre eles o presidente, Ciro Nogueira, e o ex-ministro das Cidades Mario Negromonte. O doleiro Alberto Youssef chegou a dizer, em depoimentos à Lava Jato, que só “sobram dois no partido”, reforçando a participação dos progressistas no esquema. Antes de anunciar a segunda leva de ministros, a presidente manifestou o interesse de consultar o Ministério Público Federal para saber quem estava envolvido com o petrolão – o Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, recusou fornecer informações.

(Com Estadão Conteúdo)

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