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Bolsonaro age como avalista de ‘memes’

Nos primeiros 100 dias de governo, presidente ganhou 1,2 milhão de seguidores no Twitter e ultrapassou a marca de 11 milhões no Instagram

Por Redação 10 abr 2019, 15h28 • Atualizado em 10 abr 2019, 16h41
  • Em três meses de governo e de polêmicas, o presidente Jair Bolsonaro perdeu popularidade nas pesquisas, mas ganhou seguidores nas redes sociais. O número de adesões a sua conta no Twitter aumentou de 2,7 milhões para 3,9 milhões. No Instagram, ele atingiu a marca de 11,2 milhões de seguidores, um acréscimo de quase 3 milhões. Boa parte desse sucesso está diretamente atrelada à atuação do próprio Bolsonaro.

    O presidente se envolve pessoalmente na conquista de seguidores. Ele participa da criação de grande parte dos memes (mensagens com rápido e maciço compartilhamento) e textos publicados nas suas redes sociais e nas páginas de seus familiares.

    Entre uma audiência e outra no Palácio do Planalto, Bolsonaro discute propostas de memes apresentadas por auxiliares. Em um áudio, o presidente comenta a criação de uma dessas peças com um subordinado. “Tá muito bom. Pode mandar para suas redes que eu já mandei para os meus mais de 100 grupos”, diz o presidente, na gravação.

    Em outro áudio, Bolsonaro critica o tamanho das letras de uma legenda usada em uma fotografia dele. “Olha, essa letrinha aí não tá boa, não. Vai ficar difícil para ler”, observa. O meme vetado não foi publicado nas redes sociais de aliados.

    Depois de passarem pelo crivo do presidente, os memes são disparados para grupos de WhatsApp e replicados nas redes sociais de Bolsonaro e de auxiliares. O presidente só autoriza o filho “02”, Carlos Bolsonaro, vereador pelo PSC do Rio, e outros dois assessores a fazer as postagens. Eles têm trabalhado intensamente nessa tarefa. Nos três meses de governo, o grupo publicou, em média, seis mensagens diárias no Twitter e quase quatro no aplicativo Instagram.

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    O presidente também mantém ativos grupos no WhatsApp criados ainda no tempo de deputado, bem antes de entrar na disputa pela Presidência. Na campanha do ano passado, ele gravou um vídeo sobre o volume de mensagens recebidas.

    Bolsonaro levou o hábito de se comunicar por áudios para dentro do Planalto. Em fevereiro, VEJA revelou, com exclusividade, a troca de mensagens entre o presidente e seu então ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que culminou na queda do aliado.

    Polêmica

    Mensagens e imagens controversas são disparadas também pelo número de WhatsApp oficial do Planalto. No último dia de março, o presidente autorizou a divulgação de um vídeo em defesa do golpe militar de 1964.

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    O mesmo número de WhatsApp é usado pela Secretaria de Comunicação da Presidência para o envio de mensagens de utilidade pública, além de notícias e serviços do governo.

    O Planalto estima que cerca de 17.000 pessoas receberam o conteúdo. No vídeo, o apresentador exalta o papel do Exército na ditadura e afirma que as Forças foram “conclamadas” pelo povo e precisaram agir. “Foi aí que, conclamado por jornais, rádios, TVs e, principalmente, pelo povo na rua, povo de verdade, pais, mães, igreja, que o Brasil lembrou que possuía um Exército nacional e apelou a ele. Foi só aí que a escuridão, graças a Deus, foi passando, e fez-se a luz.”

    O disparo desse vídeo por WhatsApp foi feito de uma sala chamada “fazenda de celulares”. Nesse local, quinze aparelhos são usados para repassar dados a jornalistas e servidores cadastrados.

    (Com Estadão Conteúdo)

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