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Apesar do Exército, número de crimes aumenta na Bahia durante a greve da PM

Em Feira de Santana, foram registrados 23 homicídios durante a madrugada desta quinta-feira

(Atualizada às 12h50)

No segundo dia de greve da Polícia Militar na Bahia, mesmo com a chegada das Forças Armadas, Salvador viveu uma nova noite de saques e homicídios. Números oficiais da Secretaria de Segurança Pública confirmam a morte de 23 pessoas até o início da madrugada desta quinta-feira. Em Feira de Santana, foram registrados 23 homicídios, um latrocínio e quatro autos de resistência (morte em confronto com a polícia) durante a madrugada.

A Secretaria de Segurança Pública ainda não tem dados consolidados sobre o aumento dos casos de violência, mas levantamento preliminar indica que desde a semana passada houve acréscimo de 80% nos relatos de homicídios e saques na capital e região metropolitana. A greve também chegou a afetar a circulação de ônibus em Salvador.

Tropas das Forças Armadas desembarcaram na Bahia, na quarta-feira, para fazer a segurança da capital e de outros municípios do Estado enquanto durar a greve, que começou na noite de terça-feira. Ao menos 150 viaturas e aeronaves da FAB e do Exército atuarão durante a “Operação Bahia II”. O envio dos agentes foi autorizado pela presidente Dilma Rousseff, atendendo a um pedido do governador Jaques Wagner (PT). Até o final da quarta-feira, 5.000 militares devem chegar a Salvador.

A Polícia Militar decretou greve por tempo indeterminado, reivindicando melhorias nos planos de carreira e aumentos salariais. A paralisação começou uma semana depois de o governo estadual apresentar um plano de modernização para a corporação. Por meio de nota, o Governo da Bahia afirmou que as reivindicações das associações de policiais militares grevistas “ultrapassam o limite orçamentário do Estado” e que criará um grupo de trabalho específico para estudar o sistema remuneratório da PM.

Uma reunião que se realiza nesta quinta-feira, na Câmara de Dirigentes Lojistas de Salvador (CDL), porém, pode decidir o fim do movimento. Em entrevista a uma emissora de rádio local, momentos antes do início da reunião, um líderes da greve, o policial bombeiro Marco Prisco, sinalizou a possibilidade.

Sem ônibus – O Sindicato dos Rodoviários da Bahia orientou os motoristas a recolher os ônibus na noite de quarta-feira, por questão de segurança, e retomar as atividades às 5h da manhã desta quinta-feira. Caso a greve persista, a orientação do sindicado é que os rodoviários parem de circular no fim da tarde.

Na última greve da PM no Estado, ocorrida entre janeiro e fevereiro de 2012, houve uma onda de assassinatos e arrastões nas maiores cidades do Estado. Na época, a Força Nacional e militares do Exército também foram requisitados para policiar o Estado.

(Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)

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