A birra de Lula com o STJ
Fantasma da Lava-Jato ainda assombra o presidente, que revelou ressalvas ao tribunal em conversa com ministros do Supremo
Prestes a fechar o terceiro mandato e candidato à reeleição, o presidente Lula desenvolveu o que interlocutores descrevem como “trauma” do Superior Tribunal de Justiça (STJ), segunda corte mais importante do país e envolvida em investigações sobre venda de decisões judiciais e importunação sexual, ambos os casos revelados por VEJA. As ressalvas do petista ao tribunal são anteriores aos escândalos, mas marcaram o político de tal forma que ele voltou a tocar no tema em encontro recente com ministros do Supremo Tribunal Federal ao mencionar a indicação do Advogado-Geral da União Jorge Messias para o STF.
Lula não superou, por exemplo, a dureza dos julgamentos da Quinta Turma, responsável por julgar processos da Operação Lava Jato, e reclamou a interlocutores do Supremo que não tinha sequer um voto favorável no colegiado no pior momento da carreira política. Na época, o conjunto de julgadores era formado por Félix Fischer, relator da Lava Jato e indicado ao tribunal por Fernando Henrique Cardoso, Jorge Mussi, indicado por Lula, e Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Joel Ilan Parcionik, todos indicados pela ex-presidente Dilma Rousseff, votava em uníssono contra os réus do petrolão. (Por vezes Parcionik não participava do julgamento por ter como advogado o mesmo advogado da Petrobras, principal estatal lesada pelo esquema de corrupção).
A suposta desilusão do presidente com o STJ teria sido materializada, segundo fontes que acompanharam o caso, pelo desinteresse em preencher vagas recentemente abertas no tribunal e por sequer considerar algum de seus integrantes como potencial ministro do Supremo. Em tempos não muito distantes, era comum que o petismo analisasse candidatos ao STF entre quadros do Superior Tribunal de Justiça – os ministros do STJ Menezes Direito e Luiz Fux foram indicados por Lula e Dilma, respectivamente. Há pouco menos de um ano foi indicada para o STJ a procuradora Marluce Caldas em um movimento interpretado como costura eleitoral para a formação de palanques em Alagoas para a disputa de 2026.
Atual ministra do STJ, Marluce é tia do prefeito de Maceió João Henrique Caldas, conhecido como JHC. Filiado ao PL, ele tem feito acenos ao presidente Lula. Ele deve renunciar ao mandato e concorrer ao Senado em dobradinha com o senador Renan Calheiros (MDB-AL). Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) também tem planos de disputar uma cadeira no Senado.





