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Vários campeões, sem rebaixamento… O que pode acontecer com o Paulistão?

Federação diz que não é possível prever coisa alguma em meio à pandemia do coronavírus, mas clubes já se movimentam para tentar alterar o regulamento

Por Luiz Felipe Castro - Atualizado em 26 mar 2020, 20h29 - Publicado em 26 mar 2020, 16h48

O Campeonato Paulista, assim como todos os grandes eventos esportivos do mundo, está paralisado há quase duas semanas e com rumo completamente indefinido devido à pandemia de coronavírus. A suspensão da competição a duas rodadas do fim da primeira fase gera um clima de tensão entre os 16 clubes da elite (e os de divisões inferiores).

No momento, a grande preocupação é financeira: sem a realização de jogos, as equipes não têm receita para bancar a folha de pagamentos – até mesmo as cotas de TV da Rede Globo estão suspensas. Além disso, o contrato de muitos atletas se encerra em breve, o que poderia impedi-los de disputar a sequência do Estadual, caso ele venha a ser retomado. O cenário caótico levanta hipóteses até de cancelamento, de mudanças na fórmula e até das famigeradas “viradas de mesa”.

Confira, abaixo, um panorama da situação:

Estaduais devem empurrar o Brasileirão

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O plano inicial da Federação Paulista de Futebol é de retomar o campeonato assim que possível e, portanto, empurrar para frente o início do Brasileirão. A expectativa mais otimista é de que o Estadual se encerre em julho – antes da pandemia, o jogo de volta das finais estava marcado para 26 de abril – e que o nacional acabe no fim de dezembro. Tudo depende, porém, das definições em relação às Eliminatórias e à Libertadores, que obviamente serão prioridades da CBF. A FPF deixou claro aos clubes que não é possível fazer qualquer previsão neste momento. “Mantemos contato com a CBF, para saber as possibilidades de adaptação do calendário do futebol para este ano. Até o momento, entretanto, não há nada definido”, escreveu o presidente Reinaldo Carneiro Bastos aos clubes no início desta semana. Procurada pela reportagem, a federação não quis se pronunciar.

Há quem defenda Santo André campeão e até virada de mesa

Não há consenso em relação a possíveis modificações na fórmula de disputa. Dirigentes ouvidos por PLACAR revelaram que há um movimento de alguns clubes para que o torneio seja cancelado, sem campeões nem rebaixados – a duas rodadas do fim da primeira fase, Ponte Preta e Botafogo-SP ocupam a zona de rebaixamento, com Água Santa, Ituano, Oeste, Ferroviária, Inter de Limeira e até o atual tricampeão Corinthians ainda ameaçados. Há ainda quem defenda que o torneio tenha quatro campeões, que seriam os líderes de cada chave (Santos, Santo André, São Paulo e Bragantino). O Santo André, clube de melhor campanha no geral, naturalmente defende que ele seja declarado o único campeão.

A situação não seria inédita. Em 1932, o Palmeiras – então chamado de Palestra Itália – foi declarado campeão sem disputar o segundo turno, devido aos conflitos causados pela Revolução Constitucionalista, o levante armado contra o presidente Getúlio Vargas. Há ainda outro problema: clubes da segunda divisão não admitem que não haja acesso, o que pode acabar inflando o Estadual do ano que vem. São Bernardo, Taubaté, Portuguesa Santista, Monte Azul, XV de Piracicaba, São Caetano, Juventus e Portuguesa, nesta ordem, ocupam o grupo de oito clubes que se classificariam à fase de mata-mata. Um fator, porém, pesa contra o cancelamento do campeonato: em dificuldades financeiras, os clubes não devem abrir mão das cotas de TV que restam. 

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Impasse sobre salários

Assim como vem ocorrendo na maioria dos países, discute-se no Brasil a possibilidade de reduzir o salário dos atletas, além de outras medidas, como a antecipação de férias e mudanças no calendário. A Federação Nacional dos Atletas de Futebol Profissional (Fenapaf), que representa jogadores de diversas divisões, rejeitou a proposta de redução salarial em carta enviada nesta quarta-feira, 25, à Comissão Nacional de Clubes (CNC), que é quem está à frente das negociações.

A CNC, que tem os presidentes do Fluminense, Mário Bittencourt, e do Palmeiras, Mauricio Galiotte, como principais lideranças, propôs as seguintes condições: férias coletivas de 20 dias a partir de abril, mais dez dias de folga no fim do ano e redução de 25% nos salários dos jogadores. Com isso, o calendário do futebol nacional iria até o fim de dezembro. A Fenapaf, no entanto, fez uma contraproposta: concordou com a antecipação de férias remuneradas, de 30 dias, durante todo o mês de abril; pediu que a licença de dez dias ocorra entre o Natal e o Ano Novo; exigiu o pagamento de vencimentos do mês de março; e, por fim e mais importante, pediu que a Confederação Brasileira de Futebol seja “interveniente/anuente em caso de acordo coletivo”, sendo responsável por qualquer pagamento que os clubes não sejam capazes de realizar.

O Sindicato dos Atletas de Futebol do Município de São Paulo (SIAFMSP), grupo formado há dois anos e que tem como membros diversos participantes do extinto Bom Senso FC, como Washington Mascarenhas, Paulo André, Alex, Fernando Prass, Ricardo Berna e William Machado, acompanha a situação e defende que todos os salários devem ser pagos. Os dirigentes dos clubes, por sua vez, admitem o caos financeiro e dizem que irão acatar a decisão do CNC.

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