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Seleção feminina dos EUA é recebida com festa… em NY, não em Washington

Briga de Megan Rapinoe, a craque do time, e o presidente Donald Trump evitou a tradicional visita de times americanos campeões à Casa Branca

“Paradas são legais, igualdade salarial é mais.” A frase anterior foi vista em um dos carros abertos que carregavam a seleção feminina de futebol dos Estados Unidos no retorno da equipe tetracampeã do mundo ao país nesta quarta-feira. As campeãs não perderam a oportunidade de usar a carreata pelas ruas de Nova York para reforçar seu protesto pela paridade de remuneração entre os jogadores do sexo masculino e feminino. A festa, que parou a ilha de Manhattan, teve como protagonista a capitã do time, a meia Megan Rapinoe. A equipe não fez a tradicional visita dos campeões americanos à Casa Branca, na capital Washington, em consequência da briga entre a atleta e o presidente Donald Trump ainda durante a competição.

Durante a celebração pela vitória sobre a Holanda por 2 a 0 na final da Copa, a torcida presente no estádio de Lyon, na França, ecoou o grito de igualdade salarial. Megan Rapinoe disse, em seu discurso em frente à prefeitura de Nova York, que o canto da multidão representou um momento transcendente. Ela afirmou que além do pagamento, a questão é investir igualmente nos esportes masculinos e femininos. “Até que tenhamos investimento, cuidado, pensamento e inteligência iguais em ambos os lados, não sabemos qual é o nosso potencial. Agora eu diria que estamos criando esse negócio sem sermos compensados substancialmente.”

Na onda das reclamações, alguns governantes resolveram se mexer. O senador americano Joe Manchin, um democrata do Estado da Virgínia Ocidental, apresentou o projeto de lei aos legisladores americanos dois dias após a conquista. A proposta é negar o financiamento do governo dos Estados Unidos para a Copa do Mundo de 2026, que será sediada nos EUA, Canadá e México, até que a federação de futebol do país ofereça a mesma remuneração para as equipes femininas e masculinas. “Não se pode designar nem colocar à disposição fundos federais para apoiar a Copa de 2026, incluindo o apoio para uma cidade anfitriã, uma agência estatal ou local participante (…) até que a federação de futebol dos Estados Unidos aceite proporcionar pagamento igual para as equipes nacionais feminina e masculina”, prevê o projeto.

O Senado e a Câmara de Representantes teriam que votar a favor da medida e o presidente Donald Trump, que já trocou farpas pelas redes sociais com a estrela da seleção feminina Megan Rapinoe, teria que aprovar o projeto de lei para que este entre em vigor. “Isso é errado”, criticou Manchin. “A clara e inequívoca desigualdade salarial entre as equipes de futebol masculina e feminina dos Estados Unidos é inaceitável”.

Em uma coletiva de imprensa realizada antes do desfile comemorativo, o governador de Nova York, Andrew Cuomo, defendeu a igualdade de remuneração, assinando a nova lei ‘Equal Pay for Equal Work’ (pagamentos iguais para trabalhos iguais). “Não há nenhuma razão para que as mulheres não recebam o que pagam os homens”, disse Cuomo. O político também afirmou que a cidade não fará negócios com nenhuma entidade que não respeitar a determinação. “Dizemos para a liga de futebol dos EUA e dizemos à Fifa: se você não pagar às mulheres o que paga aos homens, não terá negócios no estado de Nova York”.

A seleção campeã apresentou uma denúncia contra a confederação de futebol do país, a US Soccer, em março, exigindo remuneração e apoio iguais aos dados à equipe masculina, que historicamente acumula resultados esportivos inferiores. Enquanto a seleção feminina ganhava fãs, a masculina foi derrotada pelo México em casa na final da Copa Ouro, somando outra decepção, após não conseguir se classificar para a Copa do Mundo da Rússia do ano passado.

Briga com Donald Trump

Megan Rapinoe foi perguntada durante a disputa da Copa do Mundo se iria à Casa Branca caso a equipe conquistasse o título. A jogadora usou um palavrão para dizer que não visitaria Donald Trump, em um evento que é comum para todos os times americanos que conseguem títulos relevantes no esporte mundial. O presidente dos Estados Unidos então reagiu em sua conta no Twitter para dizer que o time teria que ser campeão primeiro, mas afirmou que estava convidando as atletas em caso de vitória ou não. Com a taça garantida, o convite oficial de Washington nunca chegou à US Soccer e Nova York foi rápida para organizar a celebração.

Em uma entrevista na CNN na noite de terça-feira, Rapinoe disse que ela e seus companheiros de equipe queriam aproveitar a celebração do título para conversar com líderes no Congresso, e em outros lugares, sobre a questão da igualdade de pagamento entre homens e mulheres. Ela disse que não estava interessada, no entanto, em ir à Casa Branca, porque não queria que o presidente pegasse carona no sucesso delas. Durante a festa em Nova York, a melhor jogadora da Copa do Mundo criticou mais uma vez Donald Trump. “Sua mensagem exclui as pessoas. Exclui a mim, exclui pessoas como eu e exclui americanos que talvez te apoiem”.

(com AFP)