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Ronaldinho completa 2 meses de prisão no Paraguai sem perspectiva de saída

Segundo Sérgio Queiroz, advogado do ex-jogador e de seu irmão, Roberto de Assis Moreira, a prisão é 'injusta, ilegal e arbitrária'

Por Danilo Monteiro - Atualizado em 6 Maio 2020, 09h34 - Publicado em 6 Maio 2020, 09h15

Ronaldinho Gaúcho e seu irmão Roberto Assis completaram dois meses de prisão nesta quarta-feira 6 pelo uso de passaportes falsos para entrar no Paraguai no início de março. Os dois passaram 32 dias na carceragem da Agrupação Especializada da Polícia Nacional, em Assunção, mas depositaram em juízo fiança de 1,6 milhão de dólares (cerca de 8,8 milhões de reais na cotação atual) para serem transferidos para prisão domiciliar, cumprida em um hotel da capital do país vizinho.

Uma eventual soltura de Ronaldinho e Assis sequer tem previsão de acontecer, apesar dos recursos solicitados pela defesa, pois a Justiça paraguaia não tem prazo legal para responder tais solicitações. “A prisão é injusta, ilegal e arbitrária. O único ilícito foi a utilização de passaporte com conteúdo adulterado. E sem má-fé. Não se sabia que o conteúdo havia sido adulterado. A prova parcial foi clara no sentido de que não se tinha ciência de que os passaportes tinham sido adulterados”, argumentou a VEJA Sérgio Queiroz, advogado dos irmãos Assis Moreira.

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O Ministério Público do Paraguai se esforça para comprovar a ligação entre os dois brasileiros e a empresária Dalia López, responsável pelo convite aos irmãos para participar de eventos no país, e quem teria solicitado a confecção dos documentos falsificados. A paraguaia havia feito um acordo para se entregar às autoridades, mas não o cumpriu e segue foragida. Há quem diga que a manutenção da prisão de Ronaldinho e Assis é uma estratégia da acusação para forçar Dalia a se entregar. VEJA procurou os promotores do caso no Paraguai, mas não obteve retorno.

Desde o último dia 6 de março, quando foi preso, Ronaldinho concedeu apenas uma entrevista, ao jornal local ABC Color, e reiterou que não tinha ideia da adulteração em seus documentos. Segundo ele, a ida ao Paraguai foi para o lançamento de um cassino online e de um livro. “Foi um duro golpe. Nunca imaginei que passaria por uma situação dessas. Ficamos surpresos ao saber que os documentos não eram originais. Desde então, nossa intenção tem sido colaborar com a Justiça para esclarecer o fato, como temos feito desde o início. Desde esse momento até hoje, explicamos tudo e facilitamos tudo o que a Justiça solicitou de nós”, contou o ídolo do Barcelona e Atlético-MG.

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No período em que passou no presídio, o ex-jogador dividiu cela de apenas 15 metros quadrados (sem banheiro privativo) com seu irmão e empresário, confraternizando com os demais detentos em partidas de futebol e futevôlei. A passagem na Agrupação Especializada da Polícia Nacional foi em clima amistoso com os funcionários e demais detentos. “Todas as pessoas me receberam com bondade. Jogar futebol, dar autógrafos, estar em fotos, tudo isso faz parte da minha vida, não tenho motivos para parar de fazê-lo, muito mais com pessoas que estão passando por um momento difícil como eu estava”, disse Ronaldinho.

Blas Vera, diretor do presídio Agrupação Especializada, detalhou em entrevista exclusiva a VEJA a rotina de Ronaldinho, que tinha televisão, ventilador, geladeira e cafeteria em sua cela – regalias disponibilizada por seus advogados, mas também permitidas para demais presos. De acordo com Vera, a cena mais inusitada era a do ex-jogador na fila para utilizar o banheiro comunitário. O diretor deu dicas para Ronaldinho se adaptar à rotina da cadeia e incentivou a prática de atividades coletivas, como o futebol.

Sempre recomendei a ele fazer caminhadas ou a praticar algum esporte. Aos poucos, ele foi ficando mais animado com a ideia. A primeira vez que jogou futsal com outros detentos, tudo começou com uma caminhada. Depois disso, não parou mais. Praticava esporte quase todos os dias. Primeiro o futsal, depois passou a jogar futevôlei também”, explicou Vera, que tirou uma foto com Ronaldinho no dia do pagamento da fiança. “Nessa hora, os dois me agradeceram por tudo, disseram que foram muito bem tratados. Eles saíram daqui sem reclamação de qualquer pessoa do Grupamento. ‘Todos são gente boa’, foi o que disseram”, completou.

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