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Neymar procurou a Puma para seguir legado de Pelé, revela diretor da marca

Em primeira entrevista para um veículo brasileiro, Adam Petrick falou sobre o acordo com o atacante, a parceria com o Palmeiras e futebol feminino

Por Alexandre Senechal Atualizado em 8 fev 2021, 19h03 - Publicado em 5 fev 2021, 16h57

Neymar completa 29 anos nesta sexta-feira, 5. No aniversário do craque, PLACAR traz uma história saborosa sobre o acordo feito com a Puma em setembro do ano passado. O atacante e a Nike desfizeram o contrato milionário e ele procurou a empresa alemã para seguir o legado do Pelé e usar a chuteira King – modelo da marca utilizado pelo Rei, por Maradona, por Cruyff e outros ídolos do futebol mundial. Quem contou o fato em entrevista exclusiva foi Adam Petrick, diretor global de marca e marketing da Puma. Foi a primeira vez que o executivo americano conversou com um veículo brasileiro.

“Quando ele veio até a Puma e disse que queria usar a chuteira King, foi um pouco surpreendente, porque não é o tipo de chuteira com a qual ele estava acostumado, mas ele vestiu e gostou. Acredito que é um grande tributo à história da companhia, da chuteira, ao modelo ”, revelou Adam Petrick. Neymar publicou um vídeo em seu perfil no Instagram para celebrar os craques que vestiram a chuteira King da Puma.

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“A ideia veio dele. A carta que ele escreveu mostrando suas intenções de usar especificamente a chuteira Puma King. Foi o que ele disse para a gente no início do processo, então penso que é uma história muito legal”, completou Petrick. Neymar utilizou a King nos primeiros jogos, mas atualmente escolheu mudar para outro modelo da Puma, o Future Z 1.1.

A escolha por patrocinar o brasileiro, além de uma grande oportunidade de mercado, foi uma forma da Puma fazer uma parceria não só com um dos maiores jogadores da atualidade, mas também representar um ícone pop. “Neymar é parte de uma cultura do futebol, não é só um jogador. Sim, temos interesse pela sua habilidade, seu talento, mas ele é uma celebridade e as pessoas gostam de falar sobre ele. Como uma pessoa que incorpora a cultura do futebol de muitas maneiras, nós vemos uma grande oportunidade para criar muitas maneiras de envolvê-lo com a marca amplamente”.

O diretor global da Puma também falou sobre a parceria com o Palmeiras, o maior patrocínio esportivo da empresa no Brasil. “Não faz muito tempo que estamos juntos, mas estamos muito empolgados com o futuro com eles. Em qualquer grande mercado que temos ambições, temos um grande clube como a cara dessa parceria. Para nós, essa é a relação com o Palmeiras no Brasil. Nós vemos como chave para o crescimento no futuro”.

Questões de raça e gênero são importantes para a Puma no Brasil e no mundo. A marca tem patrocínios com o futebol feminino e criou uma plataforma de justiça social chamada #Reform, inspirada em Tommie Smith, icônico corredor campeão da prova dos 200 metros nos Jogos Olímpicos de 1968, que ergueu o punho cerrado no pódio em forma de protesto contra o racismo. Confira a entrevista na íntegra:

Por que a Puma decidiu fechar uma parceria com Neymar? Sempre que você pode se associar com um atleta como ele, sabemos que naturalmente vamos fazer nossos processos melhores, nossos produtos melhores, nossa presença como marca mais impactante. Então é claro que queríamos nos associar com um atleta como Neymar. Ele tem muitos dos valores que a Puma tem. Um jeito de amar a vida, estilo de moda, gosta de se vestir bem, suas performances dentro de campo são importantes para ele. O fato de que Neymar é um rapaz fácil de lidar, é muito profissional, o que é fantástico para nós. Os valores que ele presa são os mesmos da marca e sempre que pudermos ter uma parceria que envolve compartilhar valores nós sabemos que será um sucesso e nós sabemos que essa parceria será um sucesso por muitos anos.

Como foi a negociação com Neymar? Foi muito rápida. Ele nos procurou e disse que estava interessado na parceria. O primeiro pensamento que tivemos em trabalhar com Neymar foi como o usaríamos e o que faríamos com ele. Sob a perspectiva da marca, pensamos em usar sua voz, sua imagem além do futebol. As negociações envolveram a discussão em como envolve-lo para representar a marca amplamente. É importante para ele e para a gente. Não é só por causa do futebol, mas pela cultura que envolve o futebol. E a cultura dos nossos consumidores.

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Neymar escolheu seguir o legado de Pelé com a Puma Instagram/Reprodução

Neymar é um personagem controverso no Brasil, por causa de vários fatores. Como a empresa pretende trabalhar com essa imagem que as pessoas têm dele? Sempre que uma pessoa é famosa como Neymar é, todos têm uma opinião, todos querem falar sobre ele. Nós estamos vendo um parceiro extremamente fácil de lidar, alguém que tem uma grande atitude, é gentil e fácil de trabalhar. Nós estamos muito satisfeitos sobre como a parceria começou. Todas as coisas que estamos fazendo para os consumidores no futuro, o Neymar reflete os nossos valores, seu jeito de viver combina com a Puma. Ele aproveita a vida, se diverte com ele mesmo e pensamos que isso é uma coisa positiva. Apesar da negatividade que vem de algumas pessoas por vezes.

A ideia de parceria de Neymar com a Puma é como a que a marca tem com Rihanna e Jay-Z, por exemplo? Sim. Ele é um embaixador da marca e nos representa de diversas formas. Nós vemos o que podemos fazer juntos nos próximos meses e anos. Estou otimista que ele vai aproveitar muito o tempo com a gente e será uma grande parceria por um longo tempo.

Neymar era o nome que faltava para a Puma para competir de uma vez por todas com Nike e Adidas no futebol? Não olhamos para essa assinatura de contrato com o Neymar como um objetivo só para 2020. Claro, como eu disse, sempre que uma oportunidade de fechar com um atleta como Neymar aparece, você tem que agarrar. Mas hoje que vimos o impacto e entendemos o que podemos fazer como marca, acredito que ele era uma peça que faltava. Era a única peça que faltava? Não. Sempre temos espaço para crescer como marca em todos os aspectos, em vários esportes. Queremos fazer produtos melhores, evoluir em tecnologia. Penso que nossos resultados no futebol têm melhorado nos últimos anos e estamos caminhando na direção certa. Neymar com certeza vai nos ajudar de maneira geral como marca.

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Foi uma decisão da Puma utilizar a chuteira preta que outrora foi de Pelé para iniciar a parceria? Foi uma discussão. Na realidade, Neymar compartilhou conosco um vídeo pessoal que ele e seu staff criaram que mostrava o legado da chuteira Puma King. Mostraram Pelé, Maradona, Eusébio e outras lendas que usaram a King. Ele disse que era isso que ele queria fazer com a Puma, porque somos uma empresa lendária no futebol, com uma história de muitas décadas. Quando ele veio até a Puma e disse que queria usar a chuteira King, foi um pouco surpreendente, porque não é o tipo de chuteira com a qual ele estava acostumado, mas ele vestiu e gostou. Acredito que é um grande tributo à história da companhia, da chuteira, ao modelo. Vamos ver como será essa parceria em 2021.

Então foi ideia dele? Vou ter que responder que sim. Discutimos todos juntos, mas a ideia veio dele. A carta que ele escreveu mostrando suas intenções de usar especificamente a chuteira Puma King. Foi o que ele disse para a gente no início do processo, então penso que é uma história muito legal.

Não é uma responsabilidade muito grande para ele? É. E penso que ele leva isso muito a sério. Não quero colocar palavras na boca de Neymar, mas penso que ele quis muito isso. Disse que era uma honra usar a chuteira do Pelé e sabe que não estaria aqui hoje sem a influência dos gigantes do esporte que vieram antes. Usar essa chuteira é uma forma de provar que ele merece. Continuar o legado do Pelé. Ele é consciente disso e do que significa ser um superstar brasileiro usando a chuteira King. Ele nunca vai fazer uma comparação entre ele e o Pelé. Pelé é um herói, está acima do jogo de futebol e Neymar está orgulhoso de poder utilizar a mesma chuteira.

Neymar e sua chuteira preta inspirada em Pelé
Neymar e sua chuteira preta inspirada em Pelé Oli Scarff/AFP

Puma prevê aumentar sua participação com o futebol, como vem fazendo com o basquete nos últimos anos? O futebol é o coração da Puma. Costumamos dizer que não há Puma sem futebol e nós acreditamos que não há futebol sem a Puma, por causa do legado que existe no esporte. Ainda somos a terceira maior marca no futebol e é importante que continuemos com esse foco. Estamos sempre trabalhando para evoluir no futebol e, como eu disse, nas últimas temporadas nós vimos o crescimento. Temos sempre a intenção de trabalhar com os melhores clubes, os melhores jogadores, e a razão para isso é para termos o feedback sobre os nossos produtos. A razão de trabalhar com jogadores como Neymar é para evoluir o nosso produto e melhorar nossos processos. Basquete é um pouco diferente, porque ficamos afastados da categoria por quase 20 anos, por muitos e muitos anos só trabalhamos nos EUA. Agora é um esporte global.  Penso que em muitas formas é semelhante ao futebol, principalmente pela cultura que envolve o esporte. O basquete nos dá maior possibilidade de crescimento, porque começamos com uma base muito pequena. Vamos ver como vamos nos sair na modalidade, mas estamos comprometidos com as duas.

Qual é o tamanho do Brasil como mercado para a Puma? É muito importante. Há uma força cultural não só na América Latina, mas em todo mundo, e se você tiver atletas como Neymar ou outros que tem uma relevância global, então é claro que o Brasil ganha uma importância muito grande. Nos termos dos nossos negócios no país, o Brasil é um mercado em crescimento. Nós crescemos cerca de 13% e o Brasil reflete esse crescimento, com algo em torno de 15% de crescimento no período. Estamos investindo em market place, acreditamos no potencial do consumidor brasileiro, na cultura de consumo com os esportes, e é um mercado que temos que ter atenção no futuro.

Qual a importância de ter um time do tamanho do Palmeiras no cartel de clientes? É uma parceria muito forte. Não faz muito tempo que estamos juntos, mas estamos muito empolgados com o futuro com eles. Em qualquer grande mercado que temos ambições, temos um grande clube como a cara dessa parceria. Para nós, essa é a relação com o Palmeiras no Brasil. Nós vemos como chave para o crescimento no futuro. É importante que a gente mantenha para seguir em frente. O clube também é um grande parceiro que nos permite investir em coisas únicas que afetem a cultura esportiva no país, como por exemplo o patrocínio de material esportivo com o time feminino do Palmeiras. A oportunidade de trabalhar com um grande grupo de atletas de elite. E o gênero é irrelevante neste caso, mas trabalhar com as atletas do futebol feminino é uma oportunidade maravilhosa, que só foi possível pela relação que temos com o clube. Trabalhar com parceiro como o Palmeiras é uma inspiração para nós e no Brasil eles têm sido um parceiro fantástico.

  • É uma vontade da Puma ampliar as parcerias com o futebol feminino? Sim. A Puma é uma marca esportiva para atletas. O gênero não é importante para nós. Queremos garantir que todos que queiram jogar, possam jogar. É o nosso propósito como marca. Promover os melhores produtos para as mulheres poderem atuar é uma ambição da Puma. Nós temos uma posição forte com as mulheres: trabalhar com atletas femininas de elite é nossa intenção. Em 2021, vamos além e faremos mais e mais investimentos em produtos para o consumo feminino, criar as melhores histórias para eles e o futebol está neste plano. É uma aspiração fazer a marca mais forte para o esporte feminino.

    A Puma tem intenção em fazer mais parcerias com times e jogadores brasileiros? Essa é uma informação confidencial (risos). Nós sempre estamos buscando por parcerias com atletas de elite. Vamos considerar cada oportunidade que aparecer e ficaríamos muito felizes se alguma delas aparecer. Nunca podemos dizer nunca.

    O que é o projeto #Reform da Puma? Reform é uma plataforma para comunicação onde Puma fala de questões importantes para nossos consumidores em certos mercados. Reform começou com a nossa relação com o Tommie Smith. No aniversário de 50 anos da prova, nós decidimos criar a plataforma e trazê-lo como o embaixador do projeto para apresentar os ideais da marca: o esporte é para quem quer participar poder participar. A ideia foi criar uma plataforma para poder expressar tudo isso. Nós desenvolvemos essa plataforma especificamente em reconhecimento por tudo o que Tommie Smith representou e pela nossa parceria de 50 anos com ele. Ele é a pessoa que inspirou tudo isso. O desafio é mostrar que a discriminação é diferente em todo o mundo. Você não tem um só problema. Tem que pensar muito amplamente para atingir a fundo essa questão e garantir que quem quiser jogar pode jogar. Temos o racismo no futebol, questões LGBT em vários esportes. São tópicos importantes para nossos consumidores e têm que ser importantes para nós.

    Quais as expectativas da Puma para a próxima Olimpíada? Toda a vez que temos Jogos é uma festa dos esportes. Uma oportunidade do mundo compartilhar essa festa. Para uma empresa como a nossa é uma oportunidade para os atletas brilharem. Estamos trabalhando duro para garantir que teremos o melhor produto possível para ajudar os nossos atletas que irão competir. Para que eles atinjam resultados grandiosos. Temos os melhores produtos do mercado e estamos orgulhosos disso.

    Qual o impacto da ausência de Usain Bolt, o principal atleta da Puma nos últimos Jogos? É uma pergunta interessante. É a primeira Olimpíada depois da Era Bolt. É engraçado porque no passado nós fazíamos nossa comunicação em volta da figura dele no período dos Jogos. Será legal para nós trazer a presença de Bolt para as Olimpíadas agora em outra realidade, pela perspectiva dele dos Jogos. Será um embaixador nosso e será interessante de ver.

    Quais os atletas que podem ocupar o lugar de Bolt como atletas de referência da Puma durante os Jogos? Não sei. É difícil de dizer. Temos atletas fantásticos do atletismo. Penso que se tiver que escolher uma pessoa, tem um jovem chamado Armand “Mondo” Duplantis, que é um saltador com vara fantástico. Talvez não seja o esporte mais popular, mas ele é um atleta excepcional. Estamos muito ansiosos para ver o que ele pode conquistar nos próximos Jogos.

    Muitos clubes no Brasil estão produzindo seus próprios uniformes. Você pensa que é uma questão que as grandes marcas esportivas devem se preocupar? Depende. Não vejo isso como um risco para o negócio. Se o clube vê isso como um benefício e é melhor para eles produzir o seu próprio uniforme, então penso que é o que ele tem que fazer. Cada clube tem que decidir o que é melhor para ele e para seus torcedores. Isso é o que é importante para a cultura daquele clube. Puma sempre será uma marca global, com muita oportunidade para a tecnologia e trazer os produtos de melhor qualidade para o mercado. Estamos aqui para ajudar os clubes nos seus objetivos da melhor maneira possível. Alguns clubes têm um alcance global e nossa distribuição pode ajudá-los a alcançar esse mercado. Não penso que temos um problema com clubes produzindo seus uniformes.

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