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Lugar de Neymar na prateleira dos gênios depende muito desta Copa

Por enquanto, craque se destacou na Rússia apenas por penteados e caretas de dor; contra a Costa Rica, tem a chance de mostrar que finalmente amadureceu

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 22 jun 2018, 08h59 - Publicado em 21 jun 2018, 21h33

SÃO PETERSBURGO – Neymar é um autêntico craque, talvez um gênio da bola, e o sonho do hexacampeonato na Rússia passa por seus pés (e sua cabeça). Dizer que a seleção brasileira jogaria melhor sem ele é como dizer que a Argentina seria melhor sem Messi e Portugal sem Cristiano Ronaldo – ainda que o brasileiro esteja longe da prateleira dos melhores desta década. Neymar é o diferencial do Brasil e demonstra isso até em seus defeitos: mesmo com evidentes limitações físicas, partiu para cima dos suíços na estreia da Copa do Mundo a todo momento, inclusive prendendo demais a bola. Chutou de longe, cabeceou, deixou Coutinho em condições de marcar… Neymar leva perigo até quando joga mal. Mas contra a Costa Rica, nesta sexta-feira, a partir das 9h (de Brasília), precisa jogar bem. 

Tabela completa de jogos da Copa do Mundo de 2018

Aos 26 anos, Neymar ainda não alcançou a maturidade profissional. Para cada bola dentro, invariavelmente tem uma ou duas recaídas, como nos dois últimos jogos. No amistoso contra a Áustria, ele se irritou com uma pancada e começou a provocar os adversários com firulas, algo nada recomendável para alguém que retorna de lesão, ainda mais em um jogo irrelevante às vésperas da Copa. Depois, deixou um zagueiro sentado e marcou um golaço. Contra a Suíça, novamente chamou faltas, muitas delas longe da meta adversária, e foi vítima de dez infrações, um recorde nas últimas quatro Copas. Desta vez não marcou e acabou chamando para si uma responsabilidade que deveria ser de todos – a verdade é que ninguém no time do Brasil conseguiu ter uma atuação acima de nota 6. 

  • Como não houve um golaço para ganhar as manchetes, o mundo então passou a discutir os penteados do craque. Virou meme e foi o nome mais citado no Twitter, graças à cabeleira loira. Até o ex-craque francês Eric Cantona pegou carona no visual “miojo”. É inevitável, aconteceria em qualquer lugar do mundo que tivesse uma estrela de sua envergadura. Talvez nós, jornalistas e consumidores de informação, também estejamos errados em jogar luz nisso. Mas será que Neymar não poderia evitar essa situação no momento mais importante e incerto de sua carreira?

    Neymar está em sua segunda Copa (poderia ser a terceira, não é mesmo, senhor Dunga?) e segue acumulando marcas históricas na seleção. No entanto, seu lugar na prateleira dos gênios do esporte depende muito desta Copa – deverá ter ao menos outra chance no Catar em 2022, mas a probabilidade de brilhar aos 26 é maior que aos 30. Nos clubes, Neymar também marcou época, mas jamais conseguiu ser um ídolo absoluto devido à sua conduta muitas vezes contestável. Assim como Ronaldo, que se tornou uma lenda mais pelo que fez vestindo a camisa amarela do que por sua trajetória em clubes. 

    Com ou sem dor, Neymar quer jogar 

    Tite repetiu diversas vezes que espera ter a melhor versão de Neymar a partir das oitavas de final. Ainda assim, deixou o craque em campo os 90 minutos contra a Suíça, apesar de todas as suas caretas de dor. O camisa 10 também foi quem menos tocou na bola nos treinos da semana e chegou a deixar uma atividade mancando, segundo a CBF, com problema no tornozelo causado pela truculência suíça. Tudo por precaução, insistiu a comissão. Nesta quinta, Tite garantiu que Neymar jogará, mas não “no sacrifício.”

    “Foi seu primeiro jogo completo em três meses e meio, ele precisa de uns cinco jogos para estar em plenitude e já acelerou muito esse processo. Não é sacrifício, é um processo evolutivo, apressamos etapas, mas está dentro de um cronograma. Estamos numa Copa, mas o técnico não vai pagar preço de saúde ou desonestidade”, disse Tite. 

    Tite negou que tenha repreendido o camisa 10 por abusar de jogadas individuais. “Absolutamente não, não houve essa conversa. Não vou tirar do Neymar a iniciativa do transgressor, da genialidade. (…) No último terço do campo, quero que vá para cima, finte, drible, não vou retirar a essência do futebol brasileiro.” Agora a bola está com o craque, que costuma pecar por muitas coisas, mas jamais por covardia. Se tudo der certo, Neymar terá mais seis jogos para calar bocas. E brilhar independentemente de seu corte de cabelo.

     

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