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Final entre PSG e Bayern já tem um vencedor certo: o Catar

Finalistas da Champions mantêm ligações com o governo catari, especialmente a equipe francesa, que busca coroar um projeto bilionário de uma década

Por Luiz Felipe Castro Atualizado em 23 ago 2020, 10h56 - Publicado em 21 ago 2020, 15h38

Bayern de Munique e Paris Saint-Germain se enfrentam no próximo domingo, 23, em Lisboa, valendo o título da Liga dos Campeões da Europa. Com 100% de aproveitamento e uma série de goleadas na campanha, incluindo um histórico 8 a 2 sobre o Barcelona, a equipe bávara é favorita a conquistar seu sexto troféu, enquanto a equipe de Neymar busca a glória máxima pela primeira vez. Seria a coroação de um projeto bilionário de quase uma década, justo no ano em que o PSG completa meio século de vida. Qualquer que seja o resultado na capital portuguesa, uma coisa é certa: haverá festa em Doha, no Catar.

A maior parte da torcida na pequena nação de 11,581 km2 e 2,8 milhão de habitantes no Golfo Pérsico certamente será para o PSG. Em 2011, o clube francês foi adquirido pela Qatar Sports Investment (QSI), subsidiária da Autoridade de Investimento do Catar, o fundo de riqueza soberano do emirado. Em resumo: o PSG é gerido pelo governo do Catar e é um de seus principais agentes de soft power. Cada façanha do time importa na busca por melhorar a imagem do país que sediará a próxima Copa do Mundo, em 2022.

“Desde 2011, o nosso sonho tem sido a Champions League, estamos perto. Merecemos este troféu”, afirmou Nasser Ghanim Al-Khelaifi, o presidente do clube, à emissora RMC Sport após a vitória sobre o RB Leipzig (outro ‘novo rico’, guardadas as proporções) na semifinal. Al-Khelaifi, de 46 anos, não nasceu rico. Filho de pescadores, iniciou sua aventura no esporte como um tenista medíocre. Representou o Catar em disputas da Copa da Davis e, segundo dados da Federação Internacional de Tênis, ganhou apenas 12 partidas e perdeu 39 em sua carreira profissional, encerrada em 2002.

Em seguida, iniciou sua trajetória de sucesso como homem de negócios. Próximo ao emir do país, Tamim ben Hamad Al Thani, Al-Khelaifi tornou-se político e depois empresário. Foi presidente do grupo de mídia beIN, canal esportivo que arrebatou os direitos de transmissão de grandes campeonatos, e um dos patrocinadores atuais do PSG.

Al-Khelaifi foi nomeado presidente do clube francês logo após a compra do clube pelo fundo catari e rapidamente ganhou a simpatia dos torcedores ao promover a volta das torcidas organizadas ao estádio Parque dos Príncipes e ao contratar grandes estrelas, como David Beckham e Zlatan Ibrahimovic. A soberania no futebol francês – foram sete títulos da Ligue 1 nos últimos oito anos – já não bastava. E os 222 milhões de euros pagos ao Barcelona por Neymar, a maior transferência da história do futebol, foram a maior prova disso.

  • O PSG e a Copa de 2022 são, portanto, ferramentas de sportwashing, termo que se refere ao uso do esporte como forma de melhorar a imagem de um país. Com gols, o Catar busca se desvincular das denúncias de exploração de trabalhadores migrantes, tortura, repressão a homossexuais e falta de liberdade de expressão. A atual campanha na Champions, inclusive, foi uma vitória sobre o vizinho Emirados Árabes Unidos, que comanda o Manchester City, clube inglês que ainda busca o sonho de uma final europeia. A relação dos árabes com PSG e City é motivo de recorrentes denúncias de descumprimento às normas do chamado “fair play financeiro.” E transformou clubes medianos de seus países em potencias mundiais.

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    As ligações com o Bayern

    Um dos clubes mais tradicionais e populares do planeta, o Bayern de Munique também tem seus negócios no Catar. Desde 2011, o clube realiza treinamentos de inverno e jogo de pré-temporada no Golfo Pérsico. Em 2017, o clube assinou contrato de patrocínio com o Aeroporto de Doha. No ano seguinte, a parceria foi substituída pela Qatar Airways, companhia aérea estatal que também patrocina o PSG e fez questão de celebrar a presença dos dois na decisão.

    O Bayern também está ligado ao país árabe por meio da Qatar Holding LLC, que detém 14,6% das ações da Volkswagen – enquanto a Audi, que pertence ao Grupo Volks, tem uma participação de 8,33% no clube alemão. As relações motivaram protestos de cerca de 150 torcedores do Bayern que em janeiro deste ano organizaram eventos e acusaram o clube de fazer “vista grossa” em relação às denúncias de abuso dos direitos humanos no país. A final de domingo começa às 16h de Brasília (às 22h de Doha, onde a festa do campeão deve varar a madrugada).

    Treino do Bayern de Munique em Doha, em janeiro de 2020
    Treino do Bayern de Munique em Doha, em janeiro de 2020 Peter Kneffel/Getty Images

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