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Coronavírus: ansiedade e depressão de atletas aumentaram durante pandemia

O número crescente de casos de jogadores de futebol com sintomas compatíveis durante a quarentena fez sindicatos buscarem ferramentas de apoio

Por Alexandre Senechal - Atualizado em 21 abr 2020, 21h01 - Publicado em 21 abr 2020, 18h25

Sem campeonatos para disputar e com uma rotina menos regrada de treinamentos durante a quarentena, jogadores de futebol estão apresentando mais sintomas de ansiedade e depressão. Levantamentos feitos com os atletas durante as últimas semanas indicam que os casos vêm aumentando desde o início do isolamento social em virtude da pandemia do coronavírus.

Uma pesquisa do FIFPro, o sindicato internacional de jogadores de futebol profissionais, feita entre os dias 22 de março e 14 de abril, ouviu 1.602 jogadores profissionais de países que implementaram medidas drásticas para conter a disseminação do coronavírus. O resultado mostrou que 22% das mulheres e 13% dos homens reportaram sintomas compatíveis com o diagnóstico de depressão, enquanto 18% das mulheres e 16% dos homens demonstram ter problemas de ansiedade.

Em relação à última pesquisa feita, a FIFPro acredita que os números são “significativamente maiores”. O estudo conduzido entre dezembro e janeiro mostrou que 11% das mulheres e 6% dos homens alegavam ter sintomas de depressão.

Na Inglaterra, quarto país mais atingido pelo coronavírus na Europa, a Associação Profissional de Jogadores de Futebol (PFA, na sigla em inglês) enviou uma pesquisa para avaliar a saúde mental de cada jogador profissional do país. Para ajudar os atletas, a associação disponibilizou conselheiros para atendê-los e falar sobre os problemas por videochamadas.

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Os dados do levantamento da PFA mostraram que 299 atletas buscaram ajuda terapêutica no primeiro trimestre do ano – ou seja, quase metade do número total registrado em 2019 (653 jogadores). Problemas financeiros e com apostas são os principais motivos de preocupação do grupo.

O Sindicato dos Atletas Profissionais de São Paulo implementou uma medida de auxílio na semana passada. A entidade contratou o psicólogo do esporte Luís Eduardo d’Almeida Manfrinati e disponibilizou um canal de ajuda para que os atletas possam se consultar de forma gratuita. O atendimento é feito de forma remota.

Em entrevista a PLACAR, o presidente do Sindicato Rinaldo José Martorelli explicou que o profissional já iria integrar a equipe do projeto Expressão Paulista, formado para ajudar atletas desempregados a ingressarem no mercado. Em caráter emergencial, por causa do coronavírus, o psicólogo foi contratado para trabalhar primeiro com os esportistas profissionais de qualquer modalidade que precisarem de uma consulta.

“O Iniesta deu uma entrevista uma vez sobre se sentir deprimido apenas por estar de férias. Se isso acontece com ele, imagina com um jogador que está sem contrato, ou sem receber. Olha a importância que é ter essa ajuda. Os clubes negligenciam o suporte emocional aos atletas”, afirmou Martorelli.

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