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Convocação tem incômodo sobre Flamengo, polêmica com Juninho e até barraco

Coordenador de seleções respondeu sobre suposto conflito de interesse e ainda participou de bate-boca entre jornalista e a assessoria da CBF

Por Danilo Monteiro - Atualizado em 6 Mar 2020, 15h41 - Publicado em 6 Mar 2020, 12h47

A convocação da seleção brasileira para o início das Eliminatórias Sul-Americanas nesta sexta-feira 6, não teve grandes polêmicas em relação à lista de Tite, mas foi cercada de tensão por outros motivos. O coordenador de seleções, Juninho Paulista, teve de responder sobre suspeitas de conflitos de interesse e no fim ainda participou de uma inesperada discussão entre um jornalista e a assessoria de imprensa da CBF.

Juninho teve de se explicar sobre a notícia revelada pela agência Sportlight de que mantinha vínculo com o Ituano, o que é proibido pelo estatuto da CBF, e com isso poderia lucrar com uma eventual convocação do atacante Gabriel Martinelli, do Arsenal, revelado pelo clube do interior paulista.

Em poucas palavras, o coordenador da CBF alegou que a situação foi resolvida e que não possui mais nenhum cargo no Ituano, time do qual foi presidente. “O que eu tenho a dizer é que estou muito seguro da minha competência e das minhas credenciais para exercer o cargo que estou. Foi uma orientação jurídica, essa pendência foi resolvida e perante a CBF está tudo OK.”

Tite também foi perguntado sobre o suposto conflito de interesse e deu respaldo ao coordenador, em tom firme. “Nos conhecemos desde que Juninho foi meu atleta no Palmeiras. Nossa relação sempre foi de retidão e lealdade, e segue dessa forma. Nossa prerrogativa sempre foi de escolher os melhores atletas.”

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O técnico Tite, que convocou três jogadores do Flamengo (Éverton Ribeiro, Bruno Henrique e Gabigol) também foi pressionado em relação à postura que adotará na Copa América, que ao contrário das Eliminatórias, não acontece na chamada data Fifa (período em que os clubes são obrigados a liberar seus jogadores).

Questionado se pretende limitar o número de atletas de um mesmo clube, Tite tergiversou. Perguntado novamente e, mais especificamente em relação ao Flamengo, o treinador admitiu que prefere não tocar no assunto. “Tudo o que eu disser agora pode vir a não se confirmar em 15 dias pelo momento técnico dos atletas. Em um momento oportuno a gente esclarece.”

Ao longo da entrevista, Tite admitiu que ano passado deixou de convocar atletas de clubes nacionais pelo fato de “já ter sido treinador de clube e saber da dificuldade” de perder atletas em retas finais de campeonatos. E, instigado a comparar o Flamengo de Jorge Jesus com sua seleção, voltou a demonstrar incômodo.

“Comparar clubes e seleções é uma situação que tem muitas variáveis e é injusto. Passei uma etapa me comparando com os outros, aí você fica ou presunçoso ou magoado. Sempre vai ter alguém melhor do que a gente, aprendi a fazer o meu trabalho bem feito e evitar me comparar com outros técnicos. Mas reconhecendo que o Flamengo está fazendo um trabalho extraordinário e digno de elogios. Como foi o Atlético do Cuca, o Santos de Muricy, o Corinthians de 2012, o Grêmio campeão da Libertadores…”

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Confusão com jornalista

A entrevista coletiva foi encerrada após cerca de 40 minutos. Neste momento, o jornalista Silvio Barsetti, do portal Terra, se levantou e reclamou que está há um ano comparecendo a todos as entrevistas coletiva e nunca consegue fazer uma pergunta. “Tite faz um ano que não consigo falar com você, eles não me passam o microfone nunca”, esbravejou, direcionando sua crítica à assessoria da CBF. Tite, então, intercedeu, retomando a coletiva. “Faça a pergunta, então, que te respondo. De boa.”

O jornalista, então, tratou das cobranças que o treinador vem recebendo. Juninho pediu a palavra. “Eu só queria dizer que não gostei da maneira que você (se comportou), aqui a gente atende a todos.” Tite voltou a colocar panos quentes. “A exposição como técnico de futebol te remete a isso. Não posso achar que a vida será louros e afagos. Claro que não gosto como ser humano, mas faz parte”. Barsetti, que em 2016 protagonizou uma discussão com Neymar durante uma entrevista, deixou a sala de imprensa da CBF antes mesmo da convocação da seleção olímpica.

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