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Márcio França: “Lula não pode errar”

Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ministro tenta se viabilizar com o apoio do presidente

Por Isabella Alonso Panho Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 fev 2026, 06h00 • Atualizado em 13 fev 2026, 14h03
  • Governador de São Paulo por oito meses em 2018, o ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), quer voltar a comandar o estado, mas dificuldades não lhe faltam. Apesar de já ter ocupado o posto e de ter sido o primeiro a se colocar para a disputa, ele enfrenta nos bastidores a predileção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelas candidaturas de Geraldo Alckmin (PSB), Fernando Haddad (PT) ou Simone Tebet (MDB). Fã de futebol, França usa jargões do esporte para descrever a situação. Diz que a formação do time (candidatos ao governo e Senado) é uma questão estratégica em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, e que por isso é Lula quem tem que decidir. Para ele, como ocorreu em 2022, o desempenho no estado será fundamental para a vitória na eleição nacional. “Errar em São Paulo pode ser um erro grande”, afirma. Ainda sobre a corrida ao Palácio do Planalto, admite que Geraldo Alckmin, do PSB, o partido de França, pode perder a vaga de vice de Lula, a depender das coligações feitas pela chapa governista. Ele aposta que o PSD, de Gilberto Kassab, não terá candidato ao Planalto e avalia que a disputa contra Flávio Bolsonaro será mais fácil do que foi o duelo contra o pai em 2022.

    O senhor tem dito há algum tempo que pretende concorrer ao governo de São Paulo, mas Lula tem citado outras alternativas. A sua pré-candidatura continua de pé? Uma candidatura só é efetivada depois da convenção, em julho, mas tenho uma certa convicção de que, depois de ter disputado uma eleição para governador e ter perdido por muito pouco (em 2018, teve 48,2% ante 51,8% de João Doria no segundo turno), eu seria um candidato com aceitação suficiente. Estou apto para essa disputa e gostaria de ter a chance. Agora, é claro que a gente faz parte de um governo e, naturalmente, é o presidente Lula quem terá a visão mais ampla e analisará as possibilidades. Meu nome está colocado. Estive nas últimas duas eleições, disputei majoritárias em São Paulo (governo em 2018 e Senado em 2022) e tive quase 30 milhões de votos. Se tiver alguém com mais méritos ou com mais capacidade de ampliar essa votação, também vamos analisar.

    O entorno de Lula tem falado de Geraldo Alckmin, Fernando Haddad e Simone Tebet como favoritos a liderar a chapa em São Paulo. O que acha desses três nomes? Os três nomes são muito bons. Em uma seleção, o jogador quer ser titular em qualquer posição que o técnico entender que é melhor. Em qualquer uma delas, vamos sempre contribuir. O objetivo número 1 é reeleger o presidente Lula.

    “São Paulo tem quase 25% do eleitorado do país. É tão relevante que uma decisão equivocada pode custar muito mais do que a eleição no estado. E a definição tem que ser do presidente”

    Acha que Alckmin, Haddad e Tebet têm pretensões reais de concorrer ao governo paulista? São meus amigos, são pessoas muito experientes e muito aptas. Alckmin me disse pessoalmente que não pretende concorrer mais em São Paulo. Haddad já foi prefeito, ministro de pastas importantes, é um homem extremamente respeitado, idôneo e é do PT. Naturalmente, os petistas gostariam de ter um nome do partido, porque ajuda nos cargos proporcionais. A primeira pessoa que eu procurei foi Haddad, no ano passado. Ele me disse que não havia a hipótese de disputar a eleição para governador porque não era a sua vontade. A partir dessa decisão é que eu coloquei meu nome. Eu convidei Simone Tebet, como outros ministros, para o PSB. O que ela me disse sempre é que o desejo dela era disputar o Senado.

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    Se fosse montar a chapa para a disputa paulista, qual seria seu time ideal? São Paulo tem quase 25% dos eleitores. É tão relevante nas eleições que uma decisão equivocada pode custar muito mais do que o estado. Se fosse a final do Mundial de Clubes, o pênalti deveria ser batido pelo presidente do clube, porque é muita responsabilidade. A definição tem que ser do presidente da República, que é o nosso comandante. Errar em São Paulo pode ser um erro grande.

    Em 2022, Haddad teve 45% ante 55% de Tarcísio no segundo turno, desempenho que foi considerado decisivo para a eleição nacional. A performance pode ser repetida? Haddad e Tarcísio foram para o segundo turno, o que foi essencial para que Lula tivesse praticamente a votação de Haddad no estado. É aí que caiu a diferença para Jair Bolsonaro entre a eleição presidencial de 2018 e a de 2022. Não ter o segundo turno em São Paulo é perigoso. Tarcísio não disputou uma eleição acirrada à época porque Rodrigo Garcia e Haddad acharam que iriam disputar um contra o outro, mas Tarcísio passou o primeiro turno já na frente. Foi uma surpresa. Por isso ninguém travou debates duros com Tarcísio. Eu acho que Haddad agora ganharia a eleição. Simone ganharia a eleição. Se eu for candidato, também ganho a eleição.

    O senhor já disse que era a “direita da esquerda” e que poderia atrair um eleitorado mais ao centro. Acha que pode ter o voto bolsonarista, por exemplo? Eu convivi com Jair Bolsonaro, fui vizinho de porta dele (em Brasília, quando eram deputados). Conheço muito a família dele. Posso garantir: na família de Bolsonaro eu devo ter três vezes mais votos do que tem o Tarcísio. Nas polícias de São Paulo, dificilmente eu não estarei na frente em uma eleição. Tarcísio hoje é repudiado pelos militares, porque ele prometeu uma coisa e fez outra. Entre os prefeitos do estado, Tarcísio não terá 10% de apoio na reeleição. Entre os deputados estaduais, não terá 10%. Se perguntar sobre mim, verá que todo mundo tem contato comigo. Tarcísio é apaixonado por Brasília.

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    Como um dos responsáveis pela articulação que levou Alckmin a compor a chapa com Lula, o que pensa da possibilidade de isso não se repetir? Em time que está ganhando não se mexe. O governo deles é espetacular. Agora, claro que, se houver a vinda de um partido grande para se coligar com o presidente Lula, será um fato novo, que pode realmente impactar. A pergunta é: Gilberto Kassab, presidente do PSD, vai mudar a posição dele? Pode mudar. O MDB vai mudar? Pode mudar. O Republicanos vai mudar? Pode mudar. Esses partidos mais ao centro preferem não ter candidato à Presidência porque têm uma composição misturada no Brasil inteiro. Quando começamos a falar de Alckmin com Lula, a primeira pessoa com quem falei foi o próprio presidente, na casa em que ele estava morando em São Bernardo. Todo mundo em volta disse: “Você está doido, isso não vai acontecer”. Aconteceu e foi muito bom para o Brasil. É possível acontecer muitas coisas ainda, mas estamos aos 40 minutos do segundo tempo. Creio que a chapa será mantida, e isso será bom para o Brasil.

    Acha possível uma negociação para incluir o MDB formalmente na campanha de Lula? O MDB é dividido, mas não creio. Hoje ele tem como principal figura no país o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, que deve muito da eleição dele ao apoio que recebeu de Tarcísio. Mudar essa posição significaria perdê-lo. Não vejo espaço neste momento para uma mudança nacional no rumo do partido. Na minha visão, devemos ir com o que temos. Vamos ganhar de qualquer jeito.

    O Centrão tentou viabilizar o nome de Tarcísio ao Planalto, mas agora parece relutante em apoiar Flávio Bolsonaro. Há alguma chance de os partidos desse grupo apoiarem o presidente? É eleição, né? É difícil prever. Se alguém me dissesse que Jair Bolsonaro iria disputar com chance uma eleição, eu diria: “É impossível”. Mas aconteceu. Na eleição para a prefeitura de São Paulo tivemos Pablo Marçal. Há acontecimentos que você não vai prever. Mas eu diria que, se tivesse uma candidatura como a de Tarciso para presidente, ela tenderia a se ampliar. Porque ele é um uma pessoa que não leva a rejeição de Bolsonaro. Se eu pudesse dar um palpite hoje, eu diria que vai ficar todo mundo solto. Vai sair candidato a presidente apenas o filho de Bolsonaro, com o que der, naquele espaço do PL.

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    “As posições de Flávio são mais suaves que as de Jair Bolsonaro. O problema é que ele não tem experiência no Executivo e tem menos história e menos força pessoal que o pai”

    O PSD, de Kassab, tem três presidenciáveis. Na sua opinião, qual deles irá para a disputa? Não creio que tenhamos outra candidatura. Ratinho Junior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado acabarão disputando o Senado, porque é muito pouco provável que um nome Bolsonaro na urna não tire 25% dos votos dessa disputa. Então fica muito apertado. Eles, do PSD, também acham isso. Estão tentando fazer um arranjo.

    Qual é o capital político de Bolsonaro hoje? Claro que é relevante. Quando ele foi candidato a presidente, imaginei que quisesse abrir espaço para os filhos. Bolsonaro já tinha oito mandatos, estava se aposentando. Mas houve a facada, que teve um impacto fabuloso no processo eleitoral. Depois que a situação caiu no colo dele, acabou incorporando a possibilidade de vencer, mas acho que nunca passou pela cabeça dele algo como “vou me preparar para ser presidente”.

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    Para Lula será tão difícil enfrentar Flávio quanto foi duelar com Jair? As posições de Flávio são mais suaves que as de Jair Bolsonaro. O problema é que ele não tem experiência no Executivo e tem menos história e menos força pessoal do que o pai. Jair Bolsonaro é muito convicto do que fala, mesmo totalmente errado. Achava terrível a forma como ele falava sobre alguns temas, mas não me parecia teatro. Ele achava aquilo, dentro da confusão dele. No caso do Flávio, eu tenho um pouco de dúvida. Flávio não tem a convicção do pai e vai enfrentar um homem muito experiente.

    O senhor está no PSB desde 1988, e ele é o único partido ao qual esteve filiado. Quais são as pretensões eleitorais da sigla, além de manter Alckmin como vice na chapa de Lula? Temos vários candidatos a governador. Nosso presidente, João Campos, é um fenômeno e é bastante jovem. Temos uma tradição de eleger governadores em todo o país. Na campanha passada, como optamos por ficar sozinhos, sem fazer uma federação, tivemos uma redução significativa em nossos números no Congresso. Retomar o patamar anterior ou até aumentá-lo será importante, porque o Parlamento passou a ser muito relevante.

    João Campos tem potencial para ser o futuro de uma esquerda pós-Lula? Estamos falando de algo muito para o futuro, né? E, na política, até prever o passado é difícil. Mas João é brilhante. Ele tem todas as qualidades do pai dele, o ex-governador Eduardo Campos, que era meu amigo, com quem eu convivi muitos anos. Tem a segurança ideológica do avô Miguel Arraes, também ex-governador pernambucano. Além de tudo, possui uma visão sobre as redes sociais, com as quais ainda temos dificuldades. É um nome que certamente estará colocado para a frente, mas ele tem muito ainda a percorrer.

    Publicado em VEJA de 13 de fevereiro de 2026, edição nº 2982

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