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Sobre Palavras

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Este blog tira dúvidas dos leitores sobre o português falado no Brasil. Atualizado de segunda a sexta, foge do ranço professoral e persegue o equilíbrio entre o tradicional e o novo.

A quadrilha ainda é a mesma

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Por Sérgio Rodrigues 28 fev 2014, 17h00 | Atualizado em 31 jul 2020, 04h20
A quadrilha ainda é a mesma Priorizar nos meus resultados Google

Se o Supremo Tribunal Federal pode retomar uma matéria que tinha decidido em outubro de 2012, a Palavra da Semana também pode. No dia 20 daquele mês, esta seção foi dedicada ao vocábulo quadrilha. A semana tinha sido marcada pelo suspense, ainda sem definição naquele momento, quanto à acusação de formação de quadrilha que pesava sobre os réus do mensalão.

O STF, como se sabe, acabaria decidindo que Dirceu, Delúbio, Genoíno e companhia tinham mesmo se associado com a intenção de cometer crimes. Uma decisão que, com os votos dos ministros nomeados desde então, revogou esta semana.

Só o que não mudou de lá para cá foi a formação de quadrilha, isto é, a formação da palavra quadrilha, o que me leva a reproduzir abaixo, na íntegra, o post de 2012. Embargos infringentes não valem no mundo da etimologia.

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José Dirceu era o chefe da quadrilha do mensalão, como votou o relator Joaquim Barbosa? Não houve formação de quadrilha, como sustenta o revisor Ricardo Lewandowski? O suspense em torno da palavra quadrilha marcou a semana no Supremo Tribunal Federal.

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Das quinze acepções de quadrilha – vocábulo incorporado à nossa língua desde o século 15 – que aparecem no Houaiss, não existe um único falante de português que tenha dúvida sobre a que está em foco neste caso: “bando de malfeitores, súcia, corja”. No entanto, o significado original de quadrilha não era esse.

O termo veio do espanhol cuadrilla, que a princípio queria dizer apenas grupo de quatro pessoas, segundo o filólogo português António Augusto Cortesão, citado pelo brasileiro Antenor Nascentes em seu “Dicionário etimológico da língua portuguesa”. A origem de cuadrilla deve ser buscada no latim quatuor ou quator (“quatro”), com o acréscimo de um sufixo diminutivo. Contudo, esse número restrito de participantes não demorou a virar letra morta na história da palavra: quadrilhas de malfeitores, de cavalos, de soldados e de embarcações podem ser mais numerosas do que isso.

O termo cuadrilla foi importado ainda pelo francês, que tem a palavra quadrille. Por influência de uma acepção surgida nesta última língua, e que se expandiu também para o inglês, quadrilha acabaria por nomear entre nós uma modalidade popular de dança – inicialmente “executada por dois pares em vis-à-vis”, segundo Nascentes.
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Aproveito a ruidosa chegada de Momo para sair de férias. A coluna volta a ser atualizada no dia 16 de março. Até lá!

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