🔥 A Black Friday começou! Garanta 4 Revistas Impressas + Digital Premium pelo menor preço do ano e aproveite!

Israel: 3ª eleição sem que nenhum partido garanta maioria no Parlamento

Enquanto isso, o super-Netanyahu se enfraquece

Por Julia Braun Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO , Caio Mattos 20 dez 2019, 06h00 | Atualizado em 4 jun 2024, 14h48
Israel: 3ª eleição sem que nenhum partido garanta maioria no Parlamento Priorize VEJA no Google

Entra mês, sai mês e Israel continua com um governo que funciona em marcha lenta, com poderes limitados, à espera de uma nova eleição, em 2 de março. Será a terceira: duas votações neste ano, uma em abril, a outra em setembro, acabaram sem que um partido conseguisse maioria clara ou ao menos costurar uma coalizão que lhe desse poderes para formar um gabinete e iniciar o mandato. Por inércia, segue no cargo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que fez fama como o mágico dos recomeços — mas que, atolado em contratempos, parece estar perdendo os celebrados superpoderes. Líder inconteste da política israelense durante seus mais de dez anos à frente do governo, Bibi, como é chamado, ganhou um adversário de peso no atual interregno: o xará Benny Gantz, general reformado novato na política, com quem disputou cabeça a cabeça os dois pleitos inconclusivos de 2019. Em novembro, Bibi passou pelo dissabor de ser indiciado em três inquéritos. Agora, outro baque: Gideon Saar, ex-ministro e político popular de seu partido, o Likud, desafia a liderança.

O partido de Gantz, o Azul e Branco, perdeu a votação de abril para o Likud, mas levou a melhor no repeteco de setembro. Ainda assim, nenhum dos dois foi capaz de reunir a maioria de 61 assentos no Knesset, o Parlamento israelense. Netanyahu aventou um governo de união, em que cada um deles se revezaria no posto de primeiro-ministro, porém Gantz recusou a proposta, alegando que não iria se sujeitar a dividir o poder com alguém enrolado na Justiça. Netanyahu foi indiciado por fraude, suborno e quebra de confiança, acusado de haver trocado favores por coberturas favoráveis na imprensa e de ter recebido o equivalente a 820  000 reais em presentes — joias, caviar, champanhe — de um produtor de Hollywood.

Gantz
SUBINDO – Gantz: a coalizão não saiu em setembro, quando seu partido teve mais votos, mas ele avança nas pesquisas (Jack Guez/AFP)

Em Israel, os parlamentares não têm imunidade, porém podem pedi-la ao Parlamento ao conseguir provar que o processo é motivado por interesses políticos ou prejudicial ao funcionamento do Knesset. Netanyahu deve encaminhar o pedido nos próximos dias. Mas ele não será votado — decisões desse tipo estão entre os atos que um Legislativo de um governo interino não pode tomar. Enquanto o assunto estiver pendente, os processos ficarão parados. E Bibi ganhará tempo para angariar apoio entre os parlamentares e indicar gente de confiança para a comissão que fará a primeira avaliação do pedido, numa manobra arriscada, sem sucesso garantido. “Mesmo que ele venha a obter imunidade no Knesset, o Supremo Tribunal poderá anular a decisão”, explica a advogada Suzie Navot, professora de direito constitucional.

Continua após a publicidade

Não é só o pedido de imunidade que o Parlamento está impedido de votar. Dissolvido formalmente no dia 12, quando os encarregados de formar um governo jogaram a toalha, ele não pode aprovar leis de grande impacto nem nomear ministros e juízes — e tudo parece andar em câmera lenta. O Knesset tampouco tem aval para tratar do Orçamento de 2020. “Programas importantes nas áreas de educação, saúde e infraestrutura terão de sofrer cortes”, diz Gerald Steinberg, professor da Universidade Bar Ilan.

Gantz, de centro-direita, vem crescendo nas pesquisas, mas sua margem de manobra para coalizões é reduzida, e o mais provável, se nada mudar, é outra eleição inconclusiva em que enfrentará o mesmo Netanyahu — Saar chegou para sacudir o Likud, porém tem pouca chance de tomar seu lugar. Ciente disso, Bibi tem insistido na proposta de governo de união nacional, no qual defende ser o primeiro no revezamento. Por quê? Ele explica que é para tirar proveito da proximidade com Donald Trump antes que a campanha eleitoral nos Estados Unidos pegue fogo. Mas até o Mar Morto sabe que o motivo mesmo é ele estar primeiro-ministro quando chegar a hora de votar sua imunidade parlamentar, logo que — e se — um governo for formado. Resta ver se seus superpoderes ainda estarão afiados até lá.

Continua após a publicidade

 

Publicado em VEJA de 25 de dezembro de 2019, edição nº 2666

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Capa da revista Veja com um homem e um celular sobreposto a um notebook exibindo um site de notícias, com fundo escuro e a palavra BLACKFRIDAY repetida
ECONOMIZE ATÉ 92% OFF

Digital Essencial

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
BLACK FRIDAY CHEGOU

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Premium (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 32,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).