Vice de Trump confirma saída de Musk do governo, mas faz ressalvas
Declaração segue relatos de que presidente já teria informado círculo íntimo que magnata deixará posto de conselheiro

Após relatos de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já teria dito a seu círculo íntimo que o magnata Elon Musk deixará o posto de conselheiro no governo americano, o vice-presidente JD Vance esclareceu nesta quinta-feira, 3, que o bilionário continuará sendo “um amigo e um conselheiro” do presidente, mesmo saindo do cargo.
Na quarta-feira, o portal americano Politico informou que o republicano está satisfeito com o trabalho de Musk à frente do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE, na sigla em inglês), mas que ambos haviam chegado à decisão pela saída do empresário.
Apesar de Musk ter descartado a reportagem como “notícia falsa”, assim como também fez a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, Vance disse, em entrevista à Fox News nesta quinta, que o “DOGE tem muito trabalho a fazer e, sim, esse trabalho vai continuar depois que Elon sair”.
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“Elon chegou e dissemos: ‘Precisamos de você para tornar o governo mais eficiente, precisamos de você para reduzir a burocracia incrivelmente gorda que frustra a vontade do povo americano, mas também custa muito dinheiro”, acrescentou Vance. “Dissemos: ‘Isso vai levar cerca de seis meses’ – e foi para isso que Elon se inscreveu, mas é claro que ele continuará sendo um conselheiro e, a propósito, o trabalho de Doge não está nem perto de terminar, o trabalho de Elon não está nem perto de terminar.”
Como funcionário especial do governo, o serviço atual de Musk é limitado a 130 dias, que, se contados a partir do dia da posse, devem expirar em algum momento no final de maio. O empresário não é um oficial eleito, e nem foi formalmente indicado a um cargo por Trump, atuando apenas na condição de conselheiro e chefe do DOGE.
A saída do consigliere de Trump ocorre em meio a críticas de democratas e republicanos sobre a progressiva influência do empresário nas decisões da Casa Branca. Na segunda-feira 31, Musk entrou nos holofotes ao distribuir cheques de U$ 1 milhão (cerca de R$ 5,7 milhões) a dois eleitores de Wisconsin às vésperas das eleições para a Suprema Corte estadual, atraindo a fúria de progressistas e acusações de tentar interferir no pleito. Ele e aliados também destinaram US$ 20 milhões (R$ 115 milhões) para a candidatura do conservador Brad Schimel.
Não deu certo. A juíza liberal Susan Crawford venceu a disputa. Com 84% das urnas apuradas, ela ficou à frente de Schimel por 10 pontos percentuais. Após a derrota do seu aliado, Musk usou o X para tecer críticas contra a Justiça – uma estratégia em comum com Trump, que alega ser perseguido por juízes, mesmo sem provas. Na rede social, ele escreveu que “o golpe de longo prazo da esquerda é a corrupção do judiciário”.