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Vaticano nega relação entre transferência de diplomata e ‘Vatileaks’

Subsecretário foi designado embaixador na Colômbia em meio a especulações sobre relatório secreto relacionado a vazamento de documentos da Santa Sé

O Vaticano anunciou nesta sexta-feira a transferência do subsecretário de estado Ettore Balestrero para a Colômbia, como núncio apostólico. A transferência, que é tratada oficialmente como uma promoção, ocorre no momento em que a imprensa italiana traz informações sobre o conteúdo de um relatório confidencial sobre o escândalo do VatiLeaks, sugerindo que Balestrero teria sido citado no documento.

O vazamento de documentos secretos da Santa Sé culminou na condenação do mordomo do papa, Paolo Gabriele, a 18 meses de prisão. Depois da condenação, ele recebeu o perdão papal. O escândalo volta a ganhar as páginas dos jornais italianos às vésperas do conclave que vai definir o sucessor de Bento XVI. Para o lugar de Balestrero foi nomeado o arcebispo Antonio Camilleri.

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O Vaticano não comenta as especulações sobre o conteúdo do relatório – que, segundo a imprensa da Itália teria contribuído para a decisão do papa de renunciar. Também nega que a decisão de designar Balestrero para um novo posto esteja relacionada ao documento. O porta-voz Federico Lombardi disse que as suspeitas de que o papa quis tirar o monsenhor do Vaticano são “absurdas, totalmente sem fundamento”. Segundo ele, a mudança foi decidida há semanas e só faltava a concordância do governo colombiano para ser anunciada.

Bogotá, de fato, é um dos postos de maior prestígio na América Latina para um diplomata do Vaticano porque a sede do Celam (Conselho Episcopal Latino-americano) fica na capital colombiana. O órgão é responsável por todas as conferências de bispos no continente.

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Banco do Vaticano – O futuro embaixador do Vaticano na Colômbia foi chefe da delegação da Santa Sé para o Moneyval, órgão do Conselho Europeu que supervisiona a aplicação de padrões internacionais de transparência financeira. Em julho do ano passado, um relatório do Moneyval avaliou que o Vaticano precisaria fazer melhorias em várias áreas, inclusive no gerenciamento do Banco do Vaticano.

Segundo reportagem do jornal italiano La Repubblica, o secretário de estado, Tarcísio Bertoni, destituiu a comissão encarregada em 2011 de dar transparência ao Banco do Vaticano. Balestrero é uma figura próxima ao número dois do Vaticano.

Em janeiro deste ano, o Banco Central da Itália impôs um bloqueio a pagamentos eletrônicos no Vaticano, devido à falta de transparência. Para escapar do bloqueio, o estado do Vaticano contratou uma nova prestadora de serviços para efetuar pagamentos e transferências eletrônicas.

(Com agência Reuters)