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Vaticano divulga lista com 5.000 propriedades imobiliárias

Medida faz parte de esforços de combate à corrupção, em meio a um polêmico julgamento por transações na Inglaterra

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 26 jul 2021, 11h49 - Publicado em 26 jul 2021, 11h43

Como parte de seus esforços para maior transparência financeira, e em meio a um polêmico julgamento por investimentos no exterior, o Vaticano divulgou pela primeira vez o orçamento anual de um departamento que administra propriedades. Segundo documentos apresentados, a Administração do Patrimônio da Sé Apostólica (APSA) possui 4.051 imóveis na Itália, além de 1.120 espalhados por Londres, Paris, Genebra e Lausanne, sem contar com embaixadas ao redor do mundo.

As informações foram divulgadas no sábado, 24, dentro de dois documentos, que contam com um número sem precedentes de gráficos, tabelas e mapas.

Apenas 14% das propriedades na Itália são alugados em valores de mercado, e o dinheiro arrecadado vai para fundos de caridade e o trabalho do Vaticano. Os 86% restantes são usados pelos escritórios do Vaticano ou abrigam cardeais e funcionários da Santa Sé.

Ainda de acordo com o documento, cerca de 40% dos imóveis são prédios institucionais, como escolas, conventos ou hospitais.

Segundo o secretário de Economia do Vaticano, Juan Antonio Guerrero, a divulgação é parte fundamental do combate à corrupção promovido pelo papa Francisco.

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“Viemos de uma cultura de sigilo, mas aprendemos que, em questões econômicas, a transparência nos protege mais do que o sigilo”, disse Guerrero após a publicação do orçamento.

Um dos prédios no exterior, em Londres, é palco de grandes prejuízos depois de ser comprado pelo secretário de Estado do Vaticano como um investimento em 2014. Nesta terça-feira, 27,  começa o julgamento de 10 pessoas relacionadas à compra, incluindo o proeminente cardeal Angelo Becciu.

No julgamento, será decidido se o investimento teve uma gestão corrupta por altos funcionários do Vaticano. Guerrero defendeu que as medidas aplicadas nos últimos anos “vão dificultar que isso volte a acontecer”, afirmando que se trata de um “ponto de virada” na credibilidade do Vaticano em assuntos financeiros.

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Em junho, o Vaticano divulgou sua revisão mais abrangente das leis da Igreja nos últimos 40 anos, envolvendo uma seção inteira do Código de Direito Canônico da igreja, um conjunto de sete livros com cerca de 1.750 artigos.

Embora tenha foco maior em regras contra clérigos que abusam de menores ou de adultos vulneráveis, o novo código fala explicitamente de punições a crimes econômicos e segue um decreto anterior de Francisco para tornar os fundos de caridade mais transparentes, publicado justamente após o caso de Becciu vir à tona.

Em suas políticas contra a corrupção, chegou a proibir que qualquer funcionário do Vaticano receba presentes que custem mais de 40 euros.

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