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Trump pode ejetar os EUA da Otan? Entenda

Presidente americano é crítico de longa data da organização, e insatisfação com postura do bloco na guerra ao Irã levou tensão ao limite

Por Flávio Monteiro 2 abr 2026, 12h19 • Atualizado em 2 abr 2026, 14h06
  • A crescente insatisfação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com aliados históricos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) atingiu um ponto de inflexão na quarta-feira, 1º. Em pronunciamento à nação, o ocupante do Salão Oval alfinetou os “países do mundo que usam o Estreito de Ormuz e não fazem nada a respeito” de seu fechamento, no contexto da guerra ao Irã, e reclamou de aliados que se recusaram a fazer parte “da decapitação” do regime dos aiatolás. Um pouco antes, em entrevistas esparsas para a imprensa, ele declarou (assim mesmo) considerar “seriamente” sair da Otan.

    Trump vem tentando angariar apoio logístico-militar junto aos 32 parceiros da aliança há semanas. No entanto, nenhum dos líderes europeus parece estar disposto a se envolver em uma guerra iniciada por Washington e sobre a qual não foram consultados previamente. Além disso, a legislação da organização tampouco os obriga a oferecer qualquer tipo de apoio ao republicano, afinal, o famoso Artigo 5 da carta da Otan prevê assistência obrigatória apenas em caso de ataque ao território de um de seus membros.

    O republicano não ficou satisfeito com a postura do bloco e teceu uma série de críticas a respeito de seus aliados históricos. Em tom lamurioso, o republicano reiteradamente afirmou que a Otan não se mobilizava em prol dos Estados Unidos da forma que americanos protegem a Europa; chamou os aliados de “covardes” e descreveu o grupo como um “tigre de papel” — algo que parece forte, mas na realidade é frágil e inofensivo.

    + Trump diz que considera ‘seriamente’ retirar os EUA da Otan

    Trump pode sair da Otan?

    A potencial ejeção americana da Otan seria um marco para a geopolítica global no século XXI. A organização foi o baluarte da estrutura de segurança ocidental desde o final da Segunda Guerra Mundial, sobrevivendo ao colapso da União Soviética, em 1989. 

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    A legislação americana impeça que um presidente deixe o bloco sem a aprovação de dois terços do Senado, ou uma nova lei do Congresso para formalizar a saída. Atualmente, os congressistas americanos são em sua grande maioria pró-Otan. No entanto, Trump já mostrou não se importar tanto com o devido processo legal — a própria guerra contra o Irã foi iniciado sem a necessária aprovação do Legislativo.

    Mesmo que o presidente americano não tente extrapolar os limites de seu próprio poder para concretizar a ameaça, ele tem outras opções punitivas contra os parceiros. Poderia cortar drasticamente o financiamento americano para a Otan. Poderia se recusar a honrar o Artigo 5 do pacto de defesa mútua, essencialmente paralisando a aliança. Ou poderia retirar tropas americanas da Europa (hoje em 85 mil), redistribuindo-as para a Ásia ou o Oriente Médio, ou trazendo-as de volta para casa, deixando o continente com defesas enfraquecidas contra uma ameaça russa.

    De acordo com o jornal britânico The Telegraph, Washington estuda em paralelo criar uma nova regra que impede os membros da Otan que não cumprirem as metas de orçamento ao setor de defesa (5% dos seus PIBs na próxima década) de participarem da tomada de decisões, inclusive quando o bloco entrar em guerra.

    Dono de um dos maiores — senão o maior — complexos militares do mundo, os Estados Unidos são, de longe, a principal força da Otan. Com um arsenal nuclear muito superior ao do Reino Unido e ao da França, o país é visto como o principal fator de dissuasão contra ataques de adversários do Ocidente, sobretudo a Rússia. Nos últimos anos, o presidente Vladimir Putin tem deixado claro seu interesse em afastar a aliança de Washington, um movimento que poderia tornar países como Polônia, Estônia e Lituânia mais vulneráveis a uma eventual agressão russa.

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