Não deveria estar aqui hoje, diz Trump em primeiro discurso após atentado
Na convenção republicana, ex-presidente aceitou formalmente indicação para disputar o comando da Casa Branca

Donald Trump aceitou formalmente na noite desta quinta-feira, 18, a indicação do Partido Republicano para concorrer à presidência dos Estados Unidos na convenção da sigla, que acontece desde segunda-feira na cidade de Milwaukee, no estado de Wisconsin.
Em seu primeiro discurso desde o atentado que sofreu em um comício no último sábado, Trump afirmou que quer dar início a uma nova era, com segurança e prosperidade para os cidadãos americanos. Enfatizou que quer governar para toda a população e que é preciso “curar” a divisão no país.
O atentado no comício
Após aceitar oficialmente ser o candidato republicano, Trump relembrou o atentado do sábado, dizendo que seria a única vez que o público ouviria ele falar disso, porque é algo “muito doloroso” para se contar. O ex-presidente afirmou que, se não tivesse virado a cabeça no momento que a bala se aproximou, “não estaria aqui”. “Eu não deveria estar aqui esta noite”, declarou.
Trump afirmou que, após os tiros, o público pensou que ele estava morto. Por isso, ele disse que se ergueu, levantou o braço e gritou: “Lutem, lutem, lutem”. O republicano em seguida lembrou Corey Comperatore, o bombeiro que morreu no comício, e outras duas pessoas que ficaram feridas.
“Ele era um bombeiro muito respeitado, sua esposa, Helen, é uma mulher incrível, eu falei com ela”, disse. “Ele protegeu sua família e foi atingido.” Trump então se afastou do púlpito e se aproximou do uniforme de Comperatore, que foi colocado no palco da convenção. O ex-presidente beijou o capacete do bombeiro.
Mudança de tom
Trump mudou de tom para criticar os rivais democratas, que vêm pressionando Joe Biden para que ele desista da candidatura desde o desempenho desastroso no debate contra Trump.
O ex-presidente afirmou que os democratas estão se utilizando do sistema de Justiça contra ele. “O Partido Democrata deve parar imediatamente de usar o sistema de Justiça e rotular seu oponente como inimigo da democracia”, disse Trump. “Até porque porque isso não é verdade. Na verdade, sou eu quem está salvando a democracia para o povo do nosso país.”
Trump criticou o governo Biden, afirmando que é uma “administração totalmente incompetente” e que a eleição de novembro é a “mais importante do nosso país”. O ex-presidente prometeu que vai acabar com a crise inflacionária e reduzir a taxa de juros, lutar contra a imigração ilegal nos EUA e colocar um fim aos conflitos em curso no mundo, como as guerras na Ucrânia e em Gaza.
Trump disse que vai “trazer de volta o sonho americano” e afirmou que “se você pegasse os dez piores presidentes da história dos Estados Unidos e os somasse, eles não teriam causado o dano que Biden causou”.
Trump declarou que países como Venezuela e El Salvador estão enviando “seus criminosos” para os Estados Unidos, e que por isso os índices de criminalidade vêm caindo nesses lugares, antes de prometer a “maior operação de deportação” da história dos EUA caso seja eleito.
Discurso de J.D. Vance
Nesta quarta, o vice de Trump, o senador por Ohio J.D. Vance, discursou no evento. Em sua fala, Vance focou suas origens para criar uma nova narrativa de american dream (sonho americano) trumpista, de forma a conquistar o que vem se tornando a base eleitoral do Partido Republicano – trabalhadores brancos de classe média baixa, muitos dos quais não têm ensino superior.
Vance, 39 anos, nasceu na região de Appalachia, em Ohio, numa cidade industrial. Segundo ele, foi uma infância difícil até conseguir chegar à Marinha dos Estados Unidos, ao curso de direito na prestigiada Universidade de Yale e depois ao Senado, em 2022. Sua história certamente inspirou parcialmente seu livro Era Uma Vez um Sonho, que virou filme da Netflix indicado ao Oscar. O argumento aqui, diante da plateia de eleitores republicanos, era simples: apesar de ele estar em uma posição de poder hoje, entende suas lutas cotidianas.
Ele acusou “políticos de carreira”, como o presidente americano, Joe Biden, de destruir comunidades como a sua com iniciativas comerciais malfadadas e guerras externas. (Aproveitou também para cutucar o democrata, dizendo que Biden estava há mais tempo na política do que ele próprio estava vivo).
Em um sinal do seu valor potencial para a chapa, Vance também apelou às classes média e trabalhadora nos estados de Michigan, Pensilvânia e Wisconsin, especificamente – três swing states, aqueles estados em que nenhum dos partidos possui maioria, e que, portanto, qualquer um pode vencer e provavelmente decidirão as eleições de 5 de novembro.