Trump anuncia fim das sanções dos EUA contra a Síria
No final do ano passado, rebeldes derrubaram o ditador Bashar al-Assad e assumiram o governo
O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira, 13, que os Estados Unidos removerão todas as sanções econômicas contra a Síria. No final do ano passado, rebeldes derrubaram o ditador Bashar al-Assad – que fugiu para a Rússia – e assumiram o governo.
“Ordenarei o fim das sanções contra a Síria para dar a eles uma chance de grandeza”, afirmou Trump a um auditório lotado em Riad, Arábia Saudita, primeira aparição pública de seu giro de quatro dias pelo Oriente Médio.
“Na Síria, que viu tanta miséria e morte, há um novo governo que, com sorte, conseguirá estabilizar o país e manter a paz. É isso que queremos ver”, continuou. “Eles tiveram sua cota de farsa, guerra e matança por muitos anos. É por isso que meu governo já deu os primeiros passos para restaurar as relações normais entre os Estados Unidos e a Síria pela primeira vez em mais de uma década.”
Ele também desejou “boa sorte” ao novo governo sírio e recomendou que se mirasse na Arábia Saudita como exemplo. As falas fizeram parte de um discurso abrangente que se concentrou nas relações dos Estados Unidos com o Oriente Médio.
A queda do regime sírio
Sem que ninguém esperasse, poucos dias antes de 2024 chegar ao fim, uma ditadura de mais de meio século desmoronou e a Síria de repente amanheceu sob um novo governo.
Em ofensiva-relâmpago de onze dias, um pouco conhecido grupo rebelde, o Hayat Tahrir al-Sham (HTS), liderado por um jihadista que se declara reformado e adepto da linha pragmática, Ahmed al-Sharaa, desceu de seu reduto no noroeste ocupando tudo no caminho e chegou a Damasco. Vendo seu Exército depor as armas, Bashar al-Assad, déspota cruel que herdou o poder do pai, Hafez al-Assad, fugiu com a mulher, Asma, para a Rússia.
Presente nas listas de terroristas procurados do Ocidente com o codinome Abu Mohammad al-Jolani, adquirido nos tempos de adesão aos extremistas da Al Qaeda e do Estado Islâmico, al-Sharaa instalou um primeiro-ministro provisório na Síria, mas é a cabeça do novo governo — tanto que desde então vem mantendo contatos com os países que pediam sua prisão, entre eles os Estados Unidos. Anunciou que quer promover a união nacional e prometeu anistia, menos aos responsáveis pelas barbaridades do regime anterior.
Esperança e incertezas
A reação inicial à mudança foi de esperança de dias melhores dentro da Síria supostamente liberada, com moradores derrubando estátuas e rasgando retratos dos ditadores e refugiados tomando o caminho de volta para casa — entre 2014 e 2020, cerca de 6 milhões cruzaram as fronteiras, boa parte deles vivendo até hoje em barracas.
No entanto, a confiança no discurso de al-Sharaa, que nunca foi grande, despencou quando as forças de segurança do novo governo promoveram, em março, um massacre em cidades de população alauita, a seita minoritária que a família al-Assad instalou na cúpula política e militar e que dominou a Síria com mão de ferro por mais de meio século. A emboscada de uma patrulha desencadeou os confrontos que, segundo fontes locais, resultaram na morte de mais de mil pessoas em quatro dias — fala-se em até 700 civis, inclusive famílias inteiras, assassinados.
A queda do regime al-Assad gerou esperança, mas muita incerteza. Será preciso mais do que discursos e visitas a mandatários estrangeiros para que al-Sharaa convença o mundo de que a cruel dinastia não foi substituída por radicais empenhados em prolongar o sofrimento dos sírios.
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