‘Todas as partes’ do Mercosul aprovaram rascunho de acordo com UE, diz Uruguai
Bloco sul-americano é composto de Argentina, Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai; tratado é negociado há 25 anos

O chanceler do Uruguai, Omar Paganini, disse nesta quinta-feira, 5, que todos os países do Mercosul concordaram com o rascunho do acordo comercial com a União Europeia (UE). O grupo é composto de Argentina, Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai. A declaração ocorre poucas horas após a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, chegar a Montevidéu, capital do Uruguai, para a cúpula do bloco sul-americano, realizada até o dia 6, sob alta pressão para que as negociações de 25 anos cheguem a um ponto final.
As discussões têm encontrado forte resistência da França, que receia que as importações agrícolas vindas da América do Sul impactem negativamente o setor na Europa. As ressalvas francesas são malvistas pelos membros do Mercosul, todos grandes produtores de soja e carne bovina, como forma de protecionismo europeu.
Ainda nesta quinta-feira, o Palácio do Eliseu definiu o rascunho como “inaceitável”. Para barrar o acordo, é necessário que ao menos três países da UE que representem mais de 35% da população formem uma minoria. Até o momento, a França é apoiada pela Polônia (a Itália também indicou preocupações, embora com menos veemência). Em contrapartida, há uma coalizão de 11 Estados-membros do bloco europeu a favor do acordo, sob liderança da Alemanha e Espanha.
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Sinais positivos
Em publicação no X, antigo Twitter, Von der Leyen afirmou que “a linha de chegada do acordo UE-Mercosul está próxima”. Ela destacou que o pacto seria a “maior parceria comercial e de investimento que o mundo já viu” e que “ambas as regiões serão beneficiadas”, já que proporcionaria “um mercado de 700 milhões de pessoas”.
O Mercosul abrange 73% do território da América do Sul, o que representa cerca de 65% da população da região, e viabiliza intensas trocas comerciais. Dados do Ministério das Relações Exteriores (MRE) indicam que de janeiro a outubro de 2024, o intercâmbio entre os países do bloco foi de 32,5 bilhões de reais.
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que “Von der Leyen tem o mandato de fazer esse acordo”, acrescentando que ele pretende “assiná-lo este ano”. Na última manifestação brasileira sobre o assunto, o secretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty, Mauricio Lyrio, disse, na segunda-feira 2, que “a última rodada de negociações terminou com avanços importantes”.