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‘Situação difícil’: Premiê da Dinamarca visita Groenlândia em meio às ameaças de Trump

Ida de Mette Frederiksen segue viagem do vice-presidente americano na semana passada à região

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 3 abr 2025, 15h05 - Publicado em 3 abr 2025, 14h42

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, embarcou nesta quinta-feira, 3, em um navio de inspeção na Groenlândia, na sua primeira viagem ao território desde as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tomá-lo. A visita foi acompanhada pelo premiê da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, que anteriormente definiu como “altamente agressiva” a ida na semana passa do vice-presidente americano, J.D. Vance, à região semiautônoma pertencente ao reino dinamarquês.

A última vez que Frederiksen esteve na Groenlândia foi em março de 2024, acompanhada da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Na quarta-feira, antes de aterrissar na região, a premiê afirmou que “quando a Groenlândia está em uma situação difícil, o reino da Dinamarca e a Europa também estão em uma situação difícil”.

“Independentemente das discussões que possamos ter no futuro sobre nossa comunidade, está claro que, com a pressão dos americanos sobre a Groenlândia em relação à soberania, às fronteiras e ao futuro, devemos permanecer unidos”, acrescentou ela, em crítica direita a Trump. “Os EUA não tomarão a Groenlândia. A Groenlândia pertence aos groenlandeses e os EUA não tomarão a Groenlândia. E essa é, claro, também a mensagem que diremos coletivamente nos próximos dias.”

Além do vice-presidente dos EUA, a delegação americana que viajou à ilha na semana passada foi composta por Usha Vance, sua esposa, e Michael Waltz, o conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca. No cronograma da segunda-dama, estavam uma série de paradas culturais após sua chegada na quinta-feira passada, separada de Waltz. Ele chegou mais tarde, acompanhado pelo secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright.

Em visita às tropas dos EUA em Pituffik, Vance disse que controlar a ilha seria um caminho para deter a ameaça da China e da Rússia, alegando que a Dinamarca “não tinha feito um bom trabalho pelo povo da Groenlândia”.

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Clima de tensão

Embora não tenha sido alvo de tantas críticas quanto a de Vance, a visita de Frederiksen não foi bem recebida inicialmente por membros da coalizão governante, uma vez que a nova administração da Groenlândia ainda não foi empossada. No início do mês, o partido de oposição pró-negócios Demokraatit venceu as eleições. A legenda de centro-direita favorece uma abordagem mais lenta para a declaração de independência do território à Dinamarca.

A passagem de Frederiksen ocorre em meio a rumores de que o governo dos EUA está analisando quanto custaria assumir a Groenlândia. Segundo o jornal americano The Washington Post, o escritório de orçamento da Casa Branca tem elaborado uma estimativa de quanto potencialmente seria a receita obtida com seus recursos naturais. Para controlar a ilha, os Estados Unidos ofereceriam um valor maior em subsídios, cerca de £ 500 milhões por ano (mais de R$ 3,6 bilhões), o que representaria um valor acima ao liberado pelos dinamarqueses.

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