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Sites russos independentes reclamam de boicote de notícias sobre eleições

Rádio, jornais e uma ONG que denuncia fraudes tiveram suas páginas na internet bloqueadas; partido de Putin deve manter domínio no Parlamento

Por Da Redação 4 dez 2011, 13h16

Diversos sites independentes que noticiam ou fiscalizam as eleições legislativas russas, realizadas neste domingo, alegam ter sido alvo de ataques virtuais. Pela manhã, diversos sites se encontravam inacessíveis, entre eles os de meios de comunicação como a rádio Eco de Moscou e o da organização não-governamental Golos.

Primeiro a denunciar os ataques na manhã deste domingo, o redator-chefe da rádio Eco de Moscou, Alexei Venediktov, considerou a ação um boicote à livre informação. “É claro que é uma tentativa de dificultar a publicação de informações sobre as fraudes”, escreveu na rede social Twitter. Além da rádio, os jornais Kommersant e New Times tiveram suas páginas na internet temporariamente bloqueadas. “O ataque está dirigido contra todos os portais que relatarão o que acontece nas eleições”, declarou um porta-voz da ONG Golos, Dmitri Merechko.

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Financiada por fundos americanos e europeus, a Golos afirmou que todos os seus sistemas de comunicação eletrônicos pela internet foram bloqueados. A organização contabilizou até agora mais de 5.300 denúncias de violação à lei eleitoral, como compra de votos e propaganda política irregular. Na sexta-feira, a Golos foi declarada culpada de violar a legistação eleitoral e condenada a pagar uma multa de 30 mil rublos (cerca de 1.700 reais). A ONG afirmou neste sábado que é vítima de uma “campanha de perseguição por parte do poder”, logo após seu presidente ter sido retido na alfândega de um aeroporto de Moscou durante doze horas e ter o seu computador confiscado.

Votação – A eleição deste domingo é para escolher os novos membros da Duma, a Câmara Baixa do Palamento russo. A expectativa é que o partido Rússia Unida, do ex-presidente e atual premiê Vladimir Putin, mantenha seu domínio na Casa – a legenda tem hoje cerca de dois terços das 450 cadeiras. Apesar disso, pesquisas eleitorais apontaram que essa ampla maioria deve diminuir para em torno de 55%. Por isso, estas eleições são consideradas uma prova de popularidade para Putin, que será novamente candidado à Presidência em 2012, depois de já ter exercido dois mandatos. Mais de 110 milhões de russos estão aptos para votar, mas não se espera um grande comparecimento. No final da manhã, a participação eleitoral era de cerca de 25%. O presidente Dmitri Medvedev e o primeiro-ministro Vladimir Putin votaram em seus respectivos colégios eleitorais na capital russa.

Militantes do movimento de oposição Frente de Esquerda foram interpelados próximo ao Kremlin quando se manifestavam sem autorização. O chefe do movimento, Serfuei Udaltsov foi detido antes de chegar ao local, segundo sua esposa. Centenas de policiais foram enviados ao bairro da Praça Vermelha, onde movimentos da oposição nacionalista e das juventudes Nachi, pró-governo, convocaram 15 mil militantes para manifestações na noite deste domingo. A votação na Rússia, que possui nove fusos horários, prossegue até as 20 horas locais.

(Com agências EFE e France-Presse)

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