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Síria retirou de seu território todo arsenal químico declarado

Devido a atrasos na entrega, contudo, prazo para destruição do material não será cumprido

Por Da Redação 23 jun 2014, 18h59

O último lote das armas químicas do regime Sírio que foram declaradas à comunidade internacional deixou o país nesta segunda-feira, anunciou a Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq). “Um grande marco foi alcançado hoje”, declarou o diretor da organização, Ahmet Uzumcu, ressaltando, no entanto, que não é possível dizer “com certeza” que não há mais armas químicas no país. “Tudo o que podemos fazer é trabalhar com base na verificação de declarações do país. Eu não faria nenhuma especulação sobre possíveis substâncias remanescentes”, acrescentou, segundo declaração reproduzida pela CNN.

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A Síria já havia se desfeito de cerca de 92% das 1.300 toneladas de armas químicas declaradas como parte de um acordo costurado entre os EUA e a Rússia e endossado pelas Nações Unidas. O acordo previa a destruição de todo o arsenal químico sírio até 30 de junho. Após vários meses de atraso, os 8% restantes, que representam 100 toneladas, deixaram o porto de Latakia em um navio dinamarquês que deve transferir o material mais perigoso para uma embarcação americana especialmente desenvolvida para o trabalho de destruição, que envolverá ainda instalações na Finlândia, Estados Unidos, Grã-Bretanha e Alemanha. Por causa dos atrasos na entrega, contudo, será impossível cumprir o prazo de 30 de junho para que as armas declaradas sejam completamente eliminadas.

O diretor da Opaq também destacou a “cooperação internacional extraordinária” que tornou possível a missão. “Nunca um arsenal dessa categoria de armas de destruição em massa foi eliminado de um país que atravessa um conflito armado interno. E isso foi possível em prazos muito restritos”.

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Aliado do ditador sírio Bashar Assad, a Rússia manifestou “grande satisfação o fim bem-sucedido da operação internacional, inédita e em grande escala, de retirada de todos os componentes das armas químicas da Síria”, por meio de comunicado do Ministério das Relações Exteriores.

A Síria aderiu à Convenção sobre a Proibição de Armas Químicas em outubro de 2013 como parte de um acordo fechado depois de um ataque que provocou a morte de 1.400 civis, em agosto do ano passado.

Apesar do anúncio desta segunda-feira, a questão das armas químicas na Síria ainda está longe de ser concluída. “Esperamos esclarecer em breve certos aspectos da declaração síria e iniciar a destruição de certas estruturas usadas para produzir armas químicas”, declarou Uzumcu.

O regime de Bashar Assad e os rebeldes também continuam a trocar acusações sobre o uso de agentes químicos no conflito. Resultados preliminares de uma investigação da Opaq apontaram que armas químicas como o cloro podem estar sendo utilizadas “sistematicamente”.

O status do cloro como uma arma química é ambíguo. Ele pode ser usado como uma arma, mas é, antes de tudo,um agente industrial amplamente utilizado. Sua classificação como uma arma química em Convenção Internacional não é necessária. Portanto, a Síria não tinha a obrigação de informar a organização sobre os seus estoques.

(Com agências Reuters, EFE e France-Presse)

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