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Síria poderá sofrer com surto de poliomielite

Em meio à guerra civil que já deixou mais de 100 000 mortos, a Organização Mundial da Saúde informou que dez crianças sírias contraíram a doença

Por Da Redação - 29 out 2013, 19h22

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta terça-feira que dez crianças sírias contraíram poliomielite durante a guerra civil que já dura mais de dois anos no país, informou o jornal The Washington Post. Segundo a OMS, a imigração contínua de refugiados do conflito e o colapso no sistema de saúde sírio poderão contribuir para que um surto da doença se espalhe na região. Todos os casos foram diagnosticados pelos médicos na província de Deir al-Zour, ao leste do país. Outras doze crianças aguardam o resultado de exames.

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Em resposta ao alerta da OMS, sete países da região, incluindo a Síria e os vizinhos Jordânia, Turquia e Líbano, anunciaram que uma campanha emergencial de vacinação será realizada nas próximas três semanas. A ideia é vacinar 20 milhões de crianças em um período de seis meses. Membros da área da saúde disseram que as péssimas condições sanitárias em que milhões de pessoas se encontram contribuíram para a propagação da pólio.

O conflito entre as forças do ditador Bashar Assad e rebeldes opositores ao regime já deixou mais de 100 000 mortos no país, segundo dados levantados pela ONU. Além disso, médicos e profissionais da área da saúde deixaram o país em larga escala, enquanto os funcionários que permaneceram no país estão trabalhando sem os suprimentos e a estrutura adequada. Outro estudo feito pela ONU indicou que as forças leais a Assad destruíram hospitais e negaram atendimento médico a rebeldes como tática de guerra. “É o cenário perfeito para o vírus da pólio se espalhar. Ele pode explodir” disse Bruce Aylward, diretor assistente geral da OMS.

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A doença, que normalmente afeta crianças com menos de 5 anos de idade, pode causar paralisia permanente. Alguns casos resultam em morte após os músculos respiratórios pararem de funcionar. Não há cura para a pólio. Segundo Aylward, apenas um em 200 casos resulta em paralisia, o que significa que o número real de infectados na Síria pode chegar à casa dos milhares. “Os casos confirmados são somente a ponta do iceberg”, acrescentou. Para o diretor da OMS, uma campanha de vacinação na região deverá custar 15 milhões de dólares. “Este não é um problema da Síria. É um problema para o Oriente Médio.”

Demissão – A televisão estatal da Síria informou nesta quinta-feira que Assad demitiu o vice-primeiro-ministro Qadri Jamil. O político foi afastado de suas funções por exercer “atividades e encontros fora do país sem a coordenação prioritária com o governo”. Maiores detalhes não foram fornecidos pelo governo.

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