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Rússia responderá sanções com medidas que não deixarão EUA “indiferentes”

Vice-chanceler russo ameaça retaliar os EUA. Na Alemanha, Merkel fala ao Parlamento na possibilidade de ampliar sanções e expulsar Rússia do G8

Por Da Redação - 20 mar 2014, 09h41

A Rússia responderá as sanções americanas pela anexação da Crimeia com medidas que não deixarão os Estados Unidos “indiferentes”, afirmou nesta quinta-feira o vice-chanceler russo Serguei Riabkov. “Se em Washington ganhar a linha que consiste em atiçar o confronto, em tentar nos ditar algo com base em sanções, não há dúvida de que, da nossa parte, não nos limitaremos a sanções específicas, que só tomariam como alvo certos indivíduos”, advertiu Riabkov.

“Estamos estudando uma longa lista de opções. Podem ser medidas recíprocas, relativas a listas de autoridades oficiais americanas, mas também temos a possibilidade de adotar medidas assimétricas”, completou. Ele destacou também a possibilidade de medidas que “não deixarão Washington indiferente, já que existe toda uma série de âmbitos de diálogo e de contatos, em certa medida de cooperação, que têm importância para a parte americana”, disse.

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Riabkov, que fez as declarações em Viena, onde acontecem as negociações entre as grandes potências e o Irã sobre o programa nuclear de Teerã, sugeriu na quarta-feira que a crise poderia ter repercussões sobre a posição de Moscou nesta questão. O ministério russo das Relações Exteriores também divulgou na quarta-feira uma declaração agressiva a respeito dos Estados Unidos sobre a questão síria, na qual afirmava que Washington havia renunciado de fato a seu papel de “copatrocinador” de uma solução política ao fechar sua representação diplomática em Damasco.

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Na segunda-feira, o governo americano anunciou sanções contra onze autoridades russas e ucranianas ligadas a Moscou, sete delas ligadas diretamente ao presidente Vladimir Putin. O Departamento de Estado americano afirmou que a questão não era saber se Washington reforçaria as sanções, mas “quando” pretendia fazê-lo, depois da incorporação à Rússia da península ucraniana da Crimeia.

Europa – Líderes da União Europeia (UE) pretendem demonstrar, numa cúpula que começa nesta quinta-feira, a disposição de intensificar as medidas punitivas à Rússia, incluindo sanções econômicas politicamente delicadas, por causa da anexação da Crimeia, disse a chanceler alemã, Angela Merkel, ao Parlamento do seu país. Nas últimas semanas, Merkel endureceu a posição contra a Rússia por causa das ações na Ucrânia. “A cúpula da UE de hoje e amanhã deixará claro que estamos prontos a qualquer momento para introduzir medidas da fase três se houver um agravamento da situação”, afirmou ela ao Bundestag.

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A UE já impôs restrições de viagens e congelamento de ativos a pessoas apontadas como responsáveis pela ocupação russa da Crimeia. A escalada das sanções envolveria a ampliação das restrições, passando em seguida para sanções comerciais e financeiras mais amplas. Merkel também sinalizou que o G8 – grupo de grandes países industrializados – poderá expulsar a Rússia. “Enquanto não houver clima político para o G8, como é o caso no momento, o grupo não existe mais, nem a cúpula nem o formato como tal”, disse a premiê. Os líderes de EUA, França, Alemanha, Itália, Canadá, Japão e Grã-Bretanha se reunirão na semana que vem em Haia, sem a Rússia, para avaliar outras possíveis respostas às ações na Crimeia.

A Alemanha, maior economia europeia, tem estreitas relações econômicas com a Rússia, seu principal fornecedor de gás, e algumas empresas temem sofrer prejuízos com eventuais sanções. Na quarta-feira, pela primeira vez desde o agravamento da crise, o governo alemão interveio publicamente em atividades comerciais com a Rússia, ao exigir que a empresa bélica Rheinmetall suspendesse a entrega de equipamentos de simulação de combate à Rússia.

(Com agências Reuters e France-Presse)

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