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Reunião do Brics no Rio termina sem declaração conjunta por falta de consenso sobre ONU

Brasil ocupa presidência rotativa do grupo, que cresceu e hoje é formado por onze países

Por Paula Freitas Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 abr 2025, 16h37

A reunião dos chanceleres do Brics no Rio de Janeiro terminou nesta terça-feira, 29, sem declaração final por uma disputa regional entre africanos sobre a reforma das Nações Unidas. O grupo é formado por 11 países: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. Embora o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha engatado em negociações intensas, não houve um acordo final, assim como na reunião dos chanceleres do G20 no Rio, em fevereiro do ano passado.

“A União Africana tem uma posição muito conhecida, muito declarada, conhecida como Consenso de Ezulwini, que foi a cidade em que se realizou a reunião em que estabeleceram os princípios, para eles, um grupo de 54 países, que em bloco reagem às propostas de reforma do Conselho de Segurança e de todo os métodos de trabalho de todas as estruturas das Nações Unidas”, disse o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. “Então, eles têm uma posição muito específica, que o Brasil reconhece, adota e aprova e vários outros países também.”

Para driblar a falta de consenso, a Presidência rotativa do Brics, ocupada pelo Brasil, emitiu uma declaração. O texto, lido por Vieira em coletiva, aborda “uma reforma abrangente das Nações Unidas, incluindo seu Conselho de Segurança, com vistas a torná-lo mais democrático, representativo, eficaz e eficiente”. Egito e Etiópia exigem mudanças no órgão além da expansão, incluindo o fim dos mecanismos de veto dos membros permanentes do Conselho da ONU — entre eles, estão, Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, China e França.

“Decidimos fazer uma declaração da Presidência, como ocorre regularmente em muitas reuniões, justamente para deixar um caminho aberto para negociarmos com muito cuidado e com muita precisão uma declaração que acontecerá no mês de julho, na ocasião da reunião dos chefes de Estado”, disse Vieira, acrescentando que o governo brasileiro está “preparando o caminho e aplainando qualquer eventual divergência que haja em alguma das áreas.”

EUA e guerra na Ucrânia

A declaração do Itamaraty não citou os Estados Unidos, embora critique o “protecionismo comercial” e o “unilateralismo”. No início do mês, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um tarifaço a uma gama de países, abrangendo seus principais parceiros, como Canadá e México, mas sem deixar de fora o Brasil. Também não há menção sobre a criação de uma moeda comum entre os países do grupo, ideia que foi alvo de insultos do republicano.

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Além disso, com a presença da delegação russa, o texto foi tímido em abordar a guerra na Ucrânia, iniciada em fevereiro de 2022. Na segunda-feira 28, a Rússia propôs um cessar-fogo total de três dias, entre 8 e 11 de maio. O Kremlin disse que a trégua ocorrerá por “razões humanitárias” e que a data, escolhida pelo presidente Vladimir Putin, marcará o 80º aniversário do Dia da Vitória, quando a União Soviética e aliados derrotaram a Alemanha de Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

“Os Ministros recordaram suas posições nacionais relativas ao conflito na Ucrânia, conforme expressas nos foros apropriados, inclusive o Conselho de Segurança e a Assembleia Geral das Nações Unidas”, disse o comunicado. “Notaram com apreço propostas relevantes de mediação e de bons ofícios, inclusive a Iniciativa Africana de Paz e a criação do Grupo de Amigos para a Paz, voltadas para a solução pacífica do conflito por meio do diálogo e da diplomacia. Expressaram a expectativa de que os esforços atuais conduzam a um acordo de paz sustentável.”

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