Reta final da corrida pela Casa Branca fica ainda mais apertada, mostra pesquisa
Dentro da margem de erro, Kamala Harris tem vantagem de apenas 2 pontos sobre Donald Trump em nível nacional, segundo levantamento Reuters/Ipsos

Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta terça-feira, 22, mostrou que a vice-presidente dos Estados Unidos e aspirante democrata à Casa Branca, Kamala Harris, e o ex-presidente republicano Donald Trump estão tecnicamente empatados nas intenções de voto em nível nacional. Se o pleito fosse hoje, ela teria 46% dos votos e ele, 43% – sem arredondar os números, o levantamento mostra que sua vantagem é apenas de 2 pontos percentuais, exatamente dentro da margem de erro.
A ligeira vantagem de Harris pouco difere de dados da pesquisa anterior da Reuters (quando a disputa pelos votos estava em 45% a 42%), reforçando a visão de que a disputa está excepcionalmente acirrada a apenas duas semanas da eleição de 5 de novembro.
Perspectiva negativa
O levantamento divulgado nesta terça entrevistou 3.481 eleitores registrados, cerca de 3.307 dos quais foram considerados os mais propensos a comparecer no dia da eleição. Entre os principais diagnósticos, além de uma corrida apertada, os dados revelaram que os americanos têm uma visão negativa do estado da economia e da imigração – questões que costumam favorecer Trump nas urnas.
Cerca de 70% dos eleitores disseram que o custo de vida estava alto demais, enquanto 60% avaliaram que a economia estava indo na direção errada. Outros 65% afirmaram o mesmo sobre a política de imigração. Para a maioria dos entrevistados, a entrada de imigrantes ilegais no país deveria ser o tema nº 1 a ser abordado nos primeiro 100 dias do mandato do próximo líder da Casa Branca.
Os eleitores também disseram que a economia e a imigração, juntamente com as ameaças à democracia, eram os problemas mais relevantes do país. Questionados sobre qual dos candidatos tinha a melhor abordagem sobre essas questões, Trump teve vantagem na economia, por 46% a 38%, e na imigração, por 48% a 35%.
O republicano, porém, teve mal desempenho quando a questão foi qual candidato era melhor para lidar com o extremismo político e as ameaças à democracia. Harris teve vantagem nesse quesito (42% a 35%). Ela também ficou à frente quanto os temas eram política de aborto e saúde.
Colégio Eleitoral
A ligeira vantagem de Harris sobre Trump nas pesquisas nacionais pode não ser suficiente para vencer a eleição, mesmo que ela se mantenha até 5 de novembro. São os resultados estado por estado do Colégio Eleitoral que determinam o vencedor, e sete – Michigan, Wisconsin, Pensilvânia, Nevada, Arizona Geórgia, Carolina do Norte – devem ser decisivos neste ano. Trump derrotou a democrata Hillary Clinton na eleição de 2016 nos votos do Colégio Eleitoral, embora ela tenha vencido o voto popular nacional por 2 pontos.
Pesquisas mostraram que Harris e Trump estão empatados nos chamados swing states, onde as preferências por republicanos ou democratas se alternam.
Comparecimento às urnas
A nova pesquisa deu sinais de que os eleitores – particularmente os democratas – estão mais mobilizados neste ano do que na eleição presidencial de novembro de 2020, quando o democrata Joe Biden derrotou Trump. O dado é significativo, já que o voto não é obrigatório nos Estados Unidos.
Cerca de 79% dos eleitores registrados – incluindo 87% dos democratas e 84% dos republicanos – disseram estar “completamente certos” de que compareceriam às urnas. É um aumento em relação ao levantamento da Reuters feito em outubro de 2020, quando 74% dos democratas e 79% dos republicanos disseram ter certeza de que iriam votar.
Garantir que os apoiadores compareçam às urnas pode ser essencial tanto para Harris quanto para Trump. Em 2020, apenas dois terços dos adultos americanos votaram – o maior nível em mais de um século.
Cerca de um terço dos eleitores registrados são democratas e um terço são republicanos. O restante se declara como independente, ou apoia candidatos terceiros, de acordo com uma estimativa do Pew Research Center.