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Quatro navios sofrem ataques perto do Estreito de Ormuz após troca de ameaças entre EUA e Irã

A região, vital para 20% do gás e petróleo mundiais, vê sua paralisação ameaçar a economia global em meio ao conflito no Oriente Médio

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 11 mar 2026, 08h42 | Atualizado em 11 mar 2026, 11h58

Pelo menos quatro navios foram atacados nesta quarta-feira, 11, na área do Estreito de Ormuz, região que virou um os maiores focos de atenção global na guerra no Oriente Médio, uma vez que sua paralisação pode provocar grandes abalos à economia mundial. Os disparos ocorreram em meio à campanha de retaliação do Irã contra Israel e nações aliadas dos Estados Unidos no Golfo, onde seu foco passou a ser as infraestruturas de petróleo dos grandes exportadores.

Segundo a agência marítima britânica UKMTO, um porta-contêineres e dois cargueiros foram atingidos por “projéteis desconhecidos” nesta quarta, enquanto a Marinha da Tailândia informou que um graneleiro com a bandeira do país também foi atacado “quando transitava pelo Estreito de Ormuz”. Os 20 tripulantes da embarcação foram resgatados.

A UKMTO registrou 14 incidentes contra navios na passagem por onde transitam 20% do gás e petróleo consumidos pelo mundo desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.

Isso ocorreu após o presidente americano, Donald Trump, ameaçar o Irã na véspera com “consequências militares de um nível nunca antes visto” caso o país instale minas na área. As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram na terça-feira 10 que destruíram 16 navios iranianos de instalação de minas “perto do Estreito de Ormuz”.

Petróleo estrangulado

Nos últimos dias, enquanto ataques iranianos continuam provocando explosões no Catar e deixando feridos pela queda de drones perto do aeroporto de Dubai, as atenções se voltaram principalmente sobre a rota marítima que o Irã decidiu fechar na semana passada. A comunidade internacional discute ações possíveis para desbloquear o tráfego crucial de petróleo: Washington já mencionou a possibilidade de escoltar os embarcações que navegam pela região, enquanto a França falou em criar uma “missão defensiva” com aliados para reabrir o estreito.

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Em paralelo, a Agência Internacional de Energia (AIE) cogita recorrer às reservas emergenciais de petróleo — uma medida extraordinária que foi tomada pela última vez no início da guerra na Ucrânia —, segundo o jornal americano The Wall Street Journal. Os governantes do G7 devem ter uma reunião por videoconferência nesta quarta-feira para “provavelmente abordar” a questão das reservas energéticas, informou o ministro francês da Economia, Roland Lescure.

Contudo, alguns especialistas apontaram que talvez não compense economicamente seguir utilizando a rota no atual contexto.

“Os riscos para a segurança podem fazer com que uma única passagem pelo estreito fique mais cara do que a margem de lucro da própria carga de petróleo transportada pelo navio”, destacou o Soufan Center, com sede em Nova York e especializado em questões de segurança. “A reserva de minas navais do Irã oscila entre 2.000 e 6.000 unidades, o que complicaria qualquer plano naval de escoltar petroleiros comerciais”, acrescentou.

O bloqueio do estreito provoca grande volatilidade nos mercados: após uma recuperação na terça-feira, as bolsas europeias voltaram a abrir em terreno negativo nesta quarta-feira e a cotação do petróleo voltou a subir. O barril de WTI se aproximava de 88 dólares, uma alta de quase 6%, enquanto o barril de Brent era negociado por pouco mais de 92 dólares (+5%).

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