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Presidente iraniano prega fim da rivalidade com os EUA

Usando o mesmo método de Putin, Hassan Rohani assina artigo em jornal americano e pede "abordagem construtiva" na diplomacia entre os dois países

Por Da Redação 20 set 2013, 07h14

Uma semana depois de Vladimir Putin ter se dirigido aos americanos em um artigo no New York Times, foi a vez do presidente iraniano Hassan Rohani usar o mesmo artifício para expor suas expectativas sobre o futuro das relações diplomáticas entre Teerã e Washington. Em uma coluna publicada nesta sexta-feira pelo jornal The Washington Post – concorrente do NYT -, o governante-articulista prega uma “abordagem construtiva” nas negociações diplomáticas entre os países.

“Precisamos trabalhar juntos para acabar com as rivalidades nocivas e com as ingerências que alimentam a violência e nos separam”, destacou o moderado sucessor de Mahmoud Ahmadinejad no artigo intitulado “Por que o Irã busca um compromisso construtivo”. No editorial, Rohani defende o diálogo nos dois temas mais delicados entre os dois países: o conflito na Síria, onde os EUA defendem os rebeldes e os iranianos apoiam Assad, e o programa nuclear de Teerã. “Para superar os impasses precisamos apontar mais alto. Em vez de focar em como prevenir que as coisas piorem, devemos pensar – e falar – sobre como melhorá-las”, argumentou.

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Em um exemplo da boa vontade dessa nova política diplomática, Rohani anunciou a disposição do Irã em atuar como mediador nas conversas entre o governo sírio e a oposição. “Precisamos criar uma atmosfera onde as pessoas da região possam decidir o seu próprio destino”, defendeu ele, em uma crítica às tentativas já malogradas dos EUA de intervir militarmente na guerra.

Aproximação – Esta não é a primeira vez que o presidente iraniano sinaliza com uma aproximação com os Estados Unidos, após anos de tensão entre os dois países durante o governo de Ahmadinejad. Eleito em junho com o slogan “prudência e esperança”, o político declarou na última quarta-feira, em entrevista para a rede americana NBC, que seu país nunca desenvolverá uma bomba nuclear – o maior temor da comunidade internacional em relação ao programa nuclear iraniano. Na conversa, Rohani também revelou que manteve uma troca de mensagens “positiva e construtiva” com Obama na semana passada. “Podem ser passos sutis para um futuro muito importante”, disse ele.

Apesar da retórica conciliatória de Rohani, os EUA ainda suspeitam que o Irã pode estar buscando ganhar tempo para desenvolver a tecnologia para a produção de armas atômicas. Na semana passada, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que o Irã está limitando a capacidade da ONU de verificar a natureza e os objetivos do programa nuclear do país.

Enrolador – Apesar de ser visto como um político moderado pelo Ocidente – principalmente em comparação ao bravateiro Ahmadinejad -, Rohani já provou no passado ser um bom enganador de diplomatas. Como negociador-chefe nuclear na década passada, o agora presidente se especializou em enrolar os inspetores da ONU enquanto as centrífugas para enriquecer urânio do país se multiplicavam.

A Casa Branca ainda não comentou artigo, mas em resposta à entrevista da última quarta, o porta-voz do governo americano Jay Carney declarou que “ações valem mais do que palavras” e que “a mão de Obama está estendida” aos iranianos desde o primeiro mandato do presidente, em 2009. Embora ainda não esteja confirmado, um possível encontro entre os dois governantes durante a Assembleia-Geral da ONU, que acontece no final do mês em Nova York, pode servir de teste para os EUA avaliarem as reais intenções da “abordagem construtiva” do Irã.

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