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Permissão de pequenos canivetes em voos nos EUA traz de volta o fantasma de 11 de setembro

Novas regras da agência que cuida da segurança dos transportes aéreos nos Estados Unidos começam a valer em 25 de abril

Por Da Redação - 31 mar 2013, 15h34

Banidas desde os ataques terroristas contra as Torres Gêmeas, pequenos canivetes voltarão a ser permitidos em voos nos Estados Unidos a partir do dia 25 de abril. A decisão da Transportation Security Administration (Administração de Segurança do Transporte, em português), anunciada em 5 de março, trouxe de volta o fantasma do atentado de 11 de setembro de 2001. A preocupação não é infundada. Em 2004, a comissão responsável pela investigação disse que a melhor hipótese que explica como os sequestradores tomaram os aviões era a utilização de estiletes e alicates multifunções, itens permitidos pelo regulamento da época e que continuam vetados. .

A nova política da TSA permite facas com lâminas de até 6 centímetros de comprimento e 1,3 centímetro de largura (ver foto abaixo), desde que elas não possuam travas ou lâminas fixas nem cabos moldados. Equipamentos de esporte também serão liberados, como tacos de bilhar, bastões de esqui, tacos de golfe e bastões de beisebol menores que 61 centímetros e mais leves que 700 gramas. A proibição foi mantida para estiletes, giletes, alicates multifunções.

Facas permitidas pela Transportation Security Administration
Facas permitidas pela Transportation Security Administration VEJA

Debate – As críticas foram muitas – e o assunto virou debate nacional. As companhias aéreas e organizações ligadas a comissários de bordo, pilotos e funcionários públicos questionaram a medida. Para eles, a TSA se preocupa com a manutenção da aeronave no ar, sem pensar na possibilidade de tripulação e passageiros serem vítimas de atos agressivos. O presidente da Associação de Comissários de Bordo do Sudoeste, Stacy K. Martin, disse que, enquanto os objetos oferecem pouco risco aos pilotos trancados em sua cabine, a decisão deixa a tripulação vulnerável a ataques. “Essa política foi formulada para facilitar a vida dos funcionários da TSA, mas não para tornar os voos mais seguros”, disse Martin. A opinião foi endossada pela Delta Airlines, que acredita que a permissão adiciona pouco valor para processo de segurança dos clientes em um voo em relação ao risco que adiciona sobre a tripulação e os passageiros.

O senador democrata Charles Schumer, de Nova York, enviou uma carga a John Pistole, chefe da TSA, dizendo que, em um ambiente confinado, qualquer objeto vira uma ameaça. “Os ataques de 11 de setembro mostraram que até uma pequena lâmina nas mãos de um terrorista pode levar ao desastre”, escreveu.

Schumer também questionou o fato de ser liberada a possibilidade de alguém portar uma pequena faca, mas não ser permitido levar uma embalagem grande de shampoo e ter de tirar os sapatos para passar pela segurança. A razão para isso, de acordo com a TSA, é o fato de existir explosivos líquidos e dispositivos não metálicos de detonação que podem ser escondidos nos sapatos. Durante uma audiência no Congresso na última semana, Pistole citou o exemplo de cartuchos de impressoras com materiais explosivos enviados do Iêmen a Chicago, em 2010.

O administrador da TSA defendeu a posição do orgão com o argumento que as mesmas críticas apareceram quando passou a ser permitido entrar nas aeronaves com agulhas de tricô, tesouras e chaves de fenda, em 2005. “Ainda não vimos um único incidente em que um passageiro foi ferido usando uma agulha de tricô ou tesouras. Pequenas facas são permitidas na Europa já há um tempo e não ficamos sabendo de nenhum incidente”, publicou no blog da agência. O antecessor do dirigente no cargo, Kip Hawley, o defendeu. “Você não pode prevenir agressões na aeronave, mas essa não é a missão da TSA. O objetivo da agência é prevenir um bem sucedido e catastrófico ataque terrorista e isso não é possível com uma pequena faca ou com um pequeno taco.”

De acordo com o site CNN, especialistas dizem que as melhorias na segurança desde os ataques, com portas reforçadas das cabines dos pilotos e passageiros mais atentos a movimentos suspeitos, fizeram com que a proibição de pequenas facas seja desnecessária. “Concordo com essa avaliação: um pequeno canivete não vai resultar em uma falha catastrófica de uma aeronave”, disse Pistole. Segundo o administrador da TSA as novas regras estão de acordo com os padrões internacionais e permitirão aos agentes “focar seus esforços em achar itens mais perigosos, como explosivos”. Para o presidente da House Homeland Security Committee, Michael McCaul, a prioridade da agência é proteger as aeronaves comerciais de ameaças e armas que possam derrubá-las.

A ameaça são as pessoas – O especialista em segurança Rafi Ron, presidente da New Age Security Solutions (Soluções de Segurança da Nova Era, em português) afirma que o foco central das preocupações com segurança deve estar nas pessoas e não nos objetos. “Risco não é mensurado por item, independente de ser uma faca ou uma arma. Ele é mensurado pela pessoa que o segura. Uma pessoa má com um canivete suíço ainda pode causar muito estrago para a tripulação e para os passageiros antes de o avião pousar”, disse.

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