Paris: vitória sobre duas rodas
Na noite de domingo 22, o candidato do Partido Socialista, Emmanuel Grégoire, 48 anos, foi declarado vencedor com 50,5%
Até os últimos instantes, o páreo para a prefeitura de Paris seguia em suspense. A esquerda, depois de quase três décadas alojada no Hôtel de Ville, edifício que serviu de palco a tantos capítulos da história francesa, não sabia dizer se conseguiria manter o poder em meio aos ventos conservadores que teimam em soprar por todo o continente europeu. Na noite de domingo 22, o candidato do Partido Socialista, Emmanuel Grégoire, 48 anos, foi declarado vencedor com 50,5% dos votos e tratou de subir em uma bicicleta, antecipando a que veio. Herdeiro da longeva administração de Anne Hidalgo, que muito exasperou os motoristas de carro mas deu vida nova a pedestres e aos que se deslocam sobre duas rodas, ele promete continuar na toada sustentável, ampliando as alternativas para quem anda a pé e convertendo bulevares em jardins. “Essa é a vitória de uma certa visão de cidade”, celebrava o novo alcaide, que se junta ao pelotão progressista à frente de metrópoles como Londres e Nova York. O bom desempenho de seu matiz ideológico na capital, somado ao resultado das eleições pelo país, trouxe no conjunto uma constatação que sinaliza os humores para o tão aguardado pleito presidencial de 2027, quando o atual ocupante do Palácio do Eliseu, Emmanuel Macron, terá de sair de cena. A extrema direita, liderada por Marine Le Pen, avançou, porém em passo bem mais lento do que o esperado, contida pelo cordão de coligações mais ao centro que vem freando a via radical. Mas, vale lembrar, um ano na política, especialmente a francesa, é uma eternidade, e nada dá para prever. C’est la vie.
Publicado em VEJA de 27 de março de 2026, edição nº 2988






